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19 de dez. de 2011

"A privataria tucana", o providencial.

2011 vai entrar para a História do Brasil, independentemente dos interesses de quem escrevê-la, como o ano em que  6 ministros perderam  a boca por denúncias , evidências e provas de corrupção.

Pra ser mais exato, os seis caíram num intervalo de apenas 181 dias já que Antonio Pallocci, o primeiro, caiu em 7 de Junho e Carlos Lupi, o último, caiu em 4 de Dezembro. Diria Lula, nuncanteznahistóriadestepaiz.

A duas semanas de 2012, o recorde só não será maior por falta de ânimo. Às vésperas do Natal e do Reveillon, todos querem evitar a fadiga e deixar as outras cabeças para a prometida reforma ministerial. Caso contrário, Fernando Pimentel e Mário Negromonte seriam assados antes do pernil.

Além dessa marca maior do atual cenário político, há poucos dias foi publicado parte de uma investigação da Polícia Federal que reuniu um conjunto de provas sobre um grande esquema de falsificação orquestrado por petistas durante o recente Escândalo do Mensalão  com o objetivo de atingir adversários políticos e,assim, mantê-los ocupados de suas defesas enquanto os mensaleiros se refrescavam das pressões por esclarecimento. Numa das ligações interceptadas pela PF, um dos cabeças do esquema diz, claramente, que a falsificação das assinaturas da “Lista de Furnas” era a salvação do então presidente Lula.

Como se não bastassem essas verdades estarrecedoras, parace cada vez mais possível e provável que o processo contra os mensaleiros seja enrolado, enrolado até que todos os crimes sejam prescritos, devido a uma série de decisões e indecisões dos – e referente aos -ministros do Supremo Tribunal Federal, a despeito de qualquer interesse da opinião pública.

É nesse contexto que, de repente, não mais que de repente, surge no mercado o livro do Amaury Ribeiro Jr., um jornalista  que há tempos trabalha para o PT e que foi indiciado pela Polícia Federal por violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferta de vantagem a testemunha.

De acordo com a Carta Capital, a revista que propagandeou o livro na edição da semana passada, “a obra apresenta documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado. José Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização. Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. Mas quem brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira, ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização. O livro traz, por exemplo, documentos nunca antes revelados que provam depósitos de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje OI, na conta de uma companhia de Oliveira nas Ilhas Virgens Britânicas. Também revela que Preciado movimentou 2,5 bilhões de dólares por meio de outra conta do mesmo Oliveira. Segundo o livro, o ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou  no Brasil, em seu nome, cerca de 20 milhões de dólares em três anos”.

Parece óbvio que o livro é mais um projétil nessa eterna guerra que tem como único objetivo provar que os outros são tão sujos quanto nós. Queda de ministros em série no governo Dilma, Mensalão outra vez em evidência…O que fazer? Provar inocência? Claro que não. Lembrar o que todo mundo está enfadado de saber: que não existe mocinho, só bandido, nessa trama.

Assim, embaralham tudo. Na Câmara dos Deputados até já recolheram assinaturas para abertura de CPI.
Acho que dá pra dizer que nuncanteznahistóriadestepaiz, um livro foi tão providencial.

18 de dez. de 2011

Páginas amarelas da Veja. Sobre o que todo mundo sabe e ninguém muda.

Na edição da semana passada o entrevistado foi o sociólogo Claudio Beato, teórico especialista em segurança pública, coordenador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG que falou, especialmente, sobre a velhissima e conhecidissima necessidade de uma limpeza na polícia, especificamente, de acordo com a proposta da entrevista, na polícia do Rio de Janeiro.
O especialista fez declarações bombásticas, daquelas que, infelizmente, não fazem nenhum efeito. Dêem uma conferida:

“As milícias galgam postos na polícia, operando para que os crimes jamais sejam apurados”.

“É preciso empreender uma faxina na polícia do Estado, que figura entre as mais corruptas do país. A podridão não se limita às bases da corporação, mas está entranhada nos mais altos escalões.

A descoberta de que o mentor do assassinato de uma juíza era um tenente-coronel envolvido com grupos de extermínio ou a saída do país de um deputado sob ameaça de milícias são dois estarrecedores episódios que expõem o problema de forma inequívoca.

A limpeza na instituição deve ser implacável. Afinal, as quadrilhas formadas pelos bandidos de farda, esses que compõem as milícias, são, a meu ver, o maior mal a ser combatido na área da segurança pública — um fenômeno brasileiro que ganha contornos próprios no Rio de Janeiro.

A conivência da polícia e dos políticos ajuda a explicar essa aberração. Foram décadas até que se chegasse a tal situação. E não foram poucas as chances de interromper o processo.

Assim como em outras grandes cidades que passaram por flagelo semelhante, como Los Angeles ou Bogotá, a história teve início quando as gangues que atuavam nas favelas cariocas começaram a se organizar dentro das cadeias, na década de 80. Surgiram aí as facções criminosas ainda hoje em atividade.

O mesmo se deu em São Paulo, com o PCC, e em outras cidades do país, em menor escala. Mas só mesmo no Rio, onde a promiscuidade entre a polícia e a bandidagem se manifesta de forma mais pronunciada desde a era dos grandes bicheiros, os criminosos encontraram um ambiente tão favorável.

Isso permitiu que evoluíssem para o absurdo que é o domínio de porções da cidade pelos marginais. Quando contei a um amigo americano que me visitou recentemente sobre os avanços no Rio, ele indagou: “Deixe-me ver se entendi. Vocês tinham áreas inteiras dominadas por traficantes e nunca haviam feito nada a respeito?”. Ele está certo. O mais espantoso é que o Estado tenha demorado tanto a agir”.

Na edição desta semana, que chegou hoje às bancas, é a vez do presidente do Tribunal Superior do Trabalho,  João Orestes Dalazen, soltar um monte de bombas que, também, não farão nenhum efeito. Explodirão todas num chão já arrasado. Confira:

“A criação de sindicato é um dos negócios mais sedutores e mais rentáveis neste país”.
“Há uma grave anomalia na organização sindical brasileira, a começar por essa desenfreada e impressionante proliferação de sindicatos, que está na contramão do mundo civilizado. A redução do número de sindicatos fortalece a representatividade e dá maior poder de barganha. Não se conhece economia capitalista bem sucedida que não tenha construído um sistema de diálogo social através de sindicatos representaivos e fortes. No Brasil, infelizmente, o panorama é sombrio.
Aqui, os sindicatos, em sua maioria, são fantasmas ou pouco representativos. O Brasil vive uma contradição. A Constituição prevê o regime de sindicato único. Só deveria haver uma entidade representativa de cada categoria de cada categoria em determinada área. Na prática, há uma proliferação desenfreada de sindicatos. Isso se explica porque a criação de sindicato é um dos negócios mais sedutores e mais rentáveis que se podem cogitar neste país.

[...]

O Brasil precisa ratificar com urgência a convenção da Organização Internacional do Trabalho sobre a liberdade sindical. Nosso país está entre os poucos de economia capitalista que ainda não o fizeram. Essa convenção consagra a ampla liberdade de criação de sindicatos, de filiação, de contribuição ou não. A extinção da contribuição sindical é fundamental. Mas a reforma sindical no cenário político de hoje infelizmente é remota. Existe sólida rede de interesses arraigados há décadas”.

Por aqui, todos nós conhecemos nossas realidades. Velhas e absurdas realidades! E as recontamos e as relemos nas principais revistas do país sem que ninguém conteste, sem que nada seja feito para mudar.
Intrigante!

12 de dez. de 2011

Na Veja: "A trama dos falsários". Mais uma do PT pra coleção.

Achei pequena a matéria de capa da Veja dessa semana. Apenas 7 páginas, com fotos grandes que ocuparam espaço considerável.
É que quando se trata de denúncia de corrupção petista, a gente sempre espera muito e mais um pouco.

Claro que o tamanho do texto jornalístico não tem nenhuma relação com o valor do conteúdo.

Numa breve autoanálise me dei conta de que, por um instante, eu quis ver reunido todos os casos de corrupção cometida por petistas desde que  o Lula foi eleito com as bandeiras da moral, da ética e da transparência.

Não sei…de repente me deu vontade de colecionar alguma coisa e colecionar casos de corrupção de petistas desde 2002, pelo menos, seria um enorme desafio. Afinal, são tantos…

Álias…colecionar casos de corrupção…

É isso que fazemos há muito tempo. E não há colecionador mais (in)satisfeito do que colecionador de casos de corrupção petista, visto a enorme diversidade, criatividade e quantidade, relativamente, em tão pouco tempo.

Dessa vez, pra quem ainda não leu, o resumo é o seguinte:

“VEJA teve acesso a um conjunto de conversas gravadas pela Polícia Federal que ilustram como esse receituário de mentiras e falsificações foi usado para tentar debelar a mais aguda crise do petismo. Os diálogos foram interceptados por ordem judicial no primeiro semestre de 2006, quando as investigações da CPI dos Correios, que apurava o esquema de pagamento de propina a parlamentares montado pelo então homem forte do governo, José Dirceu, se aproximavam do fim. Esse conjunto de provas, que até agora era desconhecido, evidencia como uma ala do PT mineiro, com o incentivo e o apoio da cúpula nacional do partido, se aliou a um conhecido estelionatário para produzir e divulgar um documento falso que tinha o objetivo de confundir os parlamentares que investigavam o mensalão, macular a imagem de políticos de oposição e, numa intenção ainda mais ousada, também induzir a erro o ministro Joaquim Barbosa, relator no Supremo Tribunal Federal”.

Uma pérola para todos nós colecionadores dessa série ilimitada.

6 de dez. de 2011

Carlos Lupi também caiu. A faxineira não consegue secar a rampa.

Nunca antes na história desse país… Diria o nosso Pedro Álvares Cabral do século XXI, Lula.

O cai cai de ministros no governo VEJA…digo…no governo Dilma é mesmo um a. (antes) e um d. (depois) na História do Brasil. Por enquanto já foram sete, sendo seis por evidências de corrupção.

O curioso é que nuncanteznahistóriadestepaíz um presidente da República se deu tão bem com tanta corrupção quanto tem se dado a Dilma Rousseff.

Além de reconhecimento interno, a dondoca já foi destaque em vários veículos na imprensa internacional como quem é intolerante à – e combate a – corrupção.

Em qualquer outra circunstância, o presidente da República sempre foi responsabilizado pelas mazelas cometidas por seus ministros. Com a Dilma, não. Pelo contrário, ela é tida e havida como a responsável pela limpeza, é a faxineira da República.

Jogo político.  Pra muitos, muito mais excitante, emocionante que qualquer clássico na última rodada do Campeonato Brasileiro.

Muitos dos que dão à Dilma a oportunidade de ser reconhecida como a faxineira da República, são os que mais torcem por sua derrocada. Se Dilma faz faxina é porque tem faxina pra fazer. Se tem faxina pra fazer é porque ou ela recebeu uma “herança maldita” do Lula ou de si mesma, como ex-chefe da Casa Civil. Se não é herança, é erro nas escolhas. Se é erro nas escolhas, é incompetência. Se não é incompetência, é vítima do sistema.

Se é tudo isso, é certeza de que não tem faxineira que dê conta da tarefa. Outros dois ministros já estão escorregando. Ou Dilma dá um jeito de secar logo essa rampa ou em breve vão lhe vestir outra personagem, muito menos divertida.

Onde foi que Ricardo Teixeira e João Havelange erraram?

Imagino que aos  95 anos de idade, João Havelange já tenha feito de tudo e mais um pouco pelo poder, no poder e com o poder na mega indústria do futebol.

Foram 18 anos como presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos que, incluindo o futebol, congregava 24 modalidades esportivas) e outros 24 anos como presidente da FIFA, além dos 48 anos como integrante do COI (Cômitê Olímpico Internacional).

Tantos anos de serviços prestados ao esporte (com ou sem ironia) não impediu que, às vésperas de, provavelmente, sua última grande jogada, uma de suas tantas malfeitorias o expusesse constrangedoramente à comunidade esportiva internacional. Antes que sua biografia fosse manchada com a expulsão do COI, alegou problemas de saúde e saiu pelas portas do fundos da instituição.

Depois de tantos à frente dessas entidades e de sua considerável contribuição para a escolha do Brasil como sede das próximas Copa do Mundo e Olimpíadas, João Havelange parecia ter um ùltimo desejo: fazer de Ricardo Teixeira, o próximo presidente da FIFA.

Esse desejo ele revelou publicamente pela primeira vez (pelo menos que eu saiba) numa entrevista concedida à Folha em junho de 2008. No desaparecido 1982 Esporte Clube eu publiquei essa entrevista que, além dessa declaração chamava a atenção para outros assuntos interessantíssimos. Mas ninguém – nem a Folha – quis repercutir muito as confissões do Havelange à época.

Feito essa e outras considerações, a pergunta que me faço é: Onde foi que João Havelange e Ricardo Teixeira erraram? Porque eu quero mais é que vá pra tonga da mironga do kabuletê quem acha que denúncias tão graves com consequências tão drásticas como essas contra os dois não tenha por detrás delas interesses muito menos nobres do que simplesmente limpar, moralizar o alto comando da mega indústria esportiva.

João Havelange, principalmente, deve ter subestimado algum ex-aliado, se esquecido de fazer um agrado a algum inimigo político ou, fundamentalmente, não contava com a astúcia do atual presidente da FIFA, Joseph Blatter, que, a princípio, diz não pretender se canditar à reeleição em 2015 mas, por questão de honra ou desonra, não admite não fazer seu sucessor.

Tem muita gente poderosa envolvida nisso tudo. Pelo jeito, João Havelange e Ricardo Teixeira têm menos poderes do que imaginavam.

25 de out. de 2011

Violência e Corrupção. Sem temor a Deus, vergonha da opinião alheia e medo da Justiça.


Sem mais delongas. Não é preciso uma introdução para justificar esse post. Afinal, por quê tanta violência, por quê tanta corrupção? E soluções? Existem? Quais?

TEMOR A DEUS

Até mesmo ateus menos inseguros admitem o “lado bom” da fé no Sobrenatural. Quem crê em Deus  tende a, pelo menos, lutar contra seus instintos para cumprir os Mandamentos
 
_ Amar o próximo como a ti mesmo

_Não matar

_Não furtar

Afinal, para os que não cumprem esses Mandamentos sobrevem castigos, podendo culminar com O Castigo Eterno que é a condenação ao Inferno.

Mas por vários motivos, mesmo entre os que nunca ouviram Nietszche anunciar que “Deus está morto”, o temor aos castigos de Deus não é um sentimento identificado em nenhuma estatística de pesquisas de comportamento.

Sem esse domador de instintos, essa referência moral o que nos resta?

VERGONHA DA OPINIÃO ALHEIA

Também na nossa sociedade, mesmo entre quem nunca ouviu falar no grego aidos ou algum similar japonês, já foi mais comum pessoas pautarem suas ações baseado no julgamento de outras pessoas. Ser descoberto ladrão, corrupto, assassino, “safado”, “sem vergonha” matava gente de vergonha. O sujeito tinha vergonha não só por ele mas também pela família.

Isso,também, por vários motivos, mudou muito. Hoje o que não falta é quem sinta orgulho de ser ladrão, corrupto, assassino, “safado”,”sem vergonha”. Nem esperam serem descobertos. Fazem questão de mostrar o que são. Pra muitos é questão de status social, sinal de coragem, esperteza, de poder.

Sem esse domador de instintos, essa referência moral o que nos resta?
 
MEDO DA JUSTIÇA

 Ok! Não têm medo de Deus nem vergonha da opinião alheia. Assim, o que fazer se Homo homini lupus? Ah, o sistema, o Estado, o Direito, as leis, a Justiça.

Mas também isso não tem funcionado. Cada vez mais, ações são motivadas pela falta de receio das conseqüências previstas nos conjuntos de normas jurídicas.

Sem esse domador de instinto, essa referência para o bem estar social o que nos resta?