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6 de dez. de 2011

Onde foi que Ricardo Teixeira e João Havelange erraram?

Imagino que aos  95 anos de idade, João Havelange já tenha feito de tudo e mais um pouco pelo poder, no poder e com o poder na mega indústria do futebol.

Foram 18 anos como presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos que, incluindo o futebol, congregava 24 modalidades esportivas) e outros 24 anos como presidente da FIFA, além dos 48 anos como integrante do COI (Cômitê Olímpico Internacional).

Tantos anos de serviços prestados ao esporte (com ou sem ironia) não impediu que, às vésperas de, provavelmente, sua última grande jogada, uma de suas tantas malfeitorias o expusesse constrangedoramente à comunidade esportiva internacional. Antes que sua biografia fosse manchada com a expulsão do COI, alegou problemas de saúde e saiu pelas portas do fundos da instituição.

Depois de tantos à frente dessas entidades e de sua considerável contribuição para a escolha do Brasil como sede das próximas Copa do Mundo e Olimpíadas, João Havelange parecia ter um ùltimo desejo: fazer de Ricardo Teixeira, o próximo presidente da FIFA.

Esse desejo ele revelou publicamente pela primeira vez (pelo menos que eu saiba) numa entrevista concedida à Folha em junho de 2008. No desaparecido 1982 Esporte Clube eu publiquei essa entrevista que, além dessa declaração chamava a atenção para outros assuntos interessantíssimos. Mas ninguém – nem a Folha – quis repercutir muito as confissões do Havelange à época.

Feito essa e outras considerações, a pergunta que me faço é: Onde foi que João Havelange e Ricardo Teixeira erraram? Porque eu quero mais é que vá pra tonga da mironga do kabuletê quem acha que denúncias tão graves com consequências tão drásticas como essas contra os dois não tenha por detrás delas interesses muito menos nobres do que simplesmente limpar, moralizar o alto comando da mega indústria esportiva.

João Havelange, principalmente, deve ter subestimado algum ex-aliado, se esquecido de fazer um agrado a algum inimigo político ou, fundamentalmente, não contava com a astúcia do atual presidente da FIFA, Joseph Blatter, que, a princípio, diz não pretender se canditar à reeleição em 2015 mas, por questão de honra ou desonra, não admite não fazer seu sucessor.

Tem muita gente poderosa envolvida nisso tudo. Pelo jeito, João Havelange e Ricardo Teixeira têm menos poderes do que imaginavam.

1 de dez. de 2011

Ronaldo blinda Ricardo Teixeira por amor ao povo. Que nojo!

Eu sei que faz parte do jogo mas não precisava ser tão hipócrita, tão mesquinho, tão nojento.

Que o Ronaldo abrace o Ricardo Teixeira, o Fernandinho Beira-Mar, o Nem, o José Dirceu ou um monte de travestis em nome de qualquer interesse, pouco me atinge. Fundamentalmente porque eu não sou um desses carentes que se apegam à imagem de “ídolos” como referência da minha personalidade.  Muito menos à imagem do Ronaldo que, além do que fez em campo, nunca disse ou fez alguma coisa que me servisse como inspiração, exemplo, espelho.

Portanto, que faça o que quiser com quem quiser e que influencie quem careça de sua influência.

Que a FIFA, os governos federal, estaduais e municipais, as empreiteiras e grande parte da imprensa fiquem excitados com a presença do Ronaldo no COL – Cômite Organizador Local da Copa de 2014 – e tire bastante dos “holofotes negativos” do Ricardo Teixeira, deveria ser problema só deles.

Mas o que a gente faz quando tem crise de nojo ouvindo um “ídolo do povo”, abusando da inteligência e do senso crítico do…povo? Enfia o dedo na garganta ou toma água com limão?

“Não tenho nada a ganhar – podia jogar tudo que conquistei pela janela. Não tenho nada a ganhar mas resolvi pensar no povo”.

“Eu quero fazer isso pelo povo”.

“Minha idéia é de aproximar, fazer com que o povo brasileiro tenha orgulho”.
“O povo tem que sentir orgulho dessa Copa”.

“Essa Copa no Brasil é um grande orgulho para a gente. Essa Copa não é da Fifa, do Comitê Organizador, da CBF ou do governo. A Copa é do povo.”

Ok! Eu compreendo que a Copa do Mundo de 2014 está carente de bons vendedores, boa propaganda, boas imagens… e não adianta entrar no côro dos “do contra” e só dar enfâse ao “lado” negativo porque isso só tornará tudo ainda pior do que está.

Não adianta mais lamentar; a Copa do Mundo vai acontecer e é melhor explorar, estimular, enfatizar os fatores positivos a fim de que a maioria das pessoas estampem um sorriso no rosto e consumam o produto. Isso fará bem ou, pelo menos, menos mal,  psicologicamente e financeiramente ao país. E eu sei que no Brasil ainda não inventaram método mais eficiente de criar um bom clima do que usar um “ídolo do povo” para dizer que “a Copa é do povo e para o povo”.

Se eu sinto nojo deve ser por algum problema psíquico ou estomacal ou gastrointestinal. Devo procurar ajuda?