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18 de dez. de 2011

Barcelona 4 x 0 Santos. Lição, principalmente, para os mau e bem intencionados da imprensa esportiva.


A idiotice começou há algum tempo. Se acentuou depois que  o Pelé, na maior cara de pau, disse que o Neymar é melhor que o Messi. A partir dali grande parte da imprensa esportiva combinou que manteria essa discussão em evidência. “Quem é melhor, Neymar ou Messi”. Uma dessas canalhices muito bem intencionadas.

Manter essa enquetezinha em evidência, mesmo admitindo que o argentino é melhor, como eu vi, ouvi e li vários jornalistas admitindo (o óbvio e ululante) faz parte daquele processo de industrialização de um ídolo. Perdoável até, desde que não fosse tão exagerado, desde que não apostassem tanto na falta de senso crítico de seus ouvintes, leitores e telespectadores.

Ontem, poucas horas antes do jogo, a materiazinha no Jornal Nacional falava de como e quanto o treinador do Barcelona estava pensando em marcar o Neymar  e não quanto o Muricy estava preocupado em parar o Messi.

Tudo bem! Que brinquem de comparar Neymar e Messi mas acreditar que o Santos tinha alguma chance de encarar o Barcelona…é coisa de fanfarrão. Não me refiro aos que acreditavam que o Santos desse a sorte de vencer mesmo com o Barcelona jogando muito melhor, tendo muito mais posse de bola e criando mais chances de gol. Me refiro àqueles que gritaram nas rádios e nas TVs durante o jogo que o Santos tinha obrigação de ser melhor do que foi, que tinha obrigação de ser mais corajoso, que tinha condições de jogar mais, que creditam muito da derrota ao Muricy Ramalho por ter escalado 3 zagueiros ou por ter escolhido o Elano pra substituir o Danilo.

Durante o jogo, passei pelos dois canais de TV que transmitiram o jogo, Globo e Sportv, e pelas rádios CBN, Globo, Record, Bandeirantes e Jovem Pan. Em todos, tinha lunáticos dizendo que o Santos tinha que ter sido melhor, que era absurda a postura do time, que deviam encarar, que deviam respeitar menos, etc, etc.Na Jovem Pan, deram o azar de entrevistar o Rubens Minelli que em poucos minutos deu uma aula de bom senso aos corneteiros explicando porque não era o Santos o time a ser analisado e, sim, o Barcelona.

De volta para o segundo tempo…e não é que o Santos assanhou alguns poucos bons ataques, criou suas  duas chances de gol!? E o que disseram os caras de pau? Até que se o Santos tivesse jogado daquele jeito desde o início, o jogo e o resultado seria outro. Que o Barcelona, vencendo por 3 x 0, tendo toda uma temporada pela frente, pudesse ter relaxado ou até deixado o Santos brincar um pouquinho, ninguém aceitou levar em consideração.

Ao final do jogo, não tiveram outra opção a não ser reconhecer o  óbvio: que o melhor  time do mundo é espanhol e que o melhor jogador de futebol do mundo é argentino. E não é que nas rádios CBN, Globo, Record, Bandeirantes e Jovem Pan alguns lunáticos insistiram em descarregar asneiras nas orelhas de seus ouvintes, apontando causas e culpados, não pela vitória do Barcelona, pela derrota do Santos!

Não é difícil compreender essa postura da cada vez mais emburrecida imprensa esportiva brasileira. Ao longo dos anos tiveram dificuldade de lidar com o fato do futebol brasileiro ser o melhor do mundo. Nunca encontraram o tom correto da crítica. Álias, sempre politizaram a crítica. De um lado os esquerdistas, fumantes de Marx e bêbados de Gramsci, de outro os de direita, educadores de sentimentos como patriotismo e nacionalismo. E no meio, os puros de coração.

Imaginem, a dificuldade que é lidar com o fato de não termos mais uma Seleção decente, de não termos craques nos principais clubes europeus, de não sermos mais o melhor futebol do mundo, de estarmos muito atrás do futebol jogado pelos espanhóis, pelos alemães e pelos holandeses. Da nossa Seleção hoje não se pode dizer que ela é melhor que pelo menos outras 10 Seleções, alem das 3 citadas.

Tudo isso ás vésperas de uma Copa do Mundo no país. Como vão vender esse produto? Como vão dizer ao mundo que essa é a nossa identidade? Como vão aliar as imagens dos jogos da nossa Seleção ao samba e às mulatas? Se nosso futebol passa por um momento tão ruim, quem somos, o que sabemos fazer de melhor? Não era jogar futebol? E agora?

Essas e outras interrogações explicam muito dos exageros cometidos por parte da imprensa, também, hoje. Explica muito dessa ansiedade, dessa falta do que dizer, dessa preguiça de analisar o futebol com mais inteligência, dessa cara de pau em apostar na falta de senso crítico do torcedor, dessa falta de senso de ridículo.

Do jogo de hoje, tem muita gente, inclusive o Neymar (o menos culpado nisso tudo), dizendo que serviu de lição. Só se for lição para os desatentos, para os que não assistem aos jogos do Barcelona, para quem sofre de uma demência e tiveram dificuldade de compreender a estratosférica diferença entre Barcelona e Santos, para os lunáticos, para os mau intencionados e para os bem intencionados, também.

Mas, claro, sem rancor, sem stress,  sem traumas…Afinal, o circo tem que continuar. Estamos todos debaixo da lona, por vontade própria e com muito prazer.

14 de dez. de 2011

Santos 3 x 1 Kashiwa Reysol. Estréia e Despedida.

Foi uma boa experiência. Estrear e vencer num Mundial Interclubes é oportunidade rara na carreira de qualquer jogador e mesmo na história dos clubes. O quase centenário Santos, por exemplo, participa de um Mundial pela terceira vez, mesmo número de participações do São Paulo, únicos brasileiros tricampeões da dificílima e cobiçadíssima Libertadores.

O fraco Kashiwa Reysol terá seu lugar merecido na história do Santos. Ocupará um espaço infinitamente menor do que o Mazembe na história do Internacional e era isso, mesmo, que importava no jogo de hoje. Mas que fique bem claro que não foi por falta de oportunidades de gol, criadas  com certa facilidade na mamata zaga santista, que o time japonês deixou de escrever um capítulo de horrores na história santista.

Espero que o time e a torcida do Santos tenham se divertido. Porque domingo, mais uma vez, o playground é todo do Barcelona que não fará menos de 5 gols. Hoje foi a estréia e a despedida (quanto a disputa do título)  do Santos da competição.

10 de nov. de 2011

Neymar, a jóia do banco Brasil.

Para o país que sedia, Copa do Mundo é coisa muito séria. Seríssima. São muuuuitos interesses, muuuuuitos interessados envolvidos.

Não dá pra não ser sucesso. Tem que dar certo.

E o que fazer para evitar o fracasso?

Tudo que for possível. De acordo com as peculiaridades de cada país.

Mesmo que várias teorias, verdades, valores e mitos arquitetados na primeira década do século XX já tenham sido jogados na vala da História, alguns ainda zumbizeiam por aí.

Por exemplo? “O Brasil é o país do futebol”.

Quando éramos, ainda, um país sem  identidade, até que foi interessante. Eu diria, até, brilhante. Honras à memória dos socio-antropólogos que fizeram do Brasil o país do futebol e do samba. Mas voltemos a 2011…

O que há de Copa do Mundo no espírito, na alma e no coração do povo do país do futebol?

Não tenho certeza. Mas, sem generalizações, eu desconfio que, pelo menos da maioria, não é nada que contribua para o sucesso da importantíssima, coisa séria, Copa do Mundo.

OK! Eu até concordo que obras super faturadas, que estádios que não serão utilizados depois de 2014, que exigências “absurdas” da FIFA… tudo isso vai ser deixado de lado com a aproximação do evento.

Mas e até lá? O que vão fazer para garantir o sucesso da importantíssima, seríssima Copa do Mundo?

Uma Copa do Mundo não acontece só durante os 30 dias entre os jogos. Seu sucesso depende de diversos fatores desde o dia do anúncio da sede.

E o que existe hoje, no final de 2011, além das certezas de superfaturamento, de futuros “elefantes brancos”, de twitaços anti-Ricardo Teixeira, de gritinhos pela “soberania nacional contra as exigências da FIFA?

Fácil. Existe um “país do futebol” com um futebol pobre. Com uma Seleção digna de “país do UFC”. Pobre, fundamentalmente, de ícones, de garotos-propaganda, de ídolos.

E quem é o Messias?

Ora! Neymar, claro.

Não é só o Santos e os santistas que querem que o rapaz permaneça no clube. São, principalmente, todos os interesses no sucesso da importantíssima, seríssima Copa do Mundo.

Vale muito. Vale tudo. A permanência do Neymar até 2014 no Brasil é questão de Segurança Nacional e Interesse Internacional.

Luiz Álvaro e seus sócios podem ser competentíssimos. A crise econômica na Europa pode ter seu peso. Mas Neymar só vai ficar no Brasil até 2014 porque, hoje, ele é a única imagem capaz de abrir um clarão nessa sombra escura que cobre tudo que diz respeito à importantíssima, seríssima Copa do Mundo de 2014.
Ou eu escrevi muito e não expliquei nada?