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21 de jan. de 2012

Na Síria, se matam. A ONU cuida das estatísticas.

Os sírios continuam se matando e rendendo desapercebidas manchetes para a apreciação da comunidade internacional. A ONU, essa extrovenga, até já inventou um relatório, lembram?, que tinha até a assinatura de um brasileiro, publicado há 2 meses. Naquela época, segundo o dito cujo, já eram mais de 4000 mortos, sendo 307 crianças. 
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De vez em quando, até aparece alguém dizendo que a ONU, essa extrovenga, está analisando uma possível intervenção militar no país. Mas, aí, logo aparece um pedaço da ONU, a Rússia, dizendo que não admite tal medida.
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Até agora, enquanto os sírios se matam e rendem manchetes desapercebidas para a comunidade internacional, o único papel que não se questiona é o da ONU, essa extrovenga: cuidar das estatísticas.

Nova onda de violência deixa ao menos 61 mortos na Síria
(21/01/2012)
da Agência EFE

Ao menos 61 pessoas morreram neste sábado após uma nova onda de violência na Síria, sendo que a maioria foi registrada na província de Idlib, denunciaram os opositores Comitês de Coordenação Local. 

Além dos 30 corpos sem identificação que foram encontrados neste sábado no hospital nacional de Idlib, 15 pessoas morreram por causa de uma explosão de um ônibus, o qual transferia presos para essa mesma província, detalhou a fonte. 

Ainda neste sábado, os opositores registraram mais três mortes na província de Homs, duas nos arredores de Damasco e uma em Dir al Zur, próxima à fronteira com o Iraque. 

Em relação ao atentado contra o ônibus de presos, a agência oficial de notícias Sana reduziu o número de mortos para 14 e detalhou que outras 26 detidos ficaram feridos, assim como seis policiais. 

As autoridades sírias responsabilizaram o ataque do ônibus a um "grupo terrorista" indeterminado, enquanto a agência oficial Sana assegurou que os responsáveis também dispararam contra as ambulâncias que foram ao local para socorrer os feridos. 

A agência Sana também informou que agentes de Seguranças enfrentaram supostos terroristas que tentavam se infiltrar no país pela fronteira com o Líbano. O fato, que foi registrado na localidade de Talkalaj, em Homs, terminou com a morte de três terroristas. 

Uma fonte do Exército Livre Sírio (ELS), por sua vez, indicou à agência Efe que um grupo de desertores matou a sete soldados sírios em Maarat Al Nuaman, uma zona de Idlib próxima à fronteira com a Turquia.
Devido às restrições impostas pelas autoridades sírias aos jornalistas, nenhuma destas informações pôde ser verificada de forma independente. 

Segundo números da ONU, mais de 5 mil pessoas já morreram na Síria pela repressão governamental desde março de 2011, quando começaram os protestos civis contra o governo de Bashar Al Assad, os quais são reprimidos a sangue e fogo.

5 de jan. de 2012

Ter um sonho todo azul... Mulheres da Somália.

Em dois meses mais de 2500 relatos de mulheres e crianças estupradas só em Mogadíscio, capital da Somália.


Essa mulher é só mais uma das milhares de vitímas de mulheres somalis abrigadas na casa de paredes azuis que sedia o instituto The Elmam Peace e o Centro de Direitos Humanos em Mogadíscio, capital da Somália.

Vítimas na Somália? Quem não é?

Pense em tudo de pior que você já ouviu, viu e e leu sobre a África. Tudo mesmo. Agora, coloque tudo isso dentro de uma única cidade. Essa cidadae é Mogadíscio. Fome, muita fome. Doenças, muitas doenças. Guerras, muitas guerras internas. Sangue, muito sangue. Miséria, muita miséria.

Num inferno desse, como que será a vida, especificamente, das mulheres?

Segundo pesquisa da Fundação Thomson Reuters, publicada em Junho de 2011, a Somália é o 5° pior país do mundo para as mulheres.


Difícil é imaginar que existe lugar pior no mundo do que um país onde 98% das meninas sofrem mutilação genital. E esse é um tipo de violência...digamos...cultural. O que eu quero dizer com isso? Que esse tipo de violência é considerada aceitável, quando, no máximo, discutível, por muitos especialistas influentes nessas mesas internacionais que "pensam" o mundo.

Como se não bastasse a "violência cultural", a maioria das mulheres somalis não são mais que escravas, utilizadas como meros objetos para vários fins por seus "donos".

Estupros nunca foram raridades. Pelo contrário. Mas como não há nada ruim que não possa ser piorado, nos últimos anos, as mulheres da Somália têm sido, como nunca, vítimas de disputas políticas e religiosas.Um grupo radical islâmico, o Al- Shabab, tem espalhado ainda mais terror entre as mulheres do país. São vários os relatos colhidos, inclusive, pela ONU, de casos de estupros e assassinatos.


Segundo a maioria das mulheres que conseguem escapar, as mulheres, de várias idades, inclusive crianças, são obrigadas ou a se casarem e/ou a manterem relações sexuais com os membros do Al-Shabab que se dizem defensores do Islã puro. As mulheres que se recusam são estupradas e muitas mortas a pedradas em frente à familia e toda comunidade.


É no meio desse inferno, que Fartun Adan, uma mãe de 3 filhos que teve o marido assassinado no páis, em 1996, luta para amenizar o sofrimento das mulheres vítimas de toda espécie de violência na Somália. Desde 2007, quando retornou do Canadá, para onde fugiu depois da morte do marido, Fartun mantém a The Elmam Peace uma fundação que recebe o apoio da ONU. E é essa a casa azul em questão: a casa sede da The Elmam Peace do Centro dos Direitos Humanos que tem página no facebook.


Na Somália até a bandeira é azul. Os sonhos, como cantou o Tim Maia, também devem ser.

Imagens: The New York Times

29 de nov. de 2011

Iranianos atacam instalações diplomáticas britânicas em Teerã. Capítulo 38 do livro de Ezequiel, sempressa.

Manifestantes atacam representações britânicas no Irã

Reuters

Manifestantes iranianos atacaram na terça-feira duas instalações diplomáticas da Grã-Bretanha em Teerã, num protesto contra novas sanções impostas por Londres ao programa nuclear da República Islâmica.

Os manifestantes quebraram vidraças, atiraram bombas caseiras e queimaram a bandeira britânica durante o protesto, que parece ser parte de uma disputa política interna no regime iraniano – o Parlamento, dominado por conservadores, vem tentando obrigar o presidente Mahmoud Ahmadinejad a expulsar o embaixador britânico.

Na semana passada, vários governos ocidentais – inclusive a Grã-Bretanha – impuseram novas sanções ao Irã por causa de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) que corrobora as suspeitas dos EUA e de seus aliados de que Teerã estaria desenvolvendo secretamente uma arma nuclear.

O Irã nega, dizendo que suas atividades estão voltadas apenas para a geração de energia com fins civis.


Centenas de pessoas se reuniram diante da embaixada britânica, no centro de Teerã, para protestar contra as sanções. Algumas dezenas de manifestantes pularam a cerca, quebraram o cadeado e entraram no edifício.

Eles arrancaram a bandeira britânica e a queimaram, colocando a bandeira iraniana no lugar, conforme fotos e relatos na imprensa local. Dentro da embaixada, eles quebraram janelas da ala funcional e da ala residencial, e incendiaram um carro.

A TV estatal mostrou um manifestante arrancando um retrato emoldurado da rainha Elizabeth. Outros apareceram em fotos da agência Fars saindo pelo portão com adornos do brasão real.


“Responsabilizamos o governo iraniano por seu fracasso em tomar as medidas adequadas para proteger nossa embaixada, conforme se exige”, disse Hague em nota. “Claramente haverá outras sérias consequências.”

Os Estados Unidos condenaram “nos mais duros termos” a invasão da embaixada e aconselharam o Irã a processar os responsáveis. A União Europeia e vários dos seus países membros também condenaram o ataque.

Uma fonte oficial negou que o governo iraniano tenha organizado o incidente.

Intrigante como os fatos se sucedem como peças que  vão se encaixando num grande quebra-cabeça. O Irã está cada vez mais seguro do poderio bélico da Rússia e assim, cada vez menos discreto, vai cumprindo seu papel nessa brincadeira dos “anjos da guerra”.

A pergunta que ninguém responde é “quando?” e, provavelmente, vai demorar  mais do que muitos protagonistas desejam. Afinal, em 2018 teremos Copa do Mundo na Rússia. Mas o desenho está pronto e até nítido. Quem não entendeu, dê uma lida no capítulo 38 do livro de Ezequiel.

ONU inventa relatório sobre a Síria e "abre os olhos" do mundo.

Imagine você na sexta, sétima série do Ensino Fundamental…aprendendo sobre a ONU, essa coisa que os  encenadores da II Guerra Mundial criaram para resolver os problemas da humanidade. 

Com que senso de respeitabilidade você ouviria falar sobre um Relatório feito pela – olha como o nome é potente -  Organização das Nações Unidas! (Fala verdade, quando você ouviu esse nome pela primeira vez, você acreditou que o mundo dos grandes políticos, grandes estadistas, grandes diplomatas era coisa séria, não é?)

Então…ontem a ONU – essa coisa estranha – divulgou por aí um desses relatórios. Você já imaginou se a sua professora do Ensino Fundamental te desse um trabalho parecido com esse: fazer um relatório sobre…é…sobre quantas crianças, do seu bairro, entre 8 e 10 anos não têm bicicleta. Pronto! Com que responsabilidade você encararia essa tarefa? Lembre-se que um trabalho desse, se bem feito, pode lhe render um emprego na ONU futuramente; seu sonho. Você levaria o negócio a sério, tenho certeza.

Mas o pessoal da ONU, não. Faz um relatório sobre uma guerra  – civil na Síria – assim…de qualquer jeito; e anunciam a coisa como se um grupo de cientistas revelasse o resultado de um trabalho de décadas.

Não, nenhum dos relatores da Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU esteve na Síria nos últimos 10 meses mas o tal Relatório Independente está pronto e com números “precisos”. Diz, por exemplo, que desde o início do Relatório, em Março, até a conclusão, em 9 de Novembro, 256 crianças foram mortas por responsabilidade do governo de Bashar Assad, o ditador que parte da população quer ver seguindo o mesmo rumo de Ben Ali (Tunísia), Hosni Mubarak (Egito) ou pior, Muammar Kadafi (Líbia).

Todo o conteúdo do pomposo Relatório Independente teve como fonte entrevista com 223 pessoas. Que pessoas são essas? Paulo Sérgio Pinheiro disse que não pode revelar “por questão de segurança”, citou Skype, twitter e telefone como meios de obter informação e justificou bem: ” Não tivemos acesso à Síria; tivemos acesso à informação”. Bonito mas de paupérrimo para um Relatório de uma Comissão da Organizações das Nações Unidas, você não acha?

Mas Paulo César Pinheiro foi honesto, pelo menos, numa dessas muitas entrevistas que deu ontem à imprensa brasileira: “O objetivo do Relatório é dar visibilidade ao que está acontecendo na Síria”.

Ah, bom! Então, se é por uma causa nobre, vale a pena inventar um Relatório. Concordo. Só não sei porquê – mas desconfio muito – o mundo precisa de um Relatório da ONU pra dar mais atenção a um país onde as pessoas estão se matando.

Mas eu entendi. Agora, o mundo todo está sabendo que na Síria pratricam crimes contra a humanidade (só porque a ONU avisou) e agora aquela turma nobre que cuida dos Direituzumanus já pode fazer alguma coisa pelos  cadáveres sírios.

Ah, e aquela turma não menos nobre do Conselho de Segurança, também, já pode decidir: deixam os sírios se matando enquanto alguns se divertem e outros ignoram ou chegou a hora de apimentar ainda mais aquela apaixonante relação Estados Unidos x Rússia…?

Eu estou apostando. Um lado vai começar a dizer que é hora de uma intervenção na Síria. O outro vai fingir discordar e aí…quem viver verá.

Será que dessa vez, finalmente, vamos conseguir esclarer o capítulo 17 do livro de Isaías?

21 de out. de 2011

A morte de Muammar Khadafi é mais um estupro da criança Política.

Não estou nenhum pouco interessado nos conceitos que os pensadores que  se ocuparam de conceituar a Política lhe deram. Não tirarei nenhum Platão nenhum Russel nenhum Hobbes nenhum Maquiavel da estante. Tão pouco me interessa a tradução etmológica da palavra.

O que eu gostaria, mesmo, de saber é quem são a mãe e o pai dessa criança chamada Política. Porque desde que foi parida, ela tem sido estuprada. São séculos e séculos de agonia, de sofrimento de TERROR. Todo santo ou malígno dia, reis, princípes, presidentes, primeiro-ministros, governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores, ditadores, mandatários de qualquer denominação a amolestam, a abusam, a rasgam, a sangram. E não há ninguém, ABSOLUTAMENTE NINGUÉM, que lhe socorra.

Tão ou mais sujos, mais perversos, mais desgraçados que seus estupradores, são filósofos, cientistas políticos e jornalistas. São frios, equilibrados, profissionais.

Enquanto a criança Política berra e sangra sua dor, filósofos apenas a observam e se masturbam enquanto o cérebro articula uma nova teoria.

Cientistas políticos se deliciam só pra terem o prazer de sairem por aí dizendo que entenderam tudo que têm uma explicação.

Jornalistas, ah, os jornalistas, cumprem seus papéis com a maior desfaçatez (falta de vergonha, impudência, descaramento) mostram tudo. Em TVs,  jornais, revistas, sites, blogs e redes sociais saem  anunciando: “VEJAM! A CRIANÇA FOI ESTUPRADA DE NOVO! OLHEM AQUI O SANGUE, AS MARCAS, OS RASGOS…” E lamentam: “É uma pena que ainda não possamos transmitir para você leitor, telespectador, navegante, seguidor, curtidor a sensação da dor, do terror, do estupro.

Ah, criança Política! Quem foi a puta que te pariu? Quem lhe deu às trevas? Quem foram esses infelizes que não te cuidaram, que te abandoram ao azar de ser tutelada por esses homens e mulheres de Estado de estado tão perverso?

Será você filha da Enganação, aquela que promete soluções para todos os problemas do mundo e só provoca mais confusão?

Ah, criança Política! Os homens e mulheres de Estado te condenaram à tribulação eterna. Vão te violentar todos os dias. Você nunca vai desenvolver, nunca vai crescer, vai ser eternamente criança abusada e continuará sendo, todos os dias, anunciada por todos esses homens e mulheres de Estado como meio de solução. Mas você criança Política é apenas um mero objeto.

Ontem Muammar Khadafi foi assassinado na Líbia. Homens e mulheres de Estado comemoraram, comentaram o feito em tom de esperança. Filósofos filosofaram. Cientistas políticos explicaram. Jornalistas mostraram.

Mais uma vez a criança Política foi estuprada. Imagens e discursos aterrorizantes  fizeram o espírito do inferno habitar a Terra

Mais uma vez, você criança Política  não serviu para resolver, para evitar, para esclarecer, para amenizar. 

Talvez você não saiba mas homens e mulheres de Estado, filósofos, cientistas políticos e jornalistas te anunciam para estes fins nobres. Mas eu sei que nesse estado que te mantém, você não pode fazer nada.
Ah, criança política! Eu também não posso fazer nada por você.