15 de nov. de 2011

Cruzeiro 1 x 1 Internacional. Foi a camisa branca?


Lá pelos anos 90, eu acreditava, muito, que a camisa branca dava sorte ao Cruzeiro. Uma supertiçãozinha que eu me permitia alimentar. Baseada em alguns resultados, como por exemplo:
  • Cruzeiro 8 x 0 Nacional (COL) pela Supercopa de 1992
  • Cruzeiro 2 x 1 Grêmio – final da Copa do Brasil de 1993
  • Boca Jrs. 1 x 2 Cruzeiro – Libertadores de 1994
  • Palmeiras 2 x 3 Cruzeiro – 3° jogo das 4as de final Brasileiro de 1998
  • Cruzeiro 3 x 1 Portuguesa – 1° jogo semi-final Camp.Brasileiro de 1998
  • Portuguesa 0 x 1 Cruzeiro – 3° jogo semi-final do Brasileiro de 1998
Entre vários outros. Com o tempo eu fui deixando isso de lado e sei que hoje é possível fazer uma grande lista com as derrotas do Cruzeiro jogando com a camisa branca. Nesse Campeonato, por exemplo, o Cruzeiro perdeu de 2 x 0 para o Grêmio em Porto Alegre.

Mas é aquela coisa, né? Em momentos de desespero, a gente acaba se apegando ao que tem. E ontem era um dia desses.

O Cruzeiro é o pior time do Campeonato há pelo menos 14 rodadas. Seja qual for o adversário, em qualquer estádio, o time não inspira nenhuma confiança, racional, em uma vitória.
Então, “vamos” de camisa branca, a pedido dos jogadores, pra mudar…sei lá…qualquer coisa. E lá foi o Cruzeiro…

Com menos de 1 minuto, o Internacional chegou com perigo. E continuou melhor, com mais qualidade técnica, melhor condicionamento físico e mais equilíbrio emocional durante o jogo inteiro.

O Cruzeiro, com uma disposição, uma entrega comovente. Nada que fizesse diferença, se o Inter não tivesse perdido tantos gols, muito, também, por conta de uma atuação perfeita do goleiro Fábio.

Ah, se o Inter tivesse empatado o jogo…Teria virado goleada, como contra o Flamengo?

Não interessa. O que interessa hoje é ter abrido 2 pontos do Ceará e ter tornado mais possível e mais provável evitar a queda para a segunda divisão com o pior time do clube nos últimos 24 anos.

10 de nov. de 2011

Neymar, a jóia do banco Brasil.

Para o país que sedia, Copa do Mundo é coisa muito séria. Seríssima. São muuuuitos interesses, muuuuuitos interessados envolvidos.

Não dá pra não ser sucesso. Tem que dar certo.

E o que fazer para evitar o fracasso?

Tudo que for possível. De acordo com as peculiaridades de cada país.

Mesmo que várias teorias, verdades, valores e mitos arquitetados na primeira década do século XX já tenham sido jogados na vala da História, alguns ainda zumbizeiam por aí.

Por exemplo? “O Brasil é o país do futebol”.

Quando éramos, ainda, um país sem  identidade, até que foi interessante. Eu diria, até, brilhante. Honras à memória dos socio-antropólogos que fizeram do Brasil o país do futebol e do samba. Mas voltemos a 2011…

O que há de Copa do Mundo no espírito, na alma e no coração do povo do país do futebol?

Não tenho certeza. Mas, sem generalizações, eu desconfio que, pelo menos da maioria, não é nada que contribua para o sucesso da importantíssima, coisa séria, Copa do Mundo.

OK! Eu até concordo que obras super faturadas, que estádios que não serão utilizados depois de 2014, que exigências “absurdas” da FIFA… tudo isso vai ser deixado de lado com a aproximação do evento.

Mas e até lá? O que vão fazer para garantir o sucesso da importantíssima, seríssima Copa do Mundo?

Uma Copa do Mundo não acontece só durante os 30 dias entre os jogos. Seu sucesso depende de diversos fatores desde o dia do anúncio da sede.

E o que existe hoje, no final de 2011, além das certezas de superfaturamento, de futuros “elefantes brancos”, de twitaços anti-Ricardo Teixeira, de gritinhos pela “soberania nacional contra as exigências da FIFA?

Fácil. Existe um “país do futebol” com um futebol pobre. Com uma Seleção digna de “país do UFC”. Pobre, fundamentalmente, de ícones, de garotos-propaganda, de ídolos.

E quem é o Messias?

Ora! Neymar, claro.

Não é só o Santos e os santistas que querem que o rapaz permaneça no clube. São, principalmente, todos os interesses no sucesso da importantíssima, seríssima Copa do Mundo.

Vale muito. Vale tudo. A permanência do Neymar até 2014 no Brasil é questão de Segurança Nacional e Interesse Internacional.

Luiz Álvaro e seus sócios podem ser competentíssimos. A crise econômica na Europa pode ter seu peso. Mas Neymar só vai ficar no Brasil até 2014 porque, hoje, ele é a única imagem capaz de abrir um clarão nessa sombra escura que cobre tudo que diz respeito à importantíssima, seríssima Copa do Mundo de 2014.
Ou eu escrevi muito e não expliquei nada?

7 de nov. de 2011

Cinegrafista da Band. Mais uma vítima da espetacularização da violência.

Os colegas de profissão dizem lamentar. Todas as Associações cumpriram o protocolo, divulgando notas lamentando a morte, se solidarizando com a família. A emissora, também, cumpriu o protocolo e se defendeu destacando que “o funcionário estava de colete à prova de balas – modelo permitido pelas Forças Armadas, sempre usados por profissionais da Band em situações como esta”.

Mas a morte foi ontem. Hoje, Gelson Domingos é só estatística.

Até porque nenhum “especialista”, nenhum colega de profissão, nenhuma Associação ousou questionar o tal “papel da imprensa” na guerra diária entre policiais e bandidos.

Afinal, estão todos convencidos, seguros, anestesiados de que um repórter no meio de um tiroteiro é uma atividade nobre, um serviço de utilidade pública: estão nos mantendo informados.

Uma ova!!!

Tudo não passa de uma estúpida guerra pela audiência, uma boçal espetacularização da violência.Tudo plenamente justificado pela…audiência… de estúpidos.

Mas, claro, é preciso considerar que um repórter que participa da guerra diária entre bandidos e policiais, não é vítima só do estúpido telespectador/ouvinte/leitor e do seu empregador.

Muitos são, além dos outros, vítimas de si mesmos. São “apaixonados” pelo que fazem e consideram a coisa mais importante do mundo o registro de uma imagem, de uma declaração, principalmente, em situações de risco.

Mas talvez o melhor seja, mesmo, ficar com a sensação de que foi apenas um caso isolado e que a morte de “só mais um” não justifique a reflexão.

6 de nov. de 2011

Flamengo 5 x 1 Cruzeiro. Muita calma nessa hora!

Eu não vou fazer nenhuma lista de “culpados”. Não vou participar de nenhum protesto em aeroporto, em frente à sede ou no portão do centro de treinamento. Nem de algum twitaço que inicie alguma “revolução”.

O máximo que eu me disponho a fazer, coletivamente, é participar de alguma votação para escolher o nome do Zezé Perrela, já que ele prometeu mudar de nome caso o Cruzeiro caia para a segunda divisão.

Mas quem disse que o Cruzeiro vai cair para a segunda divisão?

Eu, também. Tenho repetido isso entre amigos, inimigos e indiferentes desde a derrota para o Santos  ainda na 4° rodada do returno.

Baseado em quê? Intuição. Pressentimento.

Mas o Campeonato ainda não acabou.


Promessa? A única que faço é não ficar falando isso por aí, entre inimigos e indiferentes. Porque hoje eu quase apanhei de uma turma de…cruzeirenses que não aceitavam  assistir ao jogo de hoje com “pessimistas”, “mau agouros” entre eles.

Saí antes do jogo começar. Sem nenhuma mágoa. Pelo contrário. Até com um certo contentamento por constatar, mais uma vez, que a boçalidade, também, é imortal.

É impossível evitar um sorriso, quando se vê torcedores de futebol num eterno  processo de autoafirmação. Estão sempre tentando provar que são melhores que os outros; inclusive em relação a torcedores do mesmo clube.

Talvez, o time tenha tomado mais essa tamancada por falta de mais “energia positiva”, mais “otimismo”. Aff!!!
Talvez, a solução seja deixar só os “cruzeirenses de verdade”, os que “acreditam sempre”, os “iluminados”, de “energia positiva” assistirem aos próximos jogos.

Afinal, os clubes caem, ou não, sobem, ou não, de divisão. A boçalidade, não. Essa, também, recebe faixas e participa do desfile das campéãs todos os dias.

2 de nov. de 2011

A despedida de Rubem Alves da Folha.

Não sou assinante da Folha nem do UOL. Também, por isso, não li ontem a despedida do Rubem Alves. Como as versões digitais não deram destaque ao Acontecimento (na versão impressa da Folha, estava na 1° página) só fiquei sabendo no final da tarde quando não havia mais Folha nas bancas mais próximas (tão longe) de casa. Hoje, consegui a Folha de ontem numa dessas bancas.

Não vou nem justificar o porquê desse registro. Quem conhece Rubem Alves, compreenderá. Quem não conhece…antes tarde do que mais tarde.

Despedida

Rubem Alves – Folha de São Paulo 01/11/2011

Essa crônica é uma despedida. Resolvi, por decisão própria, parar de escrever em Cotidiano.

Devo ter perdido o juízo. Minha decisão contraria um dos dois maiores sonhos de cada escritor. Primeiro, o sonho de ser um best-seller. Encontrar algum livro seu nas prateleiras da livraria Laselva, nos aeroportos. Confesso: sou vítima dessa vaidade. Mas não aprendo a lição. Nos aeroportos, vou sempre visitar a Laselva na esperança de lá encontrar um dos meus livros. Saio sempre desapontado.

O outro sonho dos escritores é ter seus textos publicados num jornal importante: ser lido por milhares de leitores. O que significa reconhecimento duplo: do jornal que os publica e dos leitores. Isso faz muito bem para o ego. Todo escritor tem uma pitada de narcisismo.

Fernando Pessoa tem um poema que diz assim: “Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas…” E ele se pergunta se “não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas…” Respondo: Sim. Há um cansaço. A velhice é o tempo do cansaço de todas as coisas. Estou velho. Estou cansado. Já escrevi muito. Mas, agora, meus 78 anos estão pesando. E como acontece com as estrelas, há sempre a obrigação de brilhar.

A obrigação: é isso o que pesa. Quereria ser capaz de viver um poeminha do Fernando Pessoa: “Ah, a frescura na face de não cumprir um dever… Que refúgio o não se poder ter confiança em nós…” Perco o sono atormentado por deveres, pensando no que tenho de escrever. Sinto -pode ser que não seja assim, mas é assim que eu sinto-que já disse tudo. Não tenho novidades a escrever. Mas tenho a obrigação de escrever quando minha vontade é não escrever.

Não é qualquer coisa que se pode publicar num jornal. O próprio nome está dizendo: “jornal”, do latim “diurnalis”; de “dies”, dia, diurno; o que acontece no dia; diário.

O tempo dos jornais é o hoje, as presenças. Mas minha alma é movida pelas ausências: nos jornais, não há lugar para ressurreições.

Acho que aconteceu comigo coisa parecida com o que aconteceu com a Cecília Meireles. Escrevendo sobre ela, Drummond falou o seguinte: “Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me sempre a impressão de que ela não estava onde nós a víamos… Por onde erraria a verdadeira Cecília, que, respondendo à indagação de um curioso, admitiu ser seu principal defeito ‘uma certa ausência do mundo’”?

Deve ser alguma doença que ataca preferencialmente os velhos e os poetas. A Cecília descrevia o tempo da sua avó com “uma ausência que se demorava”. E Rilke se perguntava: “Quem assim nos fascinou para que tivéssemos um olhar de despedida em tudo o que fazemos?” O sintoma dessa doença é aquilo que a Cecília disse: uma certa ausência do mundo.

O místico Ângelus Silésius já havia notado que temos dois olhos, cada um deles vendo mundos diferentes: “Temos dois olhos. Com um, vemos as coisas do tempo, efêmeras, que desaparecem. Com o outro, vemos as coisas da alma, eternas, que permanecem”. Jornais são seres do tempo. Notícias: coisas do dia, que amanhã estarão mortas.

E é por isso vou parar de escrever: porque estou velho, porque estou cansado, porque minha alma anda pelos caminhos do Robert Frost, porque quero me livrar dos malditos deveres que me dão ordens desde que me conheço por gente…

1 de nov. de 2011

Lula politiza o câncer e se defende de seus defensores.

Não é preciso ser um expert em comportamento humano para prever a postura de alguns em determinadas circunstâncias.

Principalmente quando de trata da postura assumida de acordo com alguns papéis sociais.

Lula é casado com a Política e sabe que ela exige fidelidade na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. E Lula não cumpre esse dever com sacrifício. Cumpre com prazer. Se para o bem ou para o mau, não me interessa, pelo menos, por aqui.

Foi isso que eu quis dizer no post anterior, quando, pretensamente, o defendi de seus defensores contra a campanha “Lula, vai se tratar no SUS!”.

Uma campanha política, num momento delicado do ser humano Luiz Inácio Lula da Silva. Uma campanha tão infeliz ou feliz quanto qualquer discurso elogioso ao Sistema Único de Saúde feito pelo próprio Lula enquanto presidente da República.

Só os “espíritos evoluídos”, os falsos moralistas e os intelectualmente desonestos poderiam, mesmo, sair em defesa do ser humano Luiz Inácio contra o político Lula.

Está aí em baixo: “Lula não carece desses espíritos evoluídos que sairam correndo tentando agarrar a Ética pelo rabo pra que ela se pronunciasse contra a campanha Lula vai se tratar no SUS!”.

E hoje, Lula deu uma banana para esses “espíritos evoluídos”.  Politizou a doença que lhe acometeu para deixar uma mensagem política de otimismo ao “povo brasileiro”.

“Eu acho que a gente precisa continuar acreditando no Brasil, botando fé nesse país. Será inexorável o caminho do país pra se transformar numa grande economia.
[...]
Acreditar na presidenta, ajudá-la. Porque é assim que o Brasil vai pra frente. Não existe espaço pra pessimismo. Não existe espaço pra ficar lamentando que “ah, hoje o dia não foi bom!”.
Se o dia não foi bom, a gente faz ele ficar melhor amanhã.

Nós temos que lutar. Afinal de contas, foi pra isso que eu vim pra Terra; pra lutar, pra melhorar a vida de todo mundo”.

Eu fico constrangido pelos que com as melhores e as piores das intenções sairam dando liçao de moral nos outros, achando que era hora de separar o político do ser humano e que “Lula, vai se tratar no SUS” era uma provocação mesquinha e fora de hora.

Lula, claro, como ótimo político, não fez citações à provocação mas deixou bem claro que é que com muito prazer que ele se mantém fiel à Política na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.
Ou alguém ainda vai fingir que não entendeu o recado?

31 de out. de 2011

Lula, o câncer, o SUS e o casamento.

Quem é casado com a Política sabe que ela exige fidelidade na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.

Lula não carece  desses “espíritos evoluídos” que saíram correndo tentando agarrar a Ética pelo rabo para que ela se pronunciasse contra a campanha “Lula, vai se tratar no SUS”.

Como a Ética estava fazendo amor com a Preguiça, os “espíritos evoluídos” se juntaram aos falsos moralistas e aos intelectualmente-desonestos e estão por aí dando lição de moral no mundo.

Como é lindo, nesses momentos delicados, ver gente se esforçando para parecer bom, parecer mais esclarecido, espiritualmente mais evoluído.

E a Política lá, nua, na janela do último andar, fumando um cigarro e observando tudo, segura da fidelidade de seu amado.

25 de out. de 2011

Violência e Corrupção. Sem temor a Deus, vergonha da opinião alheia e medo da Justiça.


Sem mais delongas. Não é preciso uma introdução para justificar esse post. Afinal, por quê tanta violência, por quê tanta corrupção? E soluções? Existem? Quais?

TEMOR A DEUS

Até mesmo ateus menos inseguros admitem o “lado bom” da fé no Sobrenatural. Quem crê em Deus  tende a, pelo menos, lutar contra seus instintos para cumprir os Mandamentos
 
_ Amar o próximo como a ti mesmo

_Não matar

_Não furtar

Afinal, para os que não cumprem esses Mandamentos sobrevem castigos, podendo culminar com O Castigo Eterno que é a condenação ao Inferno.

Mas por vários motivos, mesmo entre os que nunca ouviram Nietszche anunciar que “Deus está morto”, o temor aos castigos de Deus não é um sentimento identificado em nenhuma estatística de pesquisas de comportamento.

Sem esse domador de instintos, essa referência moral o que nos resta?

VERGONHA DA OPINIÃO ALHEIA

Também na nossa sociedade, mesmo entre quem nunca ouviu falar no grego aidos ou algum similar japonês, já foi mais comum pessoas pautarem suas ações baseado no julgamento de outras pessoas. Ser descoberto ladrão, corrupto, assassino, “safado”, “sem vergonha” matava gente de vergonha. O sujeito tinha vergonha não só por ele mas também pela família.

Isso,também, por vários motivos, mudou muito. Hoje o que não falta é quem sinta orgulho de ser ladrão, corrupto, assassino, “safado”,”sem vergonha”. Nem esperam serem descobertos. Fazem questão de mostrar o que são. Pra muitos é questão de status social, sinal de coragem, esperteza, de poder.

Sem esse domador de instintos, essa referência moral o que nos resta?
 
MEDO DA JUSTIÇA

 Ok! Não têm medo de Deus nem vergonha da opinião alheia. Assim, o que fazer se Homo homini lupus? Ah, o sistema, o Estado, o Direito, as leis, a Justiça.

Mas também isso não tem funcionado. Cada vez mais, ações são motivadas pela falta de receio das conseqüências previstas nos conjuntos de normas jurídicas.

Sem esse domador de instinto, essa referência para o bem estar social o que nos resta?

21 de out. de 2011

A morte de Muammar Khadafi é mais um estupro da criança Política.

Não estou nenhum pouco interessado nos conceitos que os pensadores que  se ocuparam de conceituar a Política lhe deram. Não tirarei nenhum Platão nenhum Russel nenhum Hobbes nenhum Maquiavel da estante. Tão pouco me interessa a tradução etmológica da palavra.

O que eu gostaria, mesmo, de saber é quem são a mãe e o pai dessa criança chamada Política. Porque desde que foi parida, ela tem sido estuprada. São séculos e séculos de agonia, de sofrimento de TERROR. Todo santo ou malígno dia, reis, princípes, presidentes, primeiro-ministros, governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores, ditadores, mandatários de qualquer denominação a amolestam, a abusam, a rasgam, a sangram. E não há ninguém, ABSOLUTAMENTE NINGUÉM, que lhe socorra.

Tão ou mais sujos, mais perversos, mais desgraçados que seus estupradores, são filósofos, cientistas políticos e jornalistas. São frios, equilibrados, profissionais.

Enquanto a criança Política berra e sangra sua dor, filósofos apenas a observam e se masturbam enquanto o cérebro articula uma nova teoria.

Cientistas políticos se deliciam só pra terem o prazer de sairem por aí dizendo que entenderam tudo que têm uma explicação.

Jornalistas, ah, os jornalistas, cumprem seus papéis com a maior desfaçatez (falta de vergonha, impudência, descaramento) mostram tudo. Em TVs,  jornais, revistas, sites, blogs e redes sociais saem  anunciando: “VEJAM! A CRIANÇA FOI ESTUPRADA DE NOVO! OLHEM AQUI O SANGUE, AS MARCAS, OS RASGOS…” E lamentam: “É uma pena que ainda não possamos transmitir para você leitor, telespectador, navegante, seguidor, curtidor a sensação da dor, do terror, do estupro.

Ah, criança Política! Quem foi a puta que te pariu? Quem lhe deu às trevas? Quem foram esses infelizes que não te cuidaram, que te abandoram ao azar de ser tutelada por esses homens e mulheres de Estado de estado tão perverso?

Será você filha da Enganação, aquela que promete soluções para todos os problemas do mundo e só provoca mais confusão?

Ah, criança Política! Os homens e mulheres de Estado te condenaram à tribulação eterna. Vão te violentar todos os dias. Você nunca vai desenvolver, nunca vai crescer, vai ser eternamente criança abusada e continuará sendo, todos os dias, anunciada por todos esses homens e mulheres de Estado como meio de solução. Mas você criança Política é apenas um mero objeto.

Ontem Muammar Khadafi foi assassinado na Líbia. Homens e mulheres de Estado comemoraram, comentaram o feito em tom de esperança. Filósofos filosofaram. Cientistas políticos explicaram. Jornalistas mostraram.

Mais uma vez a criança Política foi estuprada. Imagens e discursos aterrorizantes  fizeram o espírito do inferno habitar a Terra

Mais uma vez, você criança Política  não serviu para resolver, para evitar, para esclarecer, para amenizar. 

Talvez você não saiba mas homens e mulheres de Estado, filósofos, cientistas políticos e jornalistas te anunciam para estes fins nobres. Mas eu sei que nesse estado que te mantém, você não pode fazer nada.
Ah, criança política! Eu também não posso fazer nada por você.

15 de out. de 2011

Ô Antricristo cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!

Quem apostou em João Paulo II, perdeu. Provavelmente, tenha sido o que mais se aproximou do perfil ideal mas já voltou ao pó.

Quem apostou no Dalai Lama, já deve ter desistido. Ele já está há muito tempo rodando por aí…perdeu o timing.

Quem apostou no Edir Macedo, subestimou o Anticristo.
Quem apostou no Lula, exagerou no sentimento patriótico.
Quem apostou no Obama, até mandou bem mas perdeu algum detalhe na análise de sua Eleição.
Quem aposta no príncipe William, parece ancioso demais pra identificar, afinal, quem é o cara.

Ansiedade justificada e cada vez mais intensificada com tantas marchas, tantos protestos, tantas revoluções, tanta insegurança ante as crises financeiras.

O espírito dele já está entre nós há muitos séculos. Mas e sua derradeira personificação, cadê? Quem vai anunciar a paz, a estabilidade financeira, asegurança?

Veja o mundo hoje, mr. Anticristo! Me diga se todos esses protestos, todas essas guerras, todo esse descontentamento não te comeve. Veja, ninguém espera mais nada de Jesus, o Cristo.

Essa é sua hora! Cadê você? Saia do armário! Não percebe que todos cantam o mesmo hit: “Ô Anticristo cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!”

6 de out. de 2011

Cruzeiro 3 x 3 São Paulo. Todo doente dá uma melhorada antes de morrer.

Já repararam isso… a pessoa está há um bom tempo naquele morre-não-morre e de repente melhora, enchendo a família e os amigos de esperança. Mas que nada! Era só prá se despedir, fazes “as pazes” com os desafetos, deixar uma boa última impressão.

Uma analogia um tanto exagerada… Mas era essa minha sensação antes mesmo do início do jogo. Estava com um bom pressentimento…achei até que fosse de vitória… contra o São Paulo, contra quem o Cruzeiro, em Campeonato Brasileiro, não ganha nunca…Tanto que mesmo depois do 1 x 2 e do 2 x 3, eu continuei com uma confiança inabalável de que a vitória aconteceria.

Ficou só no  3 x 3 mas deixou a grande maioria com aquela impressão: “Se jogar sempre assim, não cai”.
Eu continuo com a mesma sensação; de que o mundo não acaba antes do Cruzeiro cair para a segunda divisão. Que a minha intuição esteja tão certa como as furadas profecias apocalípticas.

3 de out. de 2011

Impressionante como essa chimpanzé se parece com alguns seres humanos.

Não é o primeiro caso. Essa é de um zoológico  na China que ganhou, hoje, espaço na imprensa do mundo todo.

A macacona passou a fazer suas caridades depois que um furacão atingiu a região onde ela é mantida como atração. O furacão causou stress em várias marmanjonas de outras espécies que passaram a agredir seus próprios filhotes. Além dos tigresinhos das fotos divulgadas, a chimpanzé está cuidando de crias de leoas, leopardas e orangotangas.

A macacona, então, resolveu ser solidária só pra passar a ser bem vista pelas outras espécies, a se sentir melhor do que as fêmeas de sua própria espécie, a ser paparicada e admirada pelos humanos, pra ganhar mais seguidores no twitter, ser mais curtida no facebook  e pra garantir sua salvação no céu prometido pelo deus-chimpanzé.

Impressionante como as chimpanzés se parecem com os seres humanos!