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17 de jan. de 2012

Real Madri 1 x 2 Barcelona. Deve ser falta de coragem.

"Real Madri x Barcelona de hoje não será transmitido pela ESPN, muito menos pela Globo ou pela Band ou pela Record ou pela RedeTV. Uma pena para o torcedor brasileiro que gosta de Futebol e gosta de ficar antenado com o que acontece mundo afora. Não assistem aos jogos do Barcelona e depois são obrigados a conviver com uma grande parcela da nossa imprensa esportiva, mal informada e/ou mau intencionada, cobrando postura mais corajosa de um pobre Santos, ou de outro pobre time qualquer, num confronto direto com o melhor time de todos os tempos".

Essa é uma provocaçãozinha que eu postei no facebook à tarde. Confesso que ainda convivo com a lembrança da repercussão do jogo entre Barcelona e Santos, quando vários especialistas cobraram uma postura mais corajosa do pobre Santos, como se nunca tivessem assistido jogos do time catalão. Muitos
 se mostraram ou se fingiram surpresos com a superioridade do time espanhol e passaram alguns dias com o futebol brasileiro no divã.

Mas... nada que mereça maior atenção. Já comemoramos o Natal, já saudamos o ano do fim do mundo, já lamentamos as tragédias causadas pelas chuvas e pelo descaso do Estado e já comentamos o BBB. Ou seja, o que aconteceu naquela final interessa muito pouco.

Hoje o Barcelona voltou a jogar um jogo que compensasse maior atenção. Afinal, contra o seu gigante rival, castigado, com orgulho ferido, Real Madri.

Sobre o jogo não há muito de novidade pra dizer. O melhor time de todos os tempos, foi, de novo, muito melhor que um pobre adversário seu. E nem precisa dar destaque ao fato de que o jogo foi no Santiago Bernabeu, como se estádio ganhasse jogo.

Mais uma vez o pobre Real Madri jogou como se fosse o jogo mais importante da história gloriosissima do clube. Todos os jogadores deram o seu melhor e o pior de si mesmos, principalmente o Pepe que, mais uma vez, fez de tudo pra ser mandado pra um Tribunal onde ele deveria ser condenado à prisão perpétua, desde que a lei não permitisse pena de morte.

Jose Mourinho, pobre!, tentou, fez alguma coisa diferente...Altintop na lateral direita, Coentrão na esquerda, L.Diarra, Pepe e Xabi Alonso à frente da linha da defsa...Mas não tem esquema tático, não tem jogadores capazes de parar o Barcelona. A menos que aconteça o que aconteceu, por exemplo, quando a Inter de Milão do Mourinho eliminou o Barcelona na Champions League 2009/2010; o adversário faz um gol e passa o resto do jogo tentando marcar e torcendo para Messi, Iniesta, Xavi e companhia perderam todas as, pelo menos 154, chances de gol que tiverem.

Hoje o Barcelona, apesar de muito melhor que o pobre Real Madri, não foi tão brilhante como das outras vezes. Mesmo assim, teve chance de fazer 4 ou 5 gols. 

Mas de diferente, mesmo, foi o gol de empate. O Barcelona não é o time que ignora a "bola parada", que recomeça o jogo numa cobrança de escanteio? Pois, ontem, enganou o mundo todo, aos 4 do segundo tempo, quando Puyol marcou de cabeça.

Pobre, Real Madri! Se vencendo por 1 x 0 já estava difícil de disfarçar o nervosismo, com o jogo empatado só restava torcer pra que um terremoto, um ataque terrorista ou coisa parecida acontecesse e justificasse o fim do jogo antes da virada.

Virada inevitável! Passe sensacional de Messi para gol de Abidal que, estimulado pelo brasuca Daniel Alves, comemorou dançando a coreografia da música do brasileiro mais influente do mundo - o "Ai, se te eu pego" do Michel Teló.

Agora já são 7 jogos sem vitória do Real Madri só no Santiago Bernabéu; 5 vitórias do Bracelona e 2 empates.
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Alguns corajosos não terão vergonha de dizer que tem faltado coragem ao Real Madri.

11 de jan. de 2012

Dinheiro não tem preconceito.

O honesto e o desonesto, 
o preto e o branco, 
o rico e até o pobre,
a criança e a velha.

 A puta e a freira, 
o dízimo e o imposto,
o agiota e o doador,
o Mensaleiro e a diarista.

O Eike Batista e o bombeiro,
 o gari e o Boris Casoy, 
o aposentado e o FHC, 
o Lula e o paciente do SUS.

O craque e o crack,
na zona franca de Manaus,
nas zonas da Guacurus e da Augusta,
e até na zona do euro.

Até comunistas quando existiam.

Dinheiro não tem preconceito.
Passa pelas mãos de qualquer um, pelos bolsos de qualquer um,
pelas meias de qualquer um, pelas cuecas de qualquer um.

Importante é lavar as mãos depois.

8 de jan. de 2012

Chuvas e Tragédias. Fins de mundos.

Todo ano todo mundo diz que todo ano é a mesma coisa.


No ano que vem pode ser diferente: não ter chuvas nem tragédias nem ano que vem. Nem mundo.

3 de jan. de 2012

Provocações com Carlos Drummond de Andrade.

Cronista, Contista ou Poeta: qual o melhor Carlos Drummond de Andrade? Pergunta desnecessária, resposta pra crítico especializado em desnecessidades. Aqui o que importa é o que, pra mim, é a maior marca do itabirano: provocador.

Hoje ele aparece por aqui com seu senso crítico aguçado na crônica J.C. Eu Estou Aqui, escrita entre 1970 e 1971, quando a música "Jesus Cristo", do Roberto Carlos, gravada no disco de 1970, fazia sucesso.

Sob o viés da religiosidade, Drummond não perdoa o futuro Rei, alfineta os especialistas críticos de suas obras,passeando pelo eterno dilema entre o dar mais importância ao que os outros pensam sobre você ou com a consciência de si mesmo, fala - há 40 anos, como se fosse hoje - que a sofisticação dos meios de comunicação não melhorou a relação entre as pessoas, cutuca com a devida sutileza a Ditadura.

Drummond daria vários shows stand-up, sem perder o refinamento, a sutileza e o respeito pela inteligência alheia. Confere aí: 

J.C. Eu Estou Aqui

Jesus Cristo, eu estou aqui. Pode parecer uma petulância de minha parte chamar Sua atenção para este fato aparentemente insignificante: o estar eu aqui neste escritório, e não no Bar-Restaurante Tabu da Barra ou em qualquer outro ponto do território nacional, do qual não me afasto por princípio. Hesitei longamente antes de Lhe fazer esta comunicação. Dizia a mim mesmo: Tem propósito informar Jesus Cristo que eu estou aqui?

Ele já sabe (refletia) e não deve andar preocupado com a minha localização na Guanabara. Procuram-nO antes os albergues-do-vento que costumam hospedar minh'alma, e estes às vezes são tão obscuros que, sinceramente, eu não saberia indicar nem a latitude e longitude, nem o aspecto geral do sítio onde a alma costuma pousar, não raro para esconder-se de si mesma. Claro que, fisicamente, em algum local determinável devo estar, e Jesus Cristo tem mais que fazer do que inteirar-se desse local, como se fora eu um subversivo e ele um órgão supremo de segurança.

Depois (continuei matutando), se todos os cristãos erguerem os braços e olhos para o céu, como eu agora estou erguendo, para anunciarem o recanto do globo onde se encontram no momento, que pensará Jesus Cristo? Que poderá pensar, senão que estamos todos doidos ou, no mínimo, possuídos de lamentável comichão exibicionista? Por muito bem intencionado que esteja Ele com relação a nossas ilustres pessoinhas, a natureza e a repetição coral, mundial da notícia, hão de molestá-lO, pois ninguém, nem mesmo Deus, suportaria a vociferação bilionar de eu estou aqui, eu estou aqui, eu estou aqui. Estou aí, e daí? É o caso de o Senhor nos responder. O Senhor decerto nos perdoará, mas conservando de nós uma triste impressão.

Contudo, Jesus Cristo, permita-me dizer-Lhe que eu estou aqui. Cheguei à conclusão de que devia mandar-Lhe este aviso, para alertá-lO sobre a situação de um ente comum nas atuais condições de vida no planeta a que o Senhor baixou um dia para redimir-nos. Estou aqui, mas é como se não estivesse em parte alguma, de tal modo fui despersonalizado por uma série de fenômenos que tornaram irrelevante, já não digo o estar em alguma parte, mas o ser alguém um ente definido e não outro qualquer, desde sarcomastigóforo, que o livro garante ser espécie mínima do protozoário, até o proboscídeo, hoje representado pelo simpático elefante. Ou mesmo objeto. Sou pessoa ou tamborete, gente ou panela de apito, sou folha de papel, relógio, cadarço, roda de carro, que é que sou afinal? Inda se fosse só isto ou aquilo. Mas sucessivamente me transformam em outra coisa ou coisa nenhuma. Pintam-me de vermelho ou azul, dissolvem-me, condensam-me, baralham-me, anulam-me. Por toda parte ouço ordens, advertências, conselhos, intimações, proibições. Faço o que não quero, se faço; em geral, não me deixam fazer nada, a não ser coçar o nariz. Dizem que sou massa. Mas existe massa, Jesus Cristo, ou criatura diferentes umas das outras? Dizem que a comunicação é chave da vida, mas por que cada dia nos comunicamos mais dificilmente uns com os outros, e conosco mesmo, à medida que os meios de comunicação se tornam mais refinados e poderosos?

Olhe, Jesus Cristo, não reclamo honras especiais, comidas especiais, tapetes especiais, nem estou nesta jogada para atrair sobre mim os holofotes da publicidade. Pelo contrário. Até corro o grande risco de perder o anonimato de átomo, e despertar a atenção preferencial dos poderes que regem o meu destino de átomo, com as consequências que é fácil prever (quando se fala em consequências, já se sabe que são funestas). 

Queria só uma coisa. Que o Senhor (ia dizer Você, mas ainda não estou de todo habituado ao novo estilo) faça alguma coisa para salvar outra vez o Homem, tomando conhecimento de que ele, eu, nós todos, estamos aqui muito sem jeito, sem rumo e sem sentido. Quando é que o Senhor volta, Jesus Cristo? Lembre-se de que eu estou aqui aqui aqui. (E o meu caro Gilberto Mendonça Teles, estudioso da estilísticas da repetição, que me perdoe mais esta).  

(Publicado no livro "O poder ultrajovem" de 1972)