Mostrando postagens com marcador Violência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Violência. Mostrar todas as postagens

15 de jan. de 2012

Lugar de criança é no UFC.

Quem não tinha nada melhor pra fazer e se ocupou da transmissão do UFC nessa madrugada, diz que a Globo apelou para imagens de crianças nesse bem sucedido processo de popularização do UFC no Brasil (Ou o correto é dizer MMA? O que é uma coisa e o que é outra? Não tive tempo de pesquisar no google).

Crianças que, segundo esses telespectadores, foram levadas pelos pais para o ginásio onde, num octogono, homens trabalhadores lutavam pelo pão de cada dia.

E, ainda, segundo esses atentos telespectadores, essas crianças foram definidas pelo eufórico Galvão Bueno (outro que como narrador, também, apenas luta pelo pão de cada dia) como "gladiadores do novo milênio".

Eu também acho o Galvão Bueno pouco criativo, superestimado, de chavões medianos. É que a concorrência é muito ruim, então "sai que é sua Frangarel", "AyRRton, AyRRton Senna do Brasil", "Rrrrrronaldo", "Éééééééé...é do Brasiiiil" e outra coisinhas que ele arrisca, acaba dando certo. Afinal, são tantas vezes repetidas...e repetidas na TV Globo, não é?

Mas a discussão é outra. Acreeeeditem: nesse Brasil tem muita gente preocupada com o futuro da humanidade e, portanto, com a educação das crianças. Parece mas não é mentira.

Então...desde a madrugada tem gente que não dormiu. Nem depois das porradas. Mas não foi trauma por causa das pancadas na cabeça, dos estrangulamentos, não. De violência todo mundo está cheio, mais que acostumados. Ou alguém acha que uma frescura, uma coisa light como esse UFC (ou é MMA?) vai assustar brasileiro?

Tem gente preocupada é com as crianças. Com as que foram no ginásio e com as que viram pela TV as porradas do UFC (ou é MMA?).

Claro, e ninguém ouse dizer o contrário, que as críticas ao UFC (ou é MMA?) não tem nada a ver com o fato de estar sendo transmitido pela Globo. Quer dizer, tem pelo fato de ser a emissora de maior audiência no país mas, não por aquelas picuinhas - vagabundagens, mesmo - ideológicas. As pessoas só estão preocupadas com a educação das crianças, dos adolescentes, dos jovens, dos adultos, dos velhos, dos cadáveres (vai que um fã de UFC mija num cadáver...já viu, né?!).
---
Há quem não peça opinião: "UFC (ou é MMA?) não é coisa criança". Outros que fazem enquete: "Afinal, UFC (ou é MMA) é coisa pra criança?" mas não aceitam um "sim" ou um "talvez" como resposta.

Eu que depois de ler, ontem, a coluna do Dom Odilo Scherer no Estadão prometi não "ceder à tentação do relativismo absoluto" - e que já havia me posicionado, vejam só, contra a considerada obrigação de chamar a Dilma de presidenta - não vou ficar em cima do muro: lugar de criança é no UFC (e até no MMA se não for a mesma coisa).

Se você nunca foi criança ou não tem boa memória ou não nunca fez regressão ou nunca leu sobre psicologia infantil ou nunca foi bom/boa observador/a, eu sugiro que você deixe duas crianças juntas e... Quer dizer, não faz isso, não; é muito arriscado. 

Mas...toda criança, antes de sofrer todo esse processo de civilização, é muito mais violenta que qualquer lutador de UFC (ou é MMA?). Levar uma criança para um ginásio pra ver esses caras lutando pelo pão de cada dia, na verdade, pode ser uma eficientissima aula de todas as matérias nobres e úteis que você imaginar.

Podem começar aprendendo, por exemplo, porquê alguns adultos vivem repetindo que "a vida é dura", o quanto pode ser difícil ganhar o pão de cada dia e que, apesar de toda violência, as lutas têm regras, o lutador não pode fazer tudo que quer, bater onde quiser... Já imaginou as lições que uma criança pode assimilar com essas observações? E com mais tempo e interesse a gente pode listar várias outras boas influências que um evento de UFC (ou é MMA) pode ter sobre uma criança.

Você levaria seu filho, seu sobrinho, seu neto...? Eu não.

5 de jan. de 2012

Ter um sonho todo azul... Mulheres da Somália.

Em dois meses mais de 2500 relatos de mulheres e crianças estupradas só em Mogadíscio, capital da Somália.


Essa mulher é só mais uma das milhares de vitímas de mulheres somalis abrigadas na casa de paredes azuis que sedia o instituto The Elmam Peace e o Centro de Direitos Humanos em Mogadíscio, capital da Somália.

Vítimas na Somália? Quem não é?

Pense em tudo de pior que você já ouviu, viu e e leu sobre a África. Tudo mesmo. Agora, coloque tudo isso dentro de uma única cidade. Essa cidadae é Mogadíscio. Fome, muita fome. Doenças, muitas doenças. Guerras, muitas guerras internas. Sangue, muito sangue. Miséria, muita miséria.

Num inferno desse, como que será a vida, especificamente, das mulheres?

Segundo pesquisa da Fundação Thomson Reuters, publicada em Junho de 2011, a Somália é o 5° pior país do mundo para as mulheres.


Difícil é imaginar que existe lugar pior no mundo do que um país onde 98% das meninas sofrem mutilação genital. E esse é um tipo de violência...digamos...cultural. O que eu quero dizer com isso? Que esse tipo de violência é considerada aceitável, quando, no máximo, discutível, por muitos especialistas influentes nessas mesas internacionais que "pensam" o mundo.

Como se não bastasse a "violência cultural", a maioria das mulheres somalis não são mais que escravas, utilizadas como meros objetos para vários fins por seus "donos".

Estupros nunca foram raridades. Pelo contrário. Mas como não há nada ruim que não possa ser piorado, nos últimos anos, as mulheres da Somália têm sido, como nunca, vítimas de disputas políticas e religiosas.Um grupo radical islâmico, o Al- Shabab, tem espalhado ainda mais terror entre as mulheres do país. São vários os relatos colhidos, inclusive, pela ONU, de casos de estupros e assassinatos.


Segundo a maioria das mulheres que conseguem escapar, as mulheres, de várias idades, inclusive crianças, são obrigadas ou a se casarem e/ou a manterem relações sexuais com os membros do Al-Shabab que se dizem defensores do Islã puro. As mulheres que se recusam são estupradas e muitas mortas a pedradas em frente à familia e toda comunidade.


É no meio desse inferno, que Fartun Adan, uma mãe de 3 filhos que teve o marido assassinado no páis, em 1996, luta para amenizar o sofrimento das mulheres vítimas de toda espécie de violência na Somália. Desde 2007, quando retornou do Canadá, para onde fugiu depois da morte do marido, Fartun mantém a The Elmam Peace uma fundação que recebe o apoio da ONU. E é essa a casa azul em questão: a casa sede da The Elmam Peace do Centro dos Direitos Humanos que tem página no facebook.


Na Somália até a bandeira é azul. Os sonhos, como cantou o Tim Maia, também devem ser.

Imagens: The New York Times

7 de nov. de 2011

Cinegrafista da Band. Mais uma vítima da espetacularização da violência.

Os colegas de profissão dizem lamentar. Todas as Associações cumpriram o protocolo, divulgando notas lamentando a morte, se solidarizando com a família. A emissora, também, cumpriu o protocolo e se defendeu destacando que “o funcionário estava de colete à prova de balas – modelo permitido pelas Forças Armadas, sempre usados por profissionais da Band em situações como esta”.

Mas a morte foi ontem. Hoje, Gelson Domingos é só estatística.

Até porque nenhum “especialista”, nenhum colega de profissão, nenhuma Associação ousou questionar o tal “papel da imprensa” na guerra diária entre policiais e bandidos.

Afinal, estão todos convencidos, seguros, anestesiados de que um repórter no meio de um tiroteiro é uma atividade nobre, um serviço de utilidade pública: estão nos mantendo informados.

Uma ova!!!

Tudo não passa de uma estúpida guerra pela audiência, uma boçal espetacularização da violência.Tudo plenamente justificado pela…audiência… de estúpidos.

Mas, claro, é preciso considerar que um repórter que participa da guerra diária entre bandidos e policiais, não é vítima só do estúpido telespectador/ouvinte/leitor e do seu empregador.

Muitos são, além dos outros, vítimas de si mesmos. São “apaixonados” pelo que fazem e consideram a coisa mais importante do mundo o registro de uma imagem, de uma declaração, principalmente, em situações de risco.

Mas talvez o melhor seja, mesmo, ficar com a sensação de que foi apenas um caso isolado e que a morte de “só mais um” não justifique a reflexão.

25 de out. de 2011

Violência e Corrupção. Sem temor a Deus, vergonha da opinião alheia e medo da Justiça.


Sem mais delongas. Não é preciso uma introdução para justificar esse post. Afinal, por quê tanta violência, por quê tanta corrupção? E soluções? Existem? Quais?

TEMOR A DEUS

Até mesmo ateus menos inseguros admitem o “lado bom” da fé no Sobrenatural. Quem crê em Deus  tende a, pelo menos, lutar contra seus instintos para cumprir os Mandamentos
 
_ Amar o próximo como a ti mesmo

_Não matar

_Não furtar

Afinal, para os que não cumprem esses Mandamentos sobrevem castigos, podendo culminar com O Castigo Eterno que é a condenação ao Inferno.

Mas por vários motivos, mesmo entre os que nunca ouviram Nietszche anunciar que “Deus está morto”, o temor aos castigos de Deus não é um sentimento identificado em nenhuma estatística de pesquisas de comportamento.

Sem esse domador de instintos, essa referência moral o que nos resta?

VERGONHA DA OPINIÃO ALHEIA

Também na nossa sociedade, mesmo entre quem nunca ouviu falar no grego aidos ou algum similar japonês, já foi mais comum pessoas pautarem suas ações baseado no julgamento de outras pessoas. Ser descoberto ladrão, corrupto, assassino, “safado”, “sem vergonha” matava gente de vergonha. O sujeito tinha vergonha não só por ele mas também pela família.

Isso,também, por vários motivos, mudou muito. Hoje o que não falta é quem sinta orgulho de ser ladrão, corrupto, assassino, “safado”,”sem vergonha”. Nem esperam serem descobertos. Fazem questão de mostrar o que são. Pra muitos é questão de status social, sinal de coragem, esperteza, de poder.

Sem esse domador de instintos, essa referência moral o que nos resta?
 
MEDO DA JUSTIÇA

 Ok! Não têm medo de Deus nem vergonha da opinião alheia. Assim, o que fazer se Homo homini lupus? Ah, o sistema, o Estado, o Direito, as leis, a Justiça.

Mas também isso não tem funcionado. Cada vez mais, ações são motivadas pela falta de receio das conseqüências previstas nos conjuntos de normas jurídicas.

Sem esse domador de instinto, essa referência para o bem estar social o que nos resta?