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22 de jan. de 2012

Criiiiise no Cruzeiro. Fora, Vágner Mancini!

"Foi só o primeiro jogo do ano". "Falta ritmo de jogo". "O time ainda está desentrosado". "Ainda falta condicionamento físico".

Quais são as outras mesmices que se diz e que se ouve depois do primeiro amistoso do ano?

Não interessa. Vamos direto ao fígado.

A primeira impressão deixada pelo Cruzeiro, hoje, não foi boa. Poderia ser pior. Por exemplo, se o presidente do clube ainda fosse o Zezé Perrella. O Montillo já teria estreado pelo Corinthians e hoje não teria sofrido o pênalti no primeiro gol nem recuperado a bola e dado o passe no segundo gol.

Do Rafael não dava, como não dá, mesmo, pra esperar coisa melhor. Ele é o famoso "chama-gol". Fraquinho. Coisa que tem provado desde a primeira vez que jogou no time profissional. E nem adianta lembrar que foi goleiro de Seleção de base. Como sempre diz a manicure, base é base, o resto é responsabilidade. Parece que o Gabriel, que ainda precisa ser testado, está indo pro Tottenham. O Cruzeiro precisa, logo, contratar um goleiro pra reserva do Fábio.

Do Diego Renan dava pra esperar coisa pior. Era só o América ter forçado mais jogadas pelo seu setor que todo mundo sabe no que daria, não é? 

O Leandro Guerreiro continua lento, com pouca mobilidade e de saída de bola ruim. Em relação ao ano passado piorou: cortou o cabelo e agora é ainda menos notado durante o jogo.

Boas impressões deixaram os estreantes Diego Arias e Marcelo Oliveira. Acabaram prejudicados pelo pior do jogo, o Vágner Mancini.

O colombiano ele tirou no intervalo. Além de equivocado, foi azarado pois o substituto, Rudnei, saiu, contundido, logo depois. O Marcelo Oliveira que era o mais lúcido do time, foi deslocado para a lateral-esquera para dar asas ao já conhecido e reconhecido Éverton.

Mas, claro, que o Vágner Manici não foi o pior do jogo só por isso. Foi, também, por, mais uma vez, ignorar o meia Élber. #CADÊOÉLBERVÁGNERMANCINI?

Foi o pior do jogo, também, por não transmitir nenhuma confiança em suas declarações antes, durante e depois dos jogos. Não só o jogo de hoje. Mas de toda sua carreira.

Álias, esse, também, é um dos motivos pelos quais o Vágner Mancini foi eleito o pior do jogo de hoje. Sim, pela carreira dele. É fraquinho. Era a cara do rebaixamento do ano passado. O Cruzeiro não caiu porque...o América venceu o Atlético-PR e o adversário na última rodada foi o predestinado rival.

Mas que coisa, hein?! "Foi só o primeiro jogo do ano" e eu aqui já pedindo a demissão do treinador?

Coisa de torcedor idiota, mesmo, não é não?

Talvez. No último post sobre o Cruzeiro eu escrevi assim: "Não sei o que o Vágner Mancini pode fazer com o elenco que tem à disposição. Não saberia nem se fosse o Pep Guardiola ou o Jose Mourinho. O que está claro é que terá uma excelente oportunidade pra provar  sua capacidade. Naquela linha: quanto maior o desafio, maior a oportunidade".

 48 horas depois eu já aposto que ele não vai fazer nada ou, no máximo, muito pouco. Mas eu não quero me esquecer que "foi só o primeiro jogo do ano" e que eu já estava com saudade de ver o Cruzeiro jogar e de culpar alguém por uma derrota.

17 de jan. de 2012

Real Madri 1 x 2 Barcelona. Deve ser falta de coragem.

"Real Madri x Barcelona de hoje não será transmitido pela ESPN, muito menos pela Globo ou pela Band ou pela Record ou pela RedeTV. Uma pena para o torcedor brasileiro que gosta de Futebol e gosta de ficar antenado com o que acontece mundo afora. Não assistem aos jogos do Barcelona e depois são obrigados a conviver com uma grande parcela da nossa imprensa esportiva, mal informada e/ou mau intencionada, cobrando postura mais corajosa de um pobre Santos, ou de outro pobre time qualquer, num confronto direto com o melhor time de todos os tempos".

Essa é uma provocaçãozinha que eu postei no facebook à tarde. Confesso que ainda convivo com a lembrança da repercussão do jogo entre Barcelona e Santos, quando vários especialistas cobraram uma postura mais corajosa do pobre Santos, como se nunca tivessem assistido jogos do time catalão. Muitos
 se mostraram ou se fingiram surpresos com a superioridade do time espanhol e passaram alguns dias com o futebol brasileiro no divã.

Mas... nada que mereça maior atenção. Já comemoramos o Natal, já saudamos o ano do fim do mundo, já lamentamos as tragédias causadas pelas chuvas e pelo descaso do Estado e já comentamos o BBB. Ou seja, o que aconteceu naquela final interessa muito pouco.

Hoje o Barcelona voltou a jogar um jogo que compensasse maior atenção. Afinal, contra o seu gigante rival, castigado, com orgulho ferido, Real Madri.

Sobre o jogo não há muito de novidade pra dizer. O melhor time de todos os tempos, foi, de novo, muito melhor que um pobre adversário seu. E nem precisa dar destaque ao fato de que o jogo foi no Santiago Bernabeu, como se estádio ganhasse jogo.

Mais uma vez o pobre Real Madri jogou como se fosse o jogo mais importante da história gloriosissima do clube. Todos os jogadores deram o seu melhor e o pior de si mesmos, principalmente o Pepe que, mais uma vez, fez de tudo pra ser mandado pra um Tribunal onde ele deveria ser condenado à prisão perpétua, desde que a lei não permitisse pena de morte.

Jose Mourinho, pobre!, tentou, fez alguma coisa diferente...Altintop na lateral direita, Coentrão na esquerda, L.Diarra, Pepe e Xabi Alonso à frente da linha da defsa...Mas não tem esquema tático, não tem jogadores capazes de parar o Barcelona. A menos que aconteça o que aconteceu, por exemplo, quando a Inter de Milão do Mourinho eliminou o Barcelona na Champions League 2009/2010; o adversário faz um gol e passa o resto do jogo tentando marcar e torcendo para Messi, Iniesta, Xavi e companhia perderam todas as, pelo menos 154, chances de gol que tiverem.

Hoje o Barcelona, apesar de muito melhor que o pobre Real Madri, não foi tão brilhante como das outras vezes. Mesmo assim, teve chance de fazer 4 ou 5 gols. 

Mas de diferente, mesmo, foi o gol de empate. O Barcelona não é o time que ignora a "bola parada", que recomeça o jogo numa cobrança de escanteio? Pois, ontem, enganou o mundo todo, aos 4 do segundo tempo, quando Puyol marcou de cabeça.

Pobre, Real Madri! Se vencendo por 1 x 0 já estava difícil de disfarçar o nervosismo, com o jogo empatado só restava torcer pra que um terremoto, um ataque terrorista ou coisa parecida acontecesse e justificasse o fim do jogo antes da virada.

Virada inevitável! Passe sensacional de Messi para gol de Abidal que, estimulado pelo brasuca Daniel Alves, comemorou dançando a coreografia da música do brasileiro mais influente do mundo - o "Ai, se te eu pego" do Michel Teló.

Agora já são 7 jogos sem vitória do Real Madri só no Santiago Bernabéu; 5 vitórias do Bracelona e 2 empates.
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Alguns corajosos não terão vergonha de dizer que tem faltado coragem ao Real Madri.

18 de dez. de 2011

Barcelona 4 x 0 Santos. Lição, principalmente, para os mau e bem intencionados da imprensa esportiva.


A idiotice começou há algum tempo. Se acentuou depois que  o Pelé, na maior cara de pau, disse que o Neymar é melhor que o Messi. A partir dali grande parte da imprensa esportiva combinou que manteria essa discussão em evidência. “Quem é melhor, Neymar ou Messi”. Uma dessas canalhices muito bem intencionadas.

Manter essa enquetezinha em evidência, mesmo admitindo que o argentino é melhor, como eu vi, ouvi e li vários jornalistas admitindo (o óbvio e ululante) faz parte daquele processo de industrialização de um ídolo. Perdoável até, desde que não fosse tão exagerado, desde que não apostassem tanto na falta de senso crítico de seus ouvintes, leitores e telespectadores.

Ontem, poucas horas antes do jogo, a materiazinha no Jornal Nacional falava de como e quanto o treinador do Barcelona estava pensando em marcar o Neymar  e não quanto o Muricy estava preocupado em parar o Messi.

Tudo bem! Que brinquem de comparar Neymar e Messi mas acreditar que o Santos tinha alguma chance de encarar o Barcelona…é coisa de fanfarrão. Não me refiro aos que acreditavam que o Santos desse a sorte de vencer mesmo com o Barcelona jogando muito melhor, tendo muito mais posse de bola e criando mais chances de gol. Me refiro àqueles que gritaram nas rádios e nas TVs durante o jogo que o Santos tinha obrigação de ser melhor do que foi, que tinha obrigação de ser mais corajoso, que tinha condições de jogar mais, que creditam muito da derrota ao Muricy Ramalho por ter escalado 3 zagueiros ou por ter escolhido o Elano pra substituir o Danilo.

Durante o jogo, passei pelos dois canais de TV que transmitiram o jogo, Globo e Sportv, e pelas rádios CBN, Globo, Record, Bandeirantes e Jovem Pan. Em todos, tinha lunáticos dizendo que o Santos tinha que ter sido melhor, que era absurda a postura do time, que deviam encarar, que deviam respeitar menos, etc, etc.Na Jovem Pan, deram o azar de entrevistar o Rubens Minelli que em poucos minutos deu uma aula de bom senso aos corneteiros explicando porque não era o Santos o time a ser analisado e, sim, o Barcelona.

De volta para o segundo tempo…e não é que o Santos assanhou alguns poucos bons ataques, criou suas  duas chances de gol!? E o que disseram os caras de pau? Até que se o Santos tivesse jogado daquele jeito desde o início, o jogo e o resultado seria outro. Que o Barcelona, vencendo por 3 x 0, tendo toda uma temporada pela frente, pudesse ter relaxado ou até deixado o Santos brincar um pouquinho, ninguém aceitou levar em consideração.

Ao final do jogo, não tiveram outra opção a não ser reconhecer o  óbvio: que o melhor  time do mundo é espanhol e que o melhor jogador de futebol do mundo é argentino. E não é que nas rádios CBN, Globo, Record, Bandeirantes e Jovem Pan alguns lunáticos insistiram em descarregar asneiras nas orelhas de seus ouvintes, apontando causas e culpados, não pela vitória do Barcelona, pela derrota do Santos!

Não é difícil compreender essa postura da cada vez mais emburrecida imprensa esportiva brasileira. Ao longo dos anos tiveram dificuldade de lidar com o fato do futebol brasileiro ser o melhor do mundo. Nunca encontraram o tom correto da crítica. Álias, sempre politizaram a crítica. De um lado os esquerdistas, fumantes de Marx e bêbados de Gramsci, de outro os de direita, educadores de sentimentos como patriotismo e nacionalismo. E no meio, os puros de coração.

Imaginem, a dificuldade que é lidar com o fato de não termos mais uma Seleção decente, de não termos craques nos principais clubes europeus, de não sermos mais o melhor futebol do mundo, de estarmos muito atrás do futebol jogado pelos espanhóis, pelos alemães e pelos holandeses. Da nossa Seleção hoje não se pode dizer que ela é melhor que pelo menos outras 10 Seleções, alem das 3 citadas.

Tudo isso ás vésperas de uma Copa do Mundo no país. Como vão vender esse produto? Como vão dizer ao mundo que essa é a nossa identidade? Como vão aliar as imagens dos jogos da nossa Seleção ao samba e às mulatas? Se nosso futebol passa por um momento tão ruim, quem somos, o que sabemos fazer de melhor? Não era jogar futebol? E agora?

Essas e outras interrogações explicam muito dos exageros cometidos por parte da imprensa, também, hoje. Explica muito dessa ansiedade, dessa falta do que dizer, dessa preguiça de analisar o futebol com mais inteligência, dessa cara de pau em apostar na falta de senso crítico do torcedor, dessa falta de senso de ridículo.

Do jogo de hoje, tem muita gente, inclusive o Neymar (o menos culpado nisso tudo), dizendo que serviu de lição. Só se for lição para os desatentos, para os que não assistem aos jogos do Barcelona, para quem sofre de uma demência e tiveram dificuldade de compreender a estratosférica diferença entre Barcelona e Santos, para os lunáticos, para os mau intencionados e para os bem intencionados, também.

Mas, claro, sem rancor, sem stress,  sem traumas…Afinal, o circo tem que continuar. Estamos todos debaixo da lona, por vontade própria e com muito prazer.