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17 de jan. de 2012

1982... Há 30 anos. Ah, 30 anos!

"Quatro pessoas num mesmo dia me dizem que vão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade, estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave..." (trecho de "Fazer 30 anos" de Affonso Romano de Sant'Ana).
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Eu também estou às vésperas de fazer 30 anos. Não vejo nada de, exatamente, grave nisso. Talvez, tome um sorvete e compre um jornal mas sem querer parecer que trata de um dia "como qualquer outro". Dia que se completa 30 anos não pode dia "como qualquer outro". Trinta anos...olha...não é pouca vida, não, principalmente, quando a gente não perde de vista que a espécie humana vive muito poucos anos. Inclusive, a Dercy Gonçalves e o Oscar Niemeyer.

Bem... apesar dos poucos anos pela frente - mesmo, se mais 80 - resolvi olhar um pouquinho pra trás; conhecer um pouco dos que faziam e o que faziam por aqui no ano em que eu nasci.

1982...ano marcado, também, pelas últimas Eleições durante o regime militar no Brasil; a primeira eleição direta pra Governador desde 1960. Em São Paulo um dos candidatos foi o Luiz Inácio Lula da Silva. Há exatos 30 anos, em 17 de janeiro de 1982, a Folha publicou trechos de uma entrevista com ele, quando ainda nenhum partido havia decidido seus candidatos. Reparem que o discurso utilizado por ele durante mais de duas décadas já estava muito bem decorado. Um discurso arrastado até 2001 quando o publicitário Duda Mendonça levou o PT à manicure, à pedicure, ao cabelereiro, ao maquiador e ao cirurgião plástico. Hoje, Lula e o PT não se reconheceriam no espelho. Confira:

"O PT manterá sua linguagem e sua cobrança de oposição sem abrandamento, em função de uma pacificação geral, um entendimento que não existe. Pretendemos propor um levantamento de fundos para a campanha para mobilizá-la. Não podemos ficar a zero, mas não pretendemos entrar nessa brincadeira estapafúrdia de que as eleições exigem fortunas. Uma campanha exige, acima de tudo, um trabalho de conscientização. Não pretendemos gastar nem um décimo do que os candidatos dos outros partidos vão gastar em São Paulo, por exemplo. Não temos.

Recuso-me a tratar o PT como um partido nanico. Ter 30, 50, 150 deputados não quer dizer força ou grandeza de um partido político, porque a última eleição foi no bipartidarismo e teria que dar isso aí. Vamos conferir em 15 de Novembro.

Tenho sabido de críticas feitas a mim, insinuações de que o Lula não seria bom candidato a governador porque não tem cultura, não é preparado. É engraçado como as pessoas caem em contradição. Acho errado uma pessoa que se considera acima do nível do povo brasileiro querer representá-lo."

Como o mundo muda em 30 anos, não?

19 de dez. de 2011

"A privataria tucana", o providencial.

2011 vai entrar para a História do Brasil, independentemente dos interesses de quem escrevê-la, como o ano em que  6 ministros perderam  a boca por denúncias , evidências e provas de corrupção.

Pra ser mais exato, os seis caíram num intervalo de apenas 181 dias já que Antonio Pallocci, o primeiro, caiu em 7 de Junho e Carlos Lupi, o último, caiu em 4 de Dezembro. Diria Lula, nuncanteznahistóriadestepaiz.

A duas semanas de 2012, o recorde só não será maior por falta de ânimo. Às vésperas do Natal e do Reveillon, todos querem evitar a fadiga e deixar as outras cabeças para a prometida reforma ministerial. Caso contrário, Fernando Pimentel e Mário Negromonte seriam assados antes do pernil.

Além dessa marca maior do atual cenário político, há poucos dias foi publicado parte de uma investigação da Polícia Federal que reuniu um conjunto de provas sobre um grande esquema de falsificação orquestrado por petistas durante o recente Escândalo do Mensalão  com o objetivo de atingir adversários políticos e,assim, mantê-los ocupados de suas defesas enquanto os mensaleiros se refrescavam das pressões por esclarecimento. Numa das ligações interceptadas pela PF, um dos cabeças do esquema diz, claramente, que a falsificação das assinaturas da “Lista de Furnas” era a salvação do então presidente Lula.

Como se não bastassem essas verdades estarrecedoras, parace cada vez mais possível e provável que o processo contra os mensaleiros seja enrolado, enrolado até que todos os crimes sejam prescritos, devido a uma série de decisões e indecisões dos – e referente aos -ministros do Supremo Tribunal Federal, a despeito de qualquer interesse da opinião pública.

É nesse contexto que, de repente, não mais que de repente, surge no mercado o livro do Amaury Ribeiro Jr., um jornalista  que há tempos trabalha para o PT e que foi indiciado pela Polícia Federal por violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferta de vantagem a testemunha.

De acordo com a Carta Capital, a revista que propagandeou o livro na edição da semana passada, “a obra apresenta documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado. José Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização. Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. Mas quem brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira, ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização. O livro traz, por exemplo, documentos nunca antes revelados que provam depósitos de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje OI, na conta de uma companhia de Oliveira nas Ilhas Virgens Britânicas. Também revela que Preciado movimentou 2,5 bilhões de dólares por meio de outra conta do mesmo Oliveira. Segundo o livro, o ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou  no Brasil, em seu nome, cerca de 20 milhões de dólares em três anos”.

Parece óbvio que o livro é mais um projétil nessa eterna guerra que tem como único objetivo provar que os outros são tão sujos quanto nós. Queda de ministros em série no governo Dilma, Mensalão outra vez em evidência…O que fazer? Provar inocência? Claro que não. Lembrar o que todo mundo está enfadado de saber: que não existe mocinho, só bandido, nessa trama.

Assim, embaralham tudo. Na Câmara dos Deputados até já recolheram assinaturas para abertura de CPI.
Acho que dá pra dizer que nuncanteznahistóriadestepaiz, um livro foi tão providencial.

12 de dez. de 2011

Na Veja: "A trama dos falsários". Mais uma do PT pra coleção.

Achei pequena a matéria de capa da Veja dessa semana. Apenas 7 páginas, com fotos grandes que ocuparam espaço considerável.
É que quando se trata de denúncia de corrupção petista, a gente sempre espera muito e mais um pouco.

Claro que o tamanho do texto jornalístico não tem nenhuma relação com o valor do conteúdo.

Numa breve autoanálise me dei conta de que, por um instante, eu quis ver reunido todos os casos de corrupção cometida por petistas desde que  o Lula foi eleito com as bandeiras da moral, da ética e da transparência.

Não sei…de repente me deu vontade de colecionar alguma coisa e colecionar casos de corrupção de petistas desde 2002, pelo menos, seria um enorme desafio. Afinal, são tantos…

Álias…colecionar casos de corrupção…

É isso que fazemos há muito tempo. E não há colecionador mais (in)satisfeito do que colecionador de casos de corrupção petista, visto a enorme diversidade, criatividade e quantidade, relativamente, em tão pouco tempo.

Dessa vez, pra quem ainda não leu, o resumo é o seguinte:

“VEJA teve acesso a um conjunto de conversas gravadas pela Polícia Federal que ilustram como esse receituário de mentiras e falsificações foi usado para tentar debelar a mais aguda crise do petismo. Os diálogos foram interceptados por ordem judicial no primeiro semestre de 2006, quando as investigações da CPI dos Correios, que apurava o esquema de pagamento de propina a parlamentares montado pelo então homem forte do governo, José Dirceu, se aproximavam do fim. Esse conjunto de provas, que até agora era desconhecido, evidencia como uma ala do PT mineiro, com o incentivo e o apoio da cúpula nacional do partido, se aliou a um conhecido estelionatário para produzir e divulgar um documento falso que tinha o objetivo de confundir os parlamentares que investigavam o mensalão, macular a imagem de políticos de oposição e, numa intenção ainda mais ousada, também induzir a erro o ministro Joaquim Barbosa, relator no Supremo Tribunal Federal”.

Uma pérola para todos nós colecionadores dessa série ilimitada.

6 de dez. de 2011

Carlos Lupi também caiu. A faxineira não consegue secar a rampa.

Nunca antes na história desse país… Diria o nosso Pedro Álvares Cabral do século XXI, Lula.

O cai cai de ministros no governo VEJA…digo…no governo Dilma é mesmo um a. (antes) e um d. (depois) na História do Brasil. Por enquanto já foram sete, sendo seis por evidências de corrupção.

O curioso é que nuncanteznahistóriadestepaíz um presidente da República se deu tão bem com tanta corrupção quanto tem se dado a Dilma Rousseff.

Além de reconhecimento interno, a dondoca já foi destaque em vários veículos na imprensa internacional como quem é intolerante à – e combate a – corrupção.

Em qualquer outra circunstância, o presidente da República sempre foi responsabilizado pelas mazelas cometidas por seus ministros. Com a Dilma, não. Pelo contrário, ela é tida e havida como a responsável pela limpeza, é a faxineira da República.

Jogo político.  Pra muitos, muito mais excitante, emocionante que qualquer clássico na última rodada do Campeonato Brasileiro.

Muitos dos que dão à Dilma a oportunidade de ser reconhecida como a faxineira da República, são os que mais torcem por sua derrocada. Se Dilma faz faxina é porque tem faxina pra fazer. Se tem faxina pra fazer é porque ou ela recebeu uma “herança maldita” do Lula ou de si mesma, como ex-chefe da Casa Civil. Se não é herança, é erro nas escolhas. Se é erro nas escolhas, é incompetência. Se não é incompetência, é vítima do sistema.

Se é tudo isso, é certeza de que não tem faxineira que dê conta da tarefa. Outros dois ministros já estão escorregando. Ou Dilma dá um jeito de secar logo essa rampa ou em breve vão lhe vestir outra personagem, muito menos divertida.