5 de dez. de 2011

O Corinthians é o Campeão Brasileiro de 2011?

Esse ano não deu pra acompanhar o Campeonato Brasileiro como sempre fiz nos anos passados (a ponto de assistir 5 jogos de uma só vez). É que esse ano o Campeonato, pra mim, deixou de ser diversão muito cedo; passou a ser sofrimento desde a 4° rodada do returno quando um urubu pousou no meu ombro e me convenceu de que o Cruzeiro cairia para a segunda divisão: não tive mais olhos para o sofrimento dos outros. No máximo, os melhores momentos dos jogos e a tabela de classificação no jornal. 

Que o Corinthians seria campeão eu nunca tive certeza. Mesmo ontem próximo aos 40 minutos do 2° tempo eu ainda acreditava (não que torcia) que no Pacaembu o Marcos Assunção poderia acertar o ângulo do goleiro Júlio César e que no Engenhão o Vasco poderia fechar o seu emocionante 2011 com chave de ouro. Como o jogo do Cruzeiro terminou antes, acabei me dispersando e não ouvi o grito de campeão no Pacaembu.

Secar o Corinthians eu comecei na primeira rodada do Campeonato na vitória de 2 x 1 sobre o Grêmio no Olímpico, com uma atuação que me convenceu de que o time do Titi seria o principal adversário do Cruzeiro pelo título do Campeonato. Isso ficou lá nos desaparecidos arquivos do “1982 Esporte Clube” e  naquela vitória com aquele golaço do Wallyson, no Pacaembu, ainda pela 11° rodada do primeiro turno.

Acompanhei menos do que gostaria mas me vejo obrigado a arriscar um palpite: esse é o mais autêntico, menos contestado e, talvez, o mais honesto título conquistado pelo Corinthians nos últimos anos. Dessa vez, pra tristeza geral da nação, não sobrou nenhum motivo pra choradeira, pra teorias conspiratórias ou desejo de matar um árbitro.

Outro ponto que deve ser ressaltado é a “confiança no projeto”  demonstrada pelo Andrez Sanches. Nenhum especialista conseguiu explicar como um presidente do Corinthians manteve um treinador  após a eliminação da Libertadores para o Tolima. E manteve a confiança durante o mau momento que o time passou durante o Campeonato, apesar de toda pressão.

O título acabou confirmado no único 0 x 0 da última rodada, o que não tira nenhum pingo do brilho da conquista, claro. Mas é que ainda costumamos ver o último jogo como o capítulo final da novela que exige uma última grande cena do(s) herói(s). No caso do futebol, um gol para ser reprisado eternamente como o símbolo maior da conquista.

Talvez, tenha sido só mais um capricho do destino. O maior símbolo dessa conquista, inevitavelmente, será a lembrança do eterno ídolo Sócrates.

Cruzeiro 6 x 1 Atlético-MG.

Felicidade!

Vergonha!

Honra.

Lisura.

Honestidade?

Tristeza!

Grito!

Silêncio.

Lágrimas…

Vingança.

Vida!

Pra quê?

Morte!

Por quê?

Nunca mais!

Para sempre!

Esperança!

Em quê?

2 de dez. de 2011

O Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político do grupo islamita Irmandade Muçulmana, se declarou o vencedor da primeira etapa das eleições legislativas no Egito, realizada nesta segunda-feira e terça-feira. Em comunicado, o partido afirmou que obteve mais de 40% dos votos na maioria das nove províncias onde ocorreu esta primeira fase, entre elas onde estão localizadas a capital Cairo e Alexandria, segunda maior cidade do país.

Os islamitas afirmaram que venceram a lista fechada, na qual vota-se apenas na legenda, nas províncias de Fayum, Mar Vermelho, Cairo e Asiut. Dois terços das cadeiras da Assembleia do Povo, a Câmara Baixa do Palamento egípcio, serão definidos com esses votos. Na lista aberta, a Irmandade Muçulmana afirmou que vários de seus candidatos foram bem votados. Pelas regras da eleição no Egito, um terço das vagas do Parlamento fica com os candidatos vencedores.

O jornal estatal Al Ahram confirmou a vitória dos islamitas, afirmando que o Partido Liberdade e Justiça e o Al Nour, legenda salafista, foram os dois primeiros em seis das nove províncias onde houve a votação. Em Alexandria, o jornal afirma que a Irmandade Muçulmana alcançou 41% dos votos e os salafistas, 24%. O resultado oficial, no entanto, só deve ser divulgado nesta quinta-feira, declarou a Comissão Eleitoral, que ainda contabiliza votos em localidades mais distantes e também dos egípcios que vivem no exterior. (da VEJA)

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Na edição de domingo, o Estadão publicou entrevista com  um dirigente do partido radical – salafista – Al-Nur (ou Al Nour ou Al Noor), Nader Bakkar. Ele bancou o moderado. Confira:

Vocês aceitam que os militares fiquem no poder até a realização da eleição presidencial? Sim, mas com funções bem específicas, de manutenção da ordem, defesa do país e política externa. Não interferindo em todos os assuntos da vida cotidiana dos egípcios e deixando que o governo civil cuide dos assuntos internos, sem pressão, como a que exercia sobre o gabinete anterior.

Quais são as reais intenções dos militares? Na minha opinião, o conselho militar não acredita que o povo egípcio possa ter uma democracia e um regime civil, como deve ser. É uma ideia preconcebida de que os egípcios não conseguem se governar sem a intervenção militar nas questões internas e externas.

O sr. acha que eles querem desempenhar o papel de barreira contra a influência islâmica, como ocorreu na Turquia? Algumas pessoas aqui no Egito querem isso, mas agora não podemos dizer se o Conselho Supremo das Forças Armadas é a favor ou contra esse papel.

O sr. não tem certeza de qual é a posição deles sobre um Estado islâmico? Não quero responder.

Que tipo de influência o sr. acha que o Islã deve ter sobre a Constituição? Esperamos nos tornar um Estado civil, não um Estado secular. Com leis que emanam da sharia (lei islâmica), já que é a principal cultura do povo aqui. Até mesmo dos cristãos. Mesmo antes da revolução, uma vez um tribunal daqui decidiu que um cristão podia se casar de novo e o papa condenou essa decisão, dizendo que queria que prevalecesse a sharia, que se aplica a todo o país, e estabelece que os cidadãos devem obedecer à religião, não ao tribunal. E a Justiça concordou, porque é o que diz o Artigo 2.º da Constituição, que as leis emanam da sharia. Portanto, não temos nenhum conflito com os cristãos. Mas, se as leis liberais prevalecem, as pessoas podem se casar e divorciar quantas vezes quiserem, o que é contra a religião cristã. A sharia diz que os cristãos podem consultar sua Igreja sobre todas as questões pessoais.

Que outros aspectos da vida devem ser governados pelos princípios islâmicos? Estamos falando genericamente de todos os princípios, mas tudo vem de forma gradual. Queremos aplicar as normas da sharia também na economia. Por exemplo, o zakat, a transferência de dinheiro dos ricos para os pobres. A eliminação dos juros, outro preceito islâmico, é a melhor medida para a economia. Até os maiores economistas reconhecem isso, assim como os manifestantes do movimento Ocupe Wall Street. Mas não podemos baixar os juros para zero de um dia para o outro. Seria catastrófico, até para os títulos da nossa dívida. Temos de respeitar os contratos assinados com outros países. Também queremos incentivar, com empréstimos sem juros, as pequenas e médias empresas, como fez o Lula no Brasil.

E o véu? Vocês querem mudar a maneira como as mulheres se vestem? Não vamos impor nada ao povo egípcio. A sharia desapareceu da vida das pessoas por muito tempo. Elas não têm uma visão completa da sharia, não sabem como ela as beneficiará, as levará para o caminho certo. Então, não podemos dizer: ‘OK, pessoal, agora governamos vocês e queremos impor isto e aquilo’, coisas que eles nunca ouviram falar. As coisas vêm gradualmente, com discussão, por meios democráticos, e temos certeza de que os egípcios aceitarão bem a sharia.

Como era sua vida política antes da revolução? Tanto nós quanto os outros não tínhamos liberdade. Era como uma peça de teatro. O partido do governo era o herói e todos os personagens. Éramos a plateia. Não podíamos fazer nada a não ser pagar os ingressos.
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Surpreendente avanço salafista preocupa os laicos no Egito

por Sarah Benhaida/ Agência AFP (01/12)

A ideia de um Parlamento dominado por uma aliança entre a Irmandade Muçulmana e os salafistas provoca inquietações nos meios laicos e na comunidade copta.

“O temor é que se as correntes islamitas dominarem o Parlamento, isto pode culminar em um sistema não democrático e autoritário sob cobertura religiosa”, afirmou Hassan Nafaa, professor de ciência política na Universidade do Cairo, citado por Al Churuq.

“Não queremos substituir Mubarak por um regime teocrático autoritário”, acrescentou.

De qualquer forma, a coalizão entre o PLJ e o Al Nur não é algo já conquistado. O Al Nur, que formava parte da Aliança democrática dirigida pela Irmandade Muçulmana, saiu desta para criar sua Aliança Islâmica.
Os salafistas, que reivindicaram uma interpretação mais rigorosa do islã, convocam a aplicação da sharia (lei islâmica) nos terrenos político, social e econômico.

Estes resultados só envolvem o primeiro terço do Egito, que votou na segunda e terça-feira. As eleições continuam em todo o país até o dia 11 de janeiro pelos deputados e depois até o dia 11 de março para a Shura (senado).

No entanto, se esta tendência se confirmar nas próximas etapas da eleição, a Irmandade Muçulmana se converterá na maior força política egípcia, depois de ter sido reprimida durante décadas no regime do presidente deposto Hosni Mubarak.

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Sabem o que isso significa? Que aos poucos vai sendo esclarecido o verdadeiro objetivo dessa “Primavera Árabe”, que não dá flor nem para o funeral de suas vítimas.  Albert Pike  deve estar se remexendo no túmulo.

1 de dez. de 2011

Ronaldo blinda Ricardo Teixeira por amor ao povo. Que nojo!

Eu sei que faz parte do jogo mas não precisava ser tão hipócrita, tão mesquinho, tão nojento.

Que o Ronaldo abrace o Ricardo Teixeira, o Fernandinho Beira-Mar, o Nem, o José Dirceu ou um monte de travestis em nome de qualquer interesse, pouco me atinge. Fundamentalmente porque eu não sou um desses carentes que se apegam à imagem de “ídolos” como referência da minha personalidade.  Muito menos à imagem do Ronaldo que, além do que fez em campo, nunca disse ou fez alguma coisa que me servisse como inspiração, exemplo, espelho.

Portanto, que faça o que quiser com quem quiser e que influencie quem careça de sua influência.

Que a FIFA, os governos federal, estaduais e municipais, as empreiteiras e grande parte da imprensa fiquem excitados com a presença do Ronaldo no COL – Cômite Organizador Local da Copa de 2014 – e tire bastante dos “holofotes negativos” do Ricardo Teixeira, deveria ser problema só deles.

Mas o que a gente faz quando tem crise de nojo ouvindo um “ídolo do povo”, abusando da inteligência e do senso crítico do…povo? Enfia o dedo na garganta ou toma água com limão?

“Não tenho nada a ganhar – podia jogar tudo que conquistei pela janela. Não tenho nada a ganhar mas resolvi pensar no povo”.

“Eu quero fazer isso pelo povo”.

“Minha idéia é de aproximar, fazer com que o povo brasileiro tenha orgulho”.
“O povo tem que sentir orgulho dessa Copa”.

“Essa Copa no Brasil é um grande orgulho para a gente. Essa Copa não é da Fifa, do Comitê Organizador, da CBF ou do governo. A Copa é do povo.”

Ok! Eu compreendo que a Copa do Mundo de 2014 está carente de bons vendedores, boa propaganda, boas imagens… e não adianta entrar no côro dos “do contra” e só dar enfâse ao “lado” negativo porque isso só tornará tudo ainda pior do que está.

Não adianta mais lamentar; a Copa do Mundo vai acontecer e é melhor explorar, estimular, enfatizar os fatores positivos a fim de que a maioria das pessoas estampem um sorriso no rosto e consumam o produto. Isso fará bem ou, pelo menos, menos mal,  psicologicamente e financeiramente ao país. E eu sei que no Brasil ainda não inventaram método mais eficiente de criar um bom clima do que usar um “ídolo do povo” para dizer que “a Copa é do povo e para o povo”.

Se eu sinto nojo deve ser por algum problema psíquico ou estomacal ou gastrointestinal. Devo procurar ajuda?

O Cruzeiro noutros 4 de Dezembro.

As horas vão passando e fica cada vez mais difícil ignorar a importância do jogo do próximo domingo, 4 de Dezembro.


Estou sofrendo pouco, por enquanto. Afinal, estou educando minhas emoções para o pior desde a derrota para o Santos, ainda na 4° rodada do returno, quando um mau pressentimento tomou conta das minas emoções.

Não sou dado a otimismo e pessimismo mas costumo dar crédito à minha intuição; com a devida moderação, claro. Passei os últimos dois meses respondendo a quem me perguntava o que eu acahava que iria acontecer com o Cruzeiro, “chegou a nossa vez”. Escrevi isso algumas vezes aqui no blog.

Mas…não faltam ótimas frases de efeito, provérbios, ditados e argumentos plausíveis, lúcidos, racionais para se apegar, para acreditar na vitória – ou outra forma de salvação – no domingo.

Basta uma vitória, o que não seria nenhuma mazembada, nenhum maracanazzo, nenhuma sarriada. Possível e nem tão improvável assim, apesar de toda mediocridade apresentada pelo Cruzeiro no returno do Campeonato.

Curioso é que após o jogo contra o Ceará, onde deixamos escapar a permanência na primeira divisão nos últimos minutos, ao invés de me abraçar à certeza do pior que insiste em me “aconselhar” há muito tempo, fui tomado por uma repentina euforia e cheguei a externá-la no facebook: “O galo nunca decepciona um cruzeirense. Nem tudo tem uma primeira vez. ♪Clube Atlético Mineiro, alegria do Cruzeiro♫”.
Está vendo! Por essas e outras não levo tão a sério minha intuição. rsrs

Mas hoje numa tentativa de aliviar a tensão, resolvi me apegar à uma mera curiosidade: quantas vezes o Cruzeiro já jogou num 4 de Dezembro? Sei lá, vai que tem uma coincidência histórica aí a qual eu possa me apegar…

Comecei pesquisando – no Almanaque do Cruzeiro do Henrique Ribeiro – a partir de 1995. E o que encontrei? Três jogos e três derrotas. Poxa, que coisa, hein! Que coincidência desgraçada! Acabei pesquisando nos 90 anos da história do clube. O resultado é esse: Quantos jogos o Cruzeiro disputou num 04 de Dezembro?

1960 – Cruzeiro 2 x 1 América Campeonato Mineiro -  Independência – BH Gols: 2. Rossi (C) Cruzeiro: Josué; Massinha, Benito, Nilsinho, Amauri, Cléver, Nonô, Emerson, Elmo, Rossi e Raimundinho; Téc.: Niginho

1966 – Cruzeiro 1 x 0 América Campeonato Mineiro – Mineirão -BH Gol: Itaci Vilela Cruzeiro: Raul; Pedro Paulo, Vavá, Cláudio, Spencer, Wilson Almeida, Zé Carlos, Marco Antônio (Dalmar), Caixa, Batista e Ílton; Téc.: Airton Moreira

1975 – Cruzeiro 1 x 1 América-RJ Campeonato Brasileiro – Mineirão Gol: Palhinha (C) Cruzeiro: Raul; Nelinho, Moraes, Darci Meneses e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos e Eduardo; Roberto Batata, Palhinha e Joãozinho; Téc.: Zezé Moreira

1977 – Flamengo 3 x 1 Cruzeiro Campeonato Brasileiro – Maracanã Gol: Nelinho (C) Cruzeiro: Raul; Nelinho, Zezinho, Darci Meneses e Vanderlei; Flamarion, Erivelton (Lívio), Eduardo; Valdo (Paulo César), Revétria e Joãozinho; Téc.: Aimoré Moreira

1988 – Botafogo 1 x 1 Cruzeiro Campeonato Brasileiro – Caio Martins – RJ Gol: Careca (C) Cruzeiro: Pereira; Dinho, Ademir, Gilmar Francisco e Wladimir; Paulo Isidoro, Heriberto e Careca; Betinho, Hamilton (Róbson) e Édson (Éder); Téc.: Carlos Alberto Silva

1991 – Cruzeiro 2 x 1 Rio Branco Campeonato Mineiro – Estádio JK – Andradas Gols: Macalé e Charles (C) Cruzeiro: Paulo César; Andrade, Paulão (Vanderci), Adilson e Célio Gaúcho; Rogério Lage, Boiadeiro e Macalé; Mário Tilico, Charles e Marquinhos (Ramon); Téc.: Ênio Andrade

1996 – Velez Sarsfield 2 x 0 Cruzeiro Final da Supercopa – José Amalfitani – Buenos Aires Cruzeiro: Dida; Vítor, Gélson, Gílmar e Nonato; Fabinho, Ricardinho, Cleison e Palhinha (Donizete); Paulinho Mclaren e Aílton (Da Silva); Téc.: Levir Culpi

1999 – Vasco 3 x 1 Cruzeiro Torneio Seletivo para Copa Libertadores – São Januário – RJ Gol: Muller (C) Cruzeiro: André; De La Cruz, Marcelo Djian, Cris e André Luiz; Donizewte, Marcos Paulo (Paulo isidoro), Donizete Amorin (Marcelo) e Valdo; Aléx Alves e Muller; Téc.: Paulo Autuori

2005 – Cruzeiro 1 x 3 São Caetano Campeonato Brasileiro – Mineirão – BH Gol: Alecsandro (C) Cruzeiro: Fábio; Jonathan, Moisés, Edu Dracena e Wágner; Maldonado (Diogo), Martinez, Adriano Gabiru (Francismar) e Kelly (Wando); Alecsandro e Diego; Téc.: PC Gusmão

9 jogos, 3 vitórias, 2 empates e 4 derrotas.

Pronto. Já posso procurar outra coisa pra me ocupar e disfarçar a ansiedade.

BMG/Ricardo Guimarães: "O dono do futebol brasileiro".

A última edição da Época Negócios (Novembro/2011) faz uma bela propaganda do BMG e joga ainda mais luzes na reluzente careca de seu presidente, Ricardo Guimarães.Resolvi separar alguns trechos do mimo por tópicos. Confere aí:

Como está o BMG 

“…os Pentagna Guimarães…tudo que vendem é o crédito consignado a servidores públicos municipais, estaduais e federais, além de aposentados e pensionistas do INSS. Esse tipo de operação, que tem baixo risco de inadimplência porque desconta as parcelas devedoras diretamente da folha de pagamento, movimenta hoje no Brasil cerca de R$ 130 bilhões, gerados por pelo menos 60 instituições financeiras. Desse montante, R$ 23 bilhões foram emprestados pelo BMG – 18% do mercado, perdendo apenas para o Banco do Brasil. São números que o levaram ao primeiro lugar no ranking dos 20 bancos mais rentáveis sobre o patrimônio em 2010, segundo o anuário Valor 1000. E que conferem ao BMG perto de 10% de todo crédito à pessoa física gerado hoje no país, independentemente da modalidade.

Quais as perspectivas

Essa maravilha de cenário deve começar a mudar em 2012, impondo ao BMG o desafio de abrir novas fronteiras de atuação – sob pena de ser engolido pela concorrência das grandes instituições bancárias…”Até aqui o BMG foi muito bem sucedido em sua estratégia de atuação no mercado. No entanto, a concentração quase exclusiva de sua atividade no consignado gera pelo menos dois efeitos negativos: o aumento do risco e a perda da oportunidade de fidelização do cliente, que só encontra outros produtos na concorrência”, afirma o ex-diretor do Unibanco Ricardo Mollo. “O consignado continuará sendo nosso principal produto, mas esperamos que a médio prazo represente no máximo 70% dos negócios”, diz Ricardo Guimarães.

O futebol como estratégia

Foi justamente pensando na diversificação de seus produtos que o BMG resolveu, antes de qualquer coisa, vestir a camisa do futebol com o patrocínio do Atlético-MG a partir de Janeiro de 2010. “Lá atrás, isso já era parte da estratégia que hoje está sendo consolidada. A penetração que conseguimos com o consignado nos oferecia a base para crescer. Mas faltava o conhecimento da marca para além do funcionário público e do aposentado. Agora, quando o sujeito vir nosso cartão de crédito, vai dizer ‘as, o BMG eu conheço’, e isso graças ao futebol. São as três letrinhas laranjas, cor essa que todo time quer mudar mas a gente não aceita de jeito nenhum“, diz Ricardo Guimarães. [...]

Maior patrocinador do futebol brasileiro, o BMG estampa o uniforme de 39 clubes, seja em patrocínios de maior envergadura, em que a marca aperece no peito e nas costas, ou nos mais comedidos, em mangas de camisa. A exposição de seu logotipo financia, ainda, três equipes da Superliga masculina de vôlei e duas da feminina; três times de basquete, entre eles o Flamengo; a ginasta Jade Barbosa; o lutador Vitor Belfort e até o apresentador Otávio Mesquita, convertido em piloto da Copa Mercedes…O investimento na chancela esportiva chega a a R$ 60 milhões anuais, mais de 90% de tudo que o banco destina ao marketing.”

Resultados do marketing

 Uma série de pesquisas da consultoria independente Sport+Markt, que monitora estratégias de investimento no marketing esportivo em todo o mundo, dá conta da eficiência do modelo de patrocínio pulverizado adotado pelo BMG. Em julho de 2009, o banco aparecia em 92° lugar num ranking de marcas associadas espontaneamente ao futebol brasileiro. Em março deste ano, chegou à 4° posição, superando tradicionais investidores do esporte como Adidas, Brahma, Skol, Coca-Cola, Fiat e Batavo. [As três primeiras colocadas na pesquisa foram Itaú, Nike e Bradesco].

Soccer BR1

Com um pé no futebol, por que não os dois? Em meados do ano passado, os sócios do BMG criaram o fundo de investimento SOccer BR1, para operar a compra e venda de jogadores.  O BMG é cotista único do fundo, no qual investiu até agora perto de R$ 50 milhões. Não é dono sozinho do direito econômico de nenhum dos 60 jogadores que possui – seu modelo de negócios privilegia as participações, nunca superiores a 50%. Dessa forma, garante o interesse de outros sócios na venda do atleta, incluindo prioritariamente o clube onde ele atua. “Não adianta investir 100%, porque na hora de vender o cartola diz ‘Poxa, vou criar um desgaste com a torcida e não vou levar nada?’ Aí, faz de tudo para barrar a negociação”, afirma Ricardo Guimarães.

[...]

Segundo Guimarães, o fundo tem “60% de atletas reconhecíveis por alguém que entende de futebol e 40% de jovens apostas”. Até agora, o banco já negociou 13 jogadores, com retorno médio 60% superior ao valor pago na compra. Do Cruzeiro, o BMG vendeu GIl e Henrique. Do Corinthians, Dentinho e Elias. “É mais ou menos como ação em bolsa de valores. Se um jogador aumenta o valor e você não realiza, pode perder a oportunidade”.

Segunda divisão com o Atlético-MG

“Quando o time caiu, a torcida foi para a porta do meu prédio exigindo que eu saísse. Recebi ameaças e telefonemas anônimos. Fizeram passeatas no centro e o meu enterro simbólico. São coisas desagradáveis”, diz Ricardo Guimarães.

Mensalão

Ricardo Guimarães chegou à presidência do banco em 2005, quando presidia o Atlético-MG. Não chegou em boa hora – no mesmo ano, o escândalo do mensalão acabaria por envolver o banco, que havia feito um empréstimo de R$ 10 milhões para Cristiano Paz e Marcos Valério, sócios da agência de propaganda SMP&B.  “Eu mesmo, pessoalmente, validei o empréstimo, que era absolutamente normal e tinha todas as garantias. Mandei emprestar o dinheiro e o que mais quisessem“, afirma Flávio Guimarães [pai do Ricardo]. Os sócios do BMG não estão entre os 38 réus que serão julgados pelo STF. O BMG, no entanto, continua sendo chamado de “o banco do Mensalão”.

30 de nov. de 2011

Inglaterra x Irã. Segue o jogo de sedução.


Como prometido pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, o Irã já começou a sofrer as “sérias consequências” após o ataque de ontem à embaixada britânica em Teerã.
Da BBC:

A Grã-Bretanha vai expulsar todos os diplomatas iranianos de seu território em resposta à invasão de sua embaixada em Teerã, anunciou nesta quarta-feira o chanceler britânico, William Hague.

A invasão da Embaixada britânica, por sua vez, decorre de uma nova rodada de sanções adotadas pela Grã-Bretanha contra o Irã, à luz de relatos de avanços no programa nuclear iraniano.Países ocidentais temem que o programa nuclear iraniano tenha como objetivo construir armas nucleares. Teerã alega, no entanto, que seu projeto tem fins pacíficos.Em meio ao impasse, cresce a pressão contra o Irã, e Hague ordenou, nesta quarta, o fechamento imediato da embaixada iraniana em Londres.Hague disse que as relações bilaterais entre Irã e Grã-Bretanha chegaram a seu nível mais baixo e que levará o assunto ao Conselho de Relações Exteriores da União Europeia.“Discutiremos esses eventos (a invasão da embaixada britânica) e novas ações necessárias diante da continuidade do Irã em perseguir um programa de armas nucleares”, declarou o chanceler.

O Irã já havia decidido expulsar o embaixador britânico de Teerã

A medida da Grã-Bretanha não é uma resposta só aos ataques de ontem.  Na verdade, os britânicos se anteciparam ao Irã no “cospe aqui quem for mais homem”. No último domingo, o parlamento iraniano aprovou uma lei que obriga o seu governo a limitar ainda mais as relações diplomáticas com a Grã Bretanha e a expulsar do país o embaixador britânico.

A sessão dominical que foi entoada por gritos de “Morte à Inglaterra” deixou alguns parlamentares excitados:

“Esse plano deveria ser mais firme e mais forte contra o Reino Unido”,

“O ramo legislativo observa o comportamento do governo britânico, e esse é apenas o início do caminho”
 ”O governo britânico deveria entender que, se insistir em sua postura maldosa, o povo iraniano o socará na boca, exatamente como aconteceu com o ninho de espiões da América, antes de ser aprovado pelas autoridades”

No domingo, o parlamento iraniano decide expulsar o embaixador britânico de Teerã. Na terça-feira, estimulados pela sessão parlamentar dominical, um grupo de iranianos ataca a embaixada da Grã Bretanha em Teerã. Na quarta-feira, a Grã Bretanha expulsa o embaixador iraniano de Londres.

 E amanahã tem mais. Líderes europeus se reunirão em Bruxelas para decidir sobre novas sanções contra o Irã.

Vamos ver até quando se estende esse piscar de olhos, essa língua molhando os lábios, esse cruzar de pernas…esse jogo de sedução entre Irã e o resto mundo. Tomara que demore bastante a irem para os “finalmentes”. O que é muito provável, já que a Rússia ainda não colocou o vestido nem a maquiagem; parece que ainda está na manicure.

29 de nov. de 2011

Iranianos atacam instalações diplomáticas britânicas em Teerã. Capítulo 38 do livro de Ezequiel, sempressa.

Manifestantes atacam representações britânicas no Irã

Reuters

Manifestantes iranianos atacaram na terça-feira duas instalações diplomáticas da Grã-Bretanha em Teerã, num protesto contra novas sanções impostas por Londres ao programa nuclear da República Islâmica.

Os manifestantes quebraram vidraças, atiraram bombas caseiras e queimaram a bandeira britânica durante o protesto, que parece ser parte de uma disputa política interna no regime iraniano – o Parlamento, dominado por conservadores, vem tentando obrigar o presidente Mahmoud Ahmadinejad a expulsar o embaixador britânico.

Na semana passada, vários governos ocidentais – inclusive a Grã-Bretanha – impuseram novas sanções ao Irã por causa de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) que corrobora as suspeitas dos EUA e de seus aliados de que Teerã estaria desenvolvendo secretamente uma arma nuclear.

O Irã nega, dizendo que suas atividades estão voltadas apenas para a geração de energia com fins civis.


Centenas de pessoas se reuniram diante da embaixada britânica, no centro de Teerã, para protestar contra as sanções. Algumas dezenas de manifestantes pularam a cerca, quebraram o cadeado e entraram no edifício.

Eles arrancaram a bandeira britânica e a queimaram, colocando a bandeira iraniana no lugar, conforme fotos e relatos na imprensa local. Dentro da embaixada, eles quebraram janelas da ala funcional e da ala residencial, e incendiaram um carro.

A TV estatal mostrou um manifestante arrancando um retrato emoldurado da rainha Elizabeth. Outros apareceram em fotos da agência Fars saindo pelo portão com adornos do brasão real.


“Responsabilizamos o governo iraniano por seu fracasso em tomar as medidas adequadas para proteger nossa embaixada, conforme se exige”, disse Hague em nota. “Claramente haverá outras sérias consequências.”

Os Estados Unidos condenaram “nos mais duros termos” a invasão da embaixada e aconselharam o Irã a processar os responsáveis. A União Europeia e vários dos seus países membros também condenaram o ataque.

Uma fonte oficial negou que o governo iraniano tenha organizado o incidente.

Intrigante como os fatos se sucedem como peças que  vão se encaixando num grande quebra-cabeça. O Irã está cada vez mais seguro do poderio bélico da Rússia e assim, cada vez menos discreto, vai cumprindo seu papel nessa brincadeira dos “anjos da guerra”.

A pergunta que ninguém responde é “quando?” e, provavelmente, vai demorar  mais do que muitos protagonistas desejam. Afinal, em 2018 teremos Copa do Mundo na Rússia. Mas o desenho está pronto e até nítido. Quem não entendeu, dê uma lida no capítulo 38 do livro de Ezequiel.

ONU inventa relatório sobre a Síria e "abre os olhos" do mundo.

Imagine você na sexta, sétima série do Ensino Fundamental…aprendendo sobre a ONU, essa coisa que os  encenadores da II Guerra Mundial criaram para resolver os problemas da humanidade. 

Com que senso de respeitabilidade você ouviria falar sobre um Relatório feito pela – olha como o nome é potente -  Organização das Nações Unidas! (Fala verdade, quando você ouviu esse nome pela primeira vez, você acreditou que o mundo dos grandes políticos, grandes estadistas, grandes diplomatas era coisa séria, não é?)

Então…ontem a ONU – essa coisa estranha – divulgou por aí um desses relatórios. Você já imaginou se a sua professora do Ensino Fundamental te desse um trabalho parecido com esse: fazer um relatório sobre…é…sobre quantas crianças, do seu bairro, entre 8 e 10 anos não têm bicicleta. Pronto! Com que responsabilidade você encararia essa tarefa? Lembre-se que um trabalho desse, se bem feito, pode lhe render um emprego na ONU futuramente; seu sonho. Você levaria o negócio a sério, tenho certeza.

Mas o pessoal da ONU, não. Faz um relatório sobre uma guerra  – civil na Síria – assim…de qualquer jeito; e anunciam a coisa como se um grupo de cientistas revelasse o resultado de um trabalho de décadas.

Não, nenhum dos relatores da Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU esteve na Síria nos últimos 10 meses mas o tal Relatório Independente está pronto e com números “precisos”. Diz, por exemplo, que desde o início do Relatório, em Março, até a conclusão, em 9 de Novembro, 256 crianças foram mortas por responsabilidade do governo de Bashar Assad, o ditador que parte da população quer ver seguindo o mesmo rumo de Ben Ali (Tunísia), Hosni Mubarak (Egito) ou pior, Muammar Kadafi (Líbia).

Todo o conteúdo do pomposo Relatório Independente teve como fonte entrevista com 223 pessoas. Que pessoas são essas? Paulo Sérgio Pinheiro disse que não pode revelar “por questão de segurança”, citou Skype, twitter e telefone como meios de obter informação e justificou bem: ” Não tivemos acesso à Síria; tivemos acesso à informação”. Bonito mas de paupérrimo para um Relatório de uma Comissão da Organizações das Nações Unidas, você não acha?

Mas Paulo César Pinheiro foi honesto, pelo menos, numa dessas muitas entrevistas que deu ontem à imprensa brasileira: “O objetivo do Relatório é dar visibilidade ao que está acontecendo na Síria”.

Ah, bom! Então, se é por uma causa nobre, vale a pena inventar um Relatório. Concordo. Só não sei porquê – mas desconfio muito – o mundo precisa de um Relatório da ONU pra dar mais atenção a um país onde as pessoas estão se matando.

Mas eu entendi. Agora, o mundo todo está sabendo que na Síria pratricam crimes contra a humanidade (só porque a ONU avisou) e agora aquela turma nobre que cuida dos Direituzumanus já pode fazer alguma coisa pelos  cadáveres sírios.

Ah, e aquela turma não menos nobre do Conselho de Segurança, também, já pode decidir: deixam os sírios se matando enquanto alguns se divertem e outros ignoram ou chegou a hora de apimentar ainda mais aquela apaixonante relação Estados Unidos x Rússia…?

Eu estou apostando. Um lado vai começar a dizer que é hora de uma intervenção na Síria. O outro vai fingir discordar e aí…quem viver verá.

Será que dessa vez, finalmente, vamos conseguir esclarer o capítulo 17 do livro de Isaías?

28 de nov. de 2011

Cruzeiro na segunda divisão? Quem é o roteirista?

Nem um vidente previu. Não apareceu em nem uma bola de cristal nem nos búzios nem no tarô.  Em 2011, o Cruzeiro surpreendeu até o destino.

Se quem tem contato e contrato com o além comeu mosca, imagine o distraído torcedor… Nem o cruzeirense mais pessimista nem o atleticano mais otimista apostariam um  centavo sequer que 04 de Dezembro de 2011 pode ficar marcado como…

Como o quê? Como a experiência mais intensa de suas vidas. Sem exageros, no próximo domingo, muita gente vai viver e vai morrer a maior emoção de suas vidas. E, por enquanto, não dá tempo nem de discutir se uma vida que vive no futebol sua maior e mais intensa emoção merece ser vivida.

Domingo, não é só mais um, é o  “O jogo mais importante” da história do Cruzeiro e  o “O jogo mais importante” da vida de todos os cruzeirenses. Um único jogo que poderá ferir 90 anos de orgulho.

Para o Atlético-MG, também, é “O jogo mais importante” de sua história, a chance de conquistar o maior título em seus 103 anos de existência: rebaixar o Cruzeiro. E  para os atleticanos é a grande chance de sarar os tantos anos de orgulho ferido.

Quem é o roteirista desse drama que de repente, sem que ninguém se desse conta, coloca a vida de milhões de cruzeirenses e atleticanos  e a história dos dois clubes em jogo num único jogo?

Eu tenho um palpite pra esse roteirista. O final dessa trama será muito mais emocionante, muito mais inteligente e fará muito mais sucesso se o Cruzeiro não cair para a Segunda Divisão.  Ainda mais depois que o Cruzeiro ficou sem Fábio e Montillo para esse último jogo. Quase ninguém acredita no Cruzeiro. Perfeito, para um final feliz!

21 de nov. de 2011

Cruzeiro 1 x 1 Atlético-PR. É melhor ser alegre que ser triste.

Foi mais uma atuação histórica nessa sequência histórica. Ah, se alguém tivesse filmado todos os, aproximadamente, 4500 jogos nesses 90 anos de história do Cruzeiro! Eu assistiria todos só para provar o que eu tenho certeza: o Cruzeiro nunca teve um time tão tosco, tão medíocre (na prática) como esse.


Hoje foi até menos constrangedor do que nos outros jogos. Até porque o adversário, também, é muito ruim e não conseguiu colocar o Cruzeiro “na roda” como fizeram os outros.

Mas como se não bastasse a mediocridade técnica, a desorientação tática e o capenga condicionamento físico das outras vezes, hoje ocorreram 3 lances gloriosos. Dois no lance que culminou com o gol do Atlético: mais uma cagada do Diego Renan e mais uma lerdada do Marquinhos Paraná que, simplesmente, ficou apreciando o atacante rubro-negro fazer o gol como quem observa uma folha soprada pelo vento. O mesmo Marquinhos Paraná que, no segundo tempo, sozinho, caiu sobre a bola como um sonâmbulo que acorda à noite para ir ao banheiro e cai com a bunda no pinico antes de arriar as calças.

Gente…na boa! É melhor rir pra não chorar ou como dizia Vinícius de Moraes, é melhor ser alegre que ser triste. Porque se o sujeito for levar isso “a sério”, ele morre ou de enfarto ou de desgosto ou de queda do 20° andar ou de corda no pescoço.

E eu já deixei bem claro para os cruzeirenses com os quais eu convivo: se alguém ameaçar morrer, caso o Cruzeiro consiga o que tem feito por merecer há muito tempo (ser rebaixado), eu dou o maior incentivo.
Mas deixemos esse meu tom exagerado (baseado numa “bobagem” que ouvi hoje de um conhecido). Quem quiser sofrer com dignidade, fica aqui a dica:

Hoje faz 20 anos da conquista da Supercopa dos Campeões da Libertadores de 1991. Quem quiser ver ou rever a final, taí. Eu revi ontem. Foi praticamente uma sessão de regressão. Senti a emoção, o cheiro, as cores… eu, meu irmão e meu pai ouvindo o jogo naquela noite histórica de 20 de Novembro de 1991. Eu tinha 9 anos. Minha mais pura e genuina emoçãocomo cruzeirense.

15 de nov. de 2011

O advogado do Zezé Perrella.

Ninguém espera que as acusações de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e evasão de divisas contra o Senador e, ainda, presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, sejam logo, devidamente, esclarecidas. Mesmo quem não faz a menor idéia dos trâmites do processo, sabe que casos como esse, envolvendo gente graúda como esse,  são arrastados preguiçosamente por anos e anos e anos.

Mas sejamos otimistas! Imaginemos que o STF autorize, logo, a abertura dos inquéritos contra o Senador. O que você espera – torce ou acredita – que vai ser apurado? Zezé Perrella é, mesmo, um ladrãozão ou só mais uma vítima no “país do denuncismo”? (Em Julho desse ano, Zezé disse à Folha: “Me sinto no país do denuncismo”).

Zezé vive dizendo que não teme nenhuma investigação, que ser investigado não é crime e que não teria nenhum problema em abrir mão do foro privilegiado a que tem direito como Senador.

Talvez, ele, durma, mesmo, com a consciência tranquila e não tenha cometido nenhum desse crimes.

Mas…vamos nos permitir exercitar a imaginação um pouquinho. Admitamos que Zezé Perrella é, mesmo, um ladrãozão e que possíveis investigações da PF e dos MPs o deixe em condição de réu perante a Justiça.
“Oh! E agora, quem poderá me defender?”. Essa pergunta Zezé já se fez há muito tempo e o Chapolin Colorado não caiu na frente dele.

Zezé está muito bem de advogado. Trata-se do mineiro, cruzeirense, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay,  retratado na última edição da Revista Piauí como O Protetor dos Poderosos que “faz o impossível para que Brasília funcione direito”.

Kakay é daqueles caras que podem ser chamados de “o cara”. Veja essa parte da matéria assinada por Daniela Pinheiro:

“Quem contrata Kakay – apelido que Almeida Castro cunhou para si mesmo, inventando até a grafia – compra um pacote raro no mercado jurídico. Ele faz a defesa técnica e atua também como assessor de imprensa, perito em imagem e especialista em regimento do Congresso, alem de ser frequentador de Comissões Parlamentares de Inquérito, íntimo de ministros e chefes de partido, interlocutor de jornalistas respeitados, amigo de empresários biliardários e expert nos códigos do poder brasiliense.
Em trinta anos de profissão, ele contou ter defendido dois presidentes (José Sarney e Itamar Franco), um vice (Marco Maciel), cinco presidentes de partido (simultaneamente), quarenta governadores (em períodos diversos), dezenas de parlamentares (atualmente são quinze senadores) e uma penca de ministros (no governo de Fernando Henrique Cardoso foram treze; no de Luiz Inácio Lula da Silva, três; no de Dila, dois). No mês passado, acrescentou à freguesia um ex-governador, um presidente de Assembléia Legislativa e um juiz de Tribunal de Contas estadual.

A capilaridade prossegue na iniciativa privada. De seu portfólio constam empreiteiras (Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS), bancos (Sofisa, BMG, Pine), banqueiros (Daniel Dantas, Salvatore Cacciola, Joseph Safra), empresário de renome internacional e milionários provincianos, todos num momento ou outro enrolados com a Justiça.”

Seu mais novo cliente é o ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva. Um caso que no final da matéria ele resumiu assim: “Politicamente, a permanência dele era insustentável mas, juridicamente, o caso é fácil. Na verdade, o processo agora toma um leito normal. Para dvogar é melhor, mas perde a adrenalina que eu gosto”.

Das 5 páginas preenchidas pela matéria, Zezé Perrela aparece numa ligação telefônica numa manhã em que a jornalista esteve no escritório do advogado:

“Eram onze da manhã e Kakay estava no escritório, decorado com inúmeras fotos (ele e Lula, ele e Sarney, ele e ACM, ele e Roberto Carlos) e uma gigantesca obra cilíndrica, de um artista plástico mineiro. Usava uma calça preta, sandália Crocs da mesma cor e uma camiseta amarelo-canário com o símbolo de seu time, o Cruzeiro.

O celular tocou, ele checou quem chamava e atendeu com a voz entusiasmada. “Meu governador preferido, tá bom”, disse. Dois minutos depois, outra chamada. Era o senador Zezé Perrella, cartola do Cruzeiro, acusado, entre outros crimes, de enriquecimento ilícito. Antes de desligar, o advogado brincou: “Se o Cruzeiro for rebaixado, eu perco seu prazo, hein Zezé?”

Confesso minha ignorância: não entendi esse “perco seu prazo”. Mas uma coisa ficou clara: Zezé Perrela tem motivos para “não temer nada”. Está muito bem de advogado.