15 de jan. de 2012

Lugar de criança é no UFC.

Quem não tinha nada melhor pra fazer e se ocupou da transmissão do UFC nessa madrugada, diz que a Globo apelou para imagens de crianças nesse bem sucedido processo de popularização do UFC no Brasil (Ou o correto é dizer MMA? O que é uma coisa e o que é outra? Não tive tempo de pesquisar no google).

Crianças que, segundo esses telespectadores, foram levadas pelos pais para o ginásio onde, num octogono, homens trabalhadores lutavam pelo pão de cada dia.

E, ainda, segundo esses atentos telespectadores, essas crianças foram definidas pelo eufórico Galvão Bueno (outro que como narrador, também, apenas luta pelo pão de cada dia) como "gladiadores do novo milênio".

Eu também acho o Galvão Bueno pouco criativo, superestimado, de chavões medianos. É que a concorrência é muito ruim, então "sai que é sua Frangarel", "AyRRton, AyRRton Senna do Brasil", "Rrrrrronaldo", "Éééééééé...é do Brasiiiil" e outra coisinhas que ele arrisca, acaba dando certo. Afinal, são tantas vezes repetidas...e repetidas na TV Globo, não é?

Mas a discussão é outra. Acreeeeditem: nesse Brasil tem muita gente preocupada com o futuro da humanidade e, portanto, com a educação das crianças. Parece mas não é mentira.

Então...desde a madrugada tem gente que não dormiu. Nem depois das porradas. Mas não foi trauma por causa das pancadas na cabeça, dos estrangulamentos, não. De violência todo mundo está cheio, mais que acostumados. Ou alguém acha que uma frescura, uma coisa light como esse UFC (ou é MMA?) vai assustar brasileiro?

Tem gente preocupada é com as crianças. Com as que foram no ginásio e com as que viram pela TV as porradas do UFC (ou é MMA?).

Claro, e ninguém ouse dizer o contrário, que as críticas ao UFC (ou é MMA?) não tem nada a ver com o fato de estar sendo transmitido pela Globo. Quer dizer, tem pelo fato de ser a emissora de maior audiência no país mas, não por aquelas picuinhas - vagabundagens, mesmo - ideológicas. As pessoas só estão preocupadas com a educação das crianças, dos adolescentes, dos jovens, dos adultos, dos velhos, dos cadáveres (vai que um fã de UFC mija num cadáver...já viu, né?!).
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Há quem não peça opinião: "UFC (ou é MMA?) não é coisa criança". Outros que fazem enquete: "Afinal, UFC (ou é MMA) é coisa pra criança?" mas não aceitam um "sim" ou um "talvez" como resposta.

Eu que depois de ler, ontem, a coluna do Dom Odilo Scherer no Estadão prometi não "ceder à tentação do relativismo absoluto" - e que já havia me posicionado, vejam só, contra a considerada obrigação de chamar a Dilma de presidenta - não vou ficar em cima do muro: lugar de criança é no UFC (e até no MMA se não for a mesma coisa).

Se você nunca foi criança ou não tem boa memória ou não nunca fez regressão ou nunca leu sobre psicologia infantil ou nunca foi bom/boa observador/a, eu sugiro que você deixe duas crianças juntas e... Quer dizer, não faz isso, não; é muito arriscado. 

Mas...toda criança, antes de sofrer todo esse processo de civilização, é muito mais violenta que qualquer lutador de UFC (ou é MMA?). Levar uma criança para um ginásio pra ver esses caras lutando pelo pão de cada dia, na verdade, pode ser uma eficientissima aula de todas as matérias nobres e úteis que você imaginar.

Podem começar aprendendo, por exemplo, porquê alguns adultos vivem repetindo que "a vida é dura", o quanto pode ser difícil ganhar o pão de cada dia e que, apesar de toda violência, as lutas têm regras, o lutador não pode fazer tudo que quer, bater onde quiser... Já imaginou as lições que uma criança pode assimilar com essas observações? E com mais tempo e interesse a gente pode listar várias outras boas influências que um evento de UFC (ou é MMA) pode ter sobre uma criança.

Você levaria seu filho, seu sobrinho, seu neto...? Eu não.

13 de jan. de 2012

Matar pode. O resto é discutível.



Eu fico curioso pra saber como, por quê e por quem imagens como a dos soldados americanos fazendo xixi nos cadáveres talebans são publicadas. Nesses casos  me valho de um princípio de vida: Não acredito em tudo mas não duvido de nada.

Justo num momento em que o Taleban, estranhamente, demonstra a maior boa vontade do mundo em querer negociar com os Estados Unidos!? Não há limites para as boas teorias da conspiração. Nem para as práticas.

Mas curiosas, mesmo, são as reações de vários chefes de Estado, líderes políticos e especialistas em guerra-e-paz. Como defensores da boa conduta e da “ética da guerra”, não admitem o que viram, querem punição severa para os soldados mijões.

Afinal, matar pode, fazer xixi no cadáver, não; é crime de guerra.

Não matar deve ser crime de paz.

11 de jan. de 2012

Dinheiro não tem preconceito.

O honesto e o desonesto, 
o preto e o branco, 
o rico e até o pobre,
a criança e a velha.

 A puta e a freira, 
o dízimo e o imposto,
o agiota e o doador,
o Mensaleiro e a diarista.

O Eike Batista e o bombeiro,
 o gari e o Boris Casoy, 
o aposentado e o FHC, 
o Lula e o paciente do SUS.

O craque e o crack,
na zona franca de Manaus,
nas zonas da Guacurus e da Augusta,
e até na zona do euro.

Até comunistas quando existiam.

Dinheiro não tem preconceito.
Passa pelas mãos de qualquer um, pelos bolsos de qualquer um,
pelas meias de qualquer um, pelas cuecas de qualquer um.

Importante é lavar as mãos depois.

10 de jan. de 2012

O Papa e o comprometido presente da humanidade.

Verdadeiramente torna-se sombrio o mundo, quando não é iluminado pela luz divina! Verdadeiramente fica na escuridão o mundo, quando o homem deixa de reconhecer a sua ligação com o Criador, pondo assim em perigo também as suas relações com as outras criaturas e com a própria criação. (Bento XVI em 09 de janeiro de 2011)


Está por aí em todos os sites mau intencionados, mal informados e mal informantes a manchete: "O Papa afirmou que o casamento gay compromete o futuro da humanidade". Mentira, canalhice: Bento XVI não disse isso. E nem adianta afinar o latim porque o que não foi dito intraduzível está.

O que o pretenso representante de Deus na Terra fez foi um breve exercício de seu direito e dever: um discurso em defesa de princípios que ele e outros bilhões confessam acreditar.

E eis o presente da humanidade comprometido: ninguém mais consegue expressar em paz os princípios de sua fé. Nem o Papa. Um presente compreensível, também, muito porquê há mais de 160 anos muitas das cabeças influentes do mundo, entre políticos, escritores, publicitários e noveleiros têm como bíblia o Manifesto do Partido Comunista (uma citação que alguns não vão entender e outros vão ironizar).
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Liberdade Religiosa. Disso, Bento XVI disse: "...é bem compreensível que uma obra educativa eficaz exija igualmente o respeito da liberdade religiosa. Esta caracteriza-se por uma dimensão individual, bem como por uma dimensão colectiva e uma dimensão institucional. Trata-se do primeiro dos direitos do homem, porque expressa a realidade mais fundamental da pessoa. Muitas vezes, por variados motivos, este direito é ainda limitado ou espezinhado. Não posso evocar este tema sem começar por saudar a memória do ministro paquistanês Shahbaz Bhatti, cuja luta incansável pelos direitos das minorias terminou com uma morte trágica. E não se trata, infelizmente, dum caso único. Em numerosos países, os cristãos são privados dos direitos fundamentais e postos à margem da vida pública; noutros, sofrem ataques violentos contra as suas igrejas e as suas casas. Às vezes, vêem-se constrangidos a abandonar países que eles mesmos ajudaram a edificar, por causa de tensões contínuas e por políticas que frequentemente os relegam para a condição de espectadores secundários da vida nacional. Noutras partes do mundo, encontram-se políticas tendentes a marginalizar o papel da religião na vida social, como se ela fosse causa de intolerância em vez de uma apreciável contribuição na educação para o respeito da dignidade humana, para a justiça e a paz. O terrorismo religiosamente motivado ceifou, no ano passado, também numerosas vítimas, sobretudo na Ásia e na África. Por esta razão, como lembrei em Assis, os responsáveis religiosos devem repetir, com vigor e firmeza, que "esta não é a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição". A religião não pode ser usada como pretexto para pôr de lado as regras da justiça e do direito em favor do bem que ela persegue".

Falou sobre liberdade religiosa citando, em outros pontos, casos específicos de países marcados por intolerância religiosa. E se falou de problemas antigos do presente, não poderia deixar de provocar, o sentimento central do cristianismo, a esperança. Voltou-se aos jovens: O Beato João Paulo II lembrava que "o caminho da paz é também o caminho dos jovens", constituindo eles "a juventude das nações e das sociedades, a juventude de todas as famílias e da humanidade inteira". Por isso, os jovens pressionam-nos para que sejam consideradas seriamente as suas exigências de verdade, justiça e paz. Nesta linha, foi a eles que dediquei a Mensagem anual para a celebração do Dia Mundial da Paz, intitulada "Educar os jovens para a justiça e a paz". A educação é um tema crucial para todas as gerações, pois depende dela tanto o desenvolvimento saudável de cada pessoa como o futuro da sociedade inteira.

Se falou em esperança, em futuro, em juventude, não deixaria de fazer referência ao que ele e bilhões de fiéis acreditam ser a base de toda sociedade: a família. "Para além de um objetivo claro, como é o de levar os jovens a um pleno conhecimento da realidade e, consequentemente, da verdade, a educação tem necessidade de lugares. Dentre estes, conta-se em primeiro lugar a família, fundada sobre o matrimónio entre um homem e uma mulher; não se trata duma simples convenção social, mas antes da célula fundamental de toda a sociedade. Por conseguinte, as políticas que atentam contra a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade. O quadro familiar é fundamental no percurso educativo e para o próprio desenvolvimento dos indivíduos e dos Estados; consequentemente, são necessárias políticas que o valorizem e colaborem para a sua coesão social e diálogo. É na família que a pessoa se abre ao mundo e à vida e, como tive ocasião de lembrar durante a minha viagem à Croácia, "a abertura à vida é um sinal da abertura ao futuro".

O Papa não disse o que dizem que ele disse e mesmo se tivesse dito não teria dito nada que justificasse tanta  purpurina. Mas eu sei que não adianta argumentar. Quanto mais distorcido, menos refletido, menos analisado e, claro, menos lido, melhor, especialmente para um monte de aproveitadores infelizes militantes de causas e causas. O futuro da humanidade está, sim, comprometido. Essencialmente por uma causa: a ignorância.

Verão, mineiro!

Em Minas Gerais nunca faz Verão. No máximo, faz calor. Nesse 2011/2012 chuva, chove, chuva, chove e tem mais. Ontem fez e hoje, também, faz é frio. Quem viver, verão em alguma praia. A maioria no Espírito Santo.

8 de jan. de 2012

Chuvas e Tragédias. Fins de mundos.

Todo ano todo mundo diz que todo ano é a mesma coisa.


No ano que vem pode ser diferente: não ter chuvas nem tragédias nem ano que vem. Nem mundo.

6 de jan. de 2012

Você compraria jornal na Bélgica?

Essa é a primeira página da edição impressa do jornal belga DeMorgen de hoje, 06/01/2012. Em destaque, a imagem de um homem nu com tudo, tudinho mesmo, a mostra. Eu, como brasileiro careta, dei uma sprayzada lá (sic), pra evitar qualquer contra-tempo. Mas quem quiser ver o resto é só clicar aqui.  (Deixando claro para os mais desatentos: a surpresa não é homem nu, é homem nu na primeira página do jornal).

O homem nu em qustão, na verdade é uma reconstituição do chamado neandertal Spy, ancestral dos neerlandeses. O trabalho dos irmãos Adrie e Alfons Kennis, foi apresentado ontem no Instituto Real Belga de Ciências Naturais, em Bruxelas. E op que eu posso dizer é que o neandertal Spy era mais bem dotado que os renacentistas.

5 de jan. de 2012

Ter um sonho todo azul... Mulheres da Somália.

Em dois meses mais de 2500 relatos de mulheres e crianças estupradas só em Mogadíscio, capital da Somália.


Essa mulher é só mais uma das milhares de vitímas de mulheres somalis abrigadas na casa de paredes azuis que sedia o instituto The Elmam Peace e o Centro de Direitos Humanos em Mogadíscio, capital da Somália.

Vítimas na Somália? Quem não é?

Pense em tudo de pior que você já ouviu, viu e e leu sobre a África. Tudo mesmo. Agora, coloque tudo isso dentro de uma única cidade. Essa cidadae é Mogadíscio. Fome, muita fome. Doenças, muitas doenças. Guerras, muitas guerras internas. Sangue, muito sangue. Miséria, muita miséria.

Num inferno desse, como que será a vida, especificamente, das mulheres?

Segundo pesquisa da Fundação Thomson Reuters, publicada em Junho de 2011, a Somália é o 5° pior país do mundo para as mulheres.


Difícil é imaginar que existe lugar pior no mundo do que um país onde 98% das meninas sofrem mutilação genital. E esse é um tipo de violência...digamos...cultural. O que eu quero dizer com isso? Que esse tipo de violência é considerada aceitável, quando, no máximo, discutível, por muitos especialistas influentes nessas mesas internacionais que "pensam" o mundo.

Como se não bastasse a "violência cultural", a maioria das mulheres somalis não são mais que escravas, utilizadas como meros objetos para vários fins por seus "donos".

Estupros nunca foram raridades. Pelo contrário. Mas como não há nada ruim que não possa ser piorado, nos últimos anos, as mulheres da Somália têm sido, como nunca, vítimas de disputas políticas e religiosas.Um grupo radical islâmico, o Al- Shabab, tem espalhado ainda mais terror entre as mulheres do país. São vários os relatos colhidos, inclusive, pela ONU, de casos de estupros e assassinatos.


Segundo a maioria das mulheres que conseguem escapar, as mulheres, de várias idades, inclusive crianças, são obrigadas ou a se casarem e/ou a manterem relações sexuais com os membros do Al-Shabab que se dizem defensores do Islã puro. As mulheres que se recusam são estupradas e muitas mortas a pedradas em frente à familia e toda comunidade.


É no meio desse inferno, que Fartun Adan, uma mãe de 3 filhos que teve o marido assassinado no páis, em 1996, luta para amenizar o sofrimento das mulheres vítimas de toda espécie de violência na Somália. Desde 2007, quando retornou do Canadá, para onde fugiu depois da morte do marido, Fartun mantém a The Elmam Peace uma fundação que recebe o apoio da ONU. E é essa a casa azul em questão: a casa sede da The Elmam Peace do Centro dos Direitos Humanos que tem página no facebook.


Na Somália até a bandeira é azul. Os sonhos, como cantou o Tim Maia, também devem ser.

Imagens: The New York Times

4 de jan. de 2012

O ex-cartola trapalhão, o cartola fanfarrão, o jogador cabeça de bagre e a picadura no Ronaldo.

Que o Luiz Gonzaga Belluzzo foi o pior cartola do futebol brasileiro nos últimos 352 anos eu já sabia. Mas mesmo depois de ter deixado o Palmeiras livre de sua decisões, ele continua fazendo muito mau ao clube. Em meio ao endividamernto astronômico que o teórico de Economia promoveu no clube, descobriu-se mais uma belluzzada.Quando o Palmeiras contratou o Kléber, do Cruzeiro, Belluzzo acertou uma comissãozinha com o empresário do jogador: R$ 15.000,00 por mês até 2015. Eu nunca tive dúvidas que o Luxemburgo seria muito melhor administrador de padarias do que o "vamos matar os bambis".

O presidente em exercício do Corinthians, Roberto de Andrade, mostrou-se um grande fanfarrão ao comentar a exigência do Cruzeiro de 15 milhões de euros por Montillo. Ontem, durante participação no Arena Sportv, o cara soltou essa: "Jogador vale aquilo que o outro clube se propõe a pagar. Se um clube se dispõe a pagar 8 milhões de euros, é isso que ele vale". Precisa explicar?

O atacante Walter, ex-Internacional, que estava no Porto se apresentou hoje ao Cruzeiro. A respeito do jogador, pedi uma opinião ao colorado Gerson Sicca: "O Walter é um boa atacante. O problema dele é a cabeça de bagre; o bicho é meio depressivo, eu acho. Tá sempre com algum problema fora de campo, saudade de casa, etc, etc. Tomara que dê certo no Cruzeiro. Abraço!".

Ronaldo está com dengue. O Aedes Aegypti é mais democrático e menos preconceituoso que muito político com discurso liberal que tem por aí. O assunto "dengue" merece toda seriedade possível mas é impossível evitar aquela risadinha maldosa ao saber que o gordo tomou outra picadura.

3 de jan. de 2012

O Brasil está revendo seus estereótipos pelo mundo.

"No Brasil você pode atirar nas pessoas, explodir coisas e eles dizem. 'Obrigado! E aqui está um macaco pra você levrar pra casa'. Não poderíamos ter feito o que fizemos em outro lugar."

"Espero que ela (Oprah) não esteja chateada de perder as Olimpíadas. Chicago enviou Oprah e Michelle. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi justo”.

A primeira frase foi dita por Silvester Stalone, em Julho do ano passado, depois dele passar meses aqui no Brasil gravando um filme. A segunda é do Robbin Williams, alguns dias depois do Rio de janeiro ser escolhido sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Era pra levar a sério ou foram só duas piadas? Afinal, quem é que nunca fez um comentário, digamos, politicamente incorreto sobre os Estados Unidos, sobre o Japão, sobre a Alemanha? Sobre a Argentina, então... Não seriam os norte-americanos a nos poupar de brincadeirinhas, dessas que dizem verdades, inclusive as exageradas, sem intenção de ofender, entende?

Verdades? Afinal, quais e quantas são as verdades capazes de retratar com fidelidade a realidade de um país?

Muitas cabem num folder de anúncio de pacote turístico, num filme, numa música, numa crônica, numa matéria do correspondente internacional do jornal, num cartão-postal, numa palvra de um turista ou numa frase de um comediante.

Quase sempre nada nem ninguém diz todas as verdades; cada um fotografa um país de acordo com seu (limitado, mesmo os mais abrangentes) olhar.

E o Brasil? Como nos retratam os olhares exteriores, às vésperas de sediarmos os dois maiores eventos do mundo? País do samba? Do futebol? Do carnaval? Da liberdade? Da alegria? Da libertinagem? Da corrupção? Das drogas? Da prostituição? O país do futuro?

O país da 6° maior economia do mundo que é o mesmo país que é só o 84° IDH, o mesmo país que tem o maior número de homicídios do mundo e que tem metade dos domicílios sem saneamento básico (de acordo com o PNSB de 2008).

É sobre este Brasil - e outros Brasis - que a primeira edição do ano da VEJA traz uma pesquisa de opinião realizada pelo CNT/Sensus com 7200 pessoas em 18 países (Argentina, Chile, Colômbia, México, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Rússia, China, Japão, Índia, Líbano, África do Sul, além do próprio Brasil).

Quantos já ouviram falar do Brasil? A pesquisa ouviu apenas 7200 pessoas em outros 17 países mas teve a coragem de assegurar que 94% da população mundial, pelo menos, já ouviu falar sobre o país. A principal curiosidade fica por conta dos 9% de norte-americanos que nunca viu, nunca comeu nem nunca ouviu falar de nós.

O Brasil é um país desenvolvido, emergente ou subdesenvolvido? 49% dos pesquisados responderam o que os conceituadores oficiais de países dizem: o Brasil é um país emergente. 27% só ouviu falar dos ricos e responderam que o Brasil é um país desenvolvido. As principais curiosidades ficam por conta dos resultados na Argentina e em Portugal. No país vizinho, 47% classificam nosso país como desenvolvido e em Portugal, que passou séculos roubando nossas riquezas, 42% acham que somos desenvolvidos.

O Brasil tem ou não tem capacidade para organizar a Copa do Mundo de 2014? 73% dos gringos acreditam no Ricardo Teixeira, na Dilma e potencial do país como um todo. A principal curiosidade nesse ítem, ficou por conta do percentual de confiança entre os brasileiros: apenas 49%.

O Brasil está cada vez mais influente em questões políticas e econômicas no mundo? Depois dos tantos abraços de Lula com vários ditadores mundo afora, inclusive Muammar Khadafi e Mahmoud Ahmadinejad, da pataquada em Honduras e da insistência do Celso Amorim em pleitear uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, 57% dos gringos acham que o país está mais poderoso.

O Brasil é um bom vizinho ou um explorador metido a imperialista? 52% dos argentinos, 31 dos chilenos e 45% dos colombianos acham que o Brasil contribui para o desenvolvimento econômico dos outros países.

O brasileiro gosta de trabalhar ou é preguiçoso? 80% dos brasileiros considera que somos cumpridores do ofício, enquanto 66% dos sulamericanos, 57% dos europeus, 47% dos asiáticos, 52% dos libaneses e 70% dos africanos consideram o brasileiro "pouco trabalhador".

O Brasil é um bom país para morar? Embora metade dos entrevistados diga que adoraria visitar o Brasil, apenas 36% consideram que ele é um bom país para viver.

Provocações com Carlos Drummond de Andrade.

Cronista, Contista ou Poeta: qual o melhor Carlos Drummond de Andrade? Pergunta desnecessária, resposta pra crítico especializado em desnecessidades. Aqui o que importa é o que, pra mim, é a maior marca do itabirano: provocador.

Hoje ele aparece por aqui com seu senso crítico aguçado na crônica J.C. Eu Estou Aqui, escrita entre 1970 e 1971, quando a música "Jesus Cristo", do Roberto Carlos, gravada no disco de 1970, fazia sucesso.

Sob o viés da religiosidade, Drummond não perdoa o futuro Rei, alfineta os especialistas críticos de suas obras,passeando pelo eterno dilema entre o dar mais importância ao que os outros pensam sobre você ou com a consciência de si mesmo, fala - há 40 anos, como se fosse hoje - que a sofisticação dos meios de comunicação não melhorou a relação entre as pessoas, cutuca com a devida sutileza a Ditadura.

Drummond daria vários shows stand-up, sem perder o refinamento, a sutileza e o respeito pela inteligência alheia. Confere aí: 

J.C. Eu Estou Aqui

Jesus Cristo, eu estou aqui. Pode parecer uma petulância de minha parte chamar Sua atenção para este fato aparentemente insignificante: o estar eu aqui neste escritório, e não no Bar-Restaurante Tabu da Barra ou em qualquer outro ponto do território nacional, do qual não me afasto por princípio. Hesitei longamente antes de Lhe fazer esta comunicação. Dizia a mim mesmo: Tem propósito informar Jesus Cristo que eu estou aqui?

Ele já sabe (refletia) e não deve andar preocupado com a minha localização na Guanabara. Procuram-nO antes os albergues-do-vento que costumam hospedar minh'alma, e estes às vezes são tão obscuros que, sinceramente, eu não saberia indicar nem a latitude e longitude, nem o aspecto geral do sítio onde a alma costuma pousar, não raro para esconder-se de si mesma. Claro que, fisicamente, em algum local determinável devo estar, e Jesus Cristo tem mais que fazer do que inteirar-se desse local, como se fora eu um subversivo e ele um órgão supremo de segurança.

Depois (continuei matutando), se todos os cristãos erguerem os braços e olhos para o céu, como eu agora estou erguendo, para anunciarem o recanto do globo onde se encontram no momento, que pensará Jesus Cristo? Que poderá pensar, senão que estamos todos doidos ou, no mínimo, possuídos de lamentável comichão exibicionista? Por muito bem intencionado que esteja Ele com relação a nossas ilustres pessoinhas, a natureza e a repetição coral, mundial da notícia, hão de molestá-lO, pois ninguém, nem mesmo Deus, suportaria a vociferação bilionar de eu estou aqui, eu estou aqui, eu estou aqui. Estou aí, e daí? É o caso de o Senhor nos responder. O Senhor decerto nos perdoará, mas conservando de nós uma triste impressão.

Contudo, Jesus Cristo, permita-me dizer-Lhe que eu estou aqui. Cheguei à conclusão de que devia mandar-Lhe este aviso, para alertá-lO sobre a situação de um ente comum nas atuais condições de vida no planeta a que o Senhor baixou um dia para redimir-nos. Estou aqui, mas é como se não estivesse em parte alguma, de tal modo fui despersonalizado por uma série de fenômenos que tornaram irrelevante, já não digo o estar em alguma parte, mas o ser alguém um ente definido e não outro qualquer, desde sarcomastigóforo, que o livro garante ser espécie mínima do protozoário, até o proboscídeo, hoje representado pelo simpático elefante. Ou mesmo objeto. Sou pessoa ou tamborete, gente ou panela de apito, sou folha de papel, relógio, cadarço, roda de carro, que é que sou afinal? Inda se fosse só isto ou aquilo. Mas sucessivamente me transformam em outra coisa ou coisa nenhuma. Pintam-me de vermelho ou azul, dissolvem-me, condensam-me, baralham-me, anulam-me. Por toda parte ouço ordens, advertências, conselhos, intimações, proibições. Faço o que não quero, se faço; em geral, não me deixam fazer nada, a não ser coçar o nariz. Dizem que sou massa. Mas existe massa, Jesus Cristo, ou criatura diferentes umas das outras? Dizem que a comunicação é chave da vida, mas por que cada dia nos comunicamos mais dificilmente uns com os outros, e conosco mesmo, à medida que os meios de comunicação se tornam mais refinados e poderosos?

Olhe, Jesus Cristo, não reclamo honras especiais, comidas especiais, tapetes especiais, nem estou nesta jogada para atrair sobre mim os holofotes da publicidade. Pelo contrário. Até corro o grande risco de perder o anonimato de átomo, e despertar a atenção preferencial dos poderes que regem o meu destino de átomo, com as consequências que é fácil prever (quando se fala em consequências, já se sabe que são funestas). 

Queria só uma coisa. Que o Senhor (ia dizer Você, mas ainda não estou de todo habituado ao novo estilo) faça alguma coisa para salvar outra vez o Homem, tomando conhecimento de que ele, eu, nós todos, estamos aqui muito sem jeito, sem rumo e sem sentido. Quando é que o Senhor volta, Jesus Cristo? Lembre-se de que eu estou aqui aqui aqui. (E o meu caro Gilberto Mendonça Teles, estudioso da estilísticas da repetição, que me perdoe mais esta).  

(Publicado no livro "O poder ultrajovem" de 1972)

2 de jan. de 2012

Cruzeiro 91 Anos. Ser cruzeirense é um privilégio.

Ser cruzeirense é, antes de qualquer outro conceito, ser um privilegiado por ter escolhido o clube certo pra torcer. Privilégio que até os rivais, que torcem por clubes que mais parecem  karma, não conseguem deixar de admitir.

Desses 91 anos de história vivi os últimos 22, já que passei a acompanhar futebol com clareza a partir da Copa do Mundo de 1990. Para meu privilégio foi, justamente, a partir do segundo semestre de  1990 que o clube iniciou a era mais gloriosa de sua história, conquistando títulos durante 15 anos  ininterruptos.

Como se não bastasse ver meu clube conquistar 29 títulos oficiais nesses 22 anos, entre eles 1 Libertadores, 2 Supercopas dos Campeões da Libertadores, 1 Recopa, 1 Campeonato Brasileiro e 4 Copas do Brasil, além, claro, de todos os outros que ele conquistou anteriormente,no ano em que ele mais me fez sofrer, com o risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro, ele encerrou o ano com mais uma goleada acachapante, 6 x 1, sobre o sofrido rival citadino.

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