30 de nov. de 2011

Inglaterra x Irã. Segue o jogo de sedução.


Como prometido pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, o Irã já começou a sofrer as “sérias consequências” após o ataque de ontem à embaixada britânica em Teerã.
Da BBC:

A Grã-Bretanha vai expulsar todos os diplomatas iranianos de seu território em resposta à invasão de sua embaixada em Teerã, anunciou nesta quarta-feira o chanceler britânico, William Hague.

A invasão da Embaixada britânica, por sua vez, decorre de uma nova rodada de sanções adotadas pela Grã-Bretanha contra o Irã, à luz de relatos de avanços no programa nuclear iraniano.Países ocidentais temem que o programa nuclear iraniano tenha como objetivo construir armas nucleares. Teerã alega, no entanto, que seu projeto tem fins pacíficos.Em meio ao impasse, cresce a pressão contra o Irã, e Hague ordenou, nesta quarta, o fechamento imediato da embaixada iraniana em Londres.Hague disse que as relações bilaterais entre Irã e Grã-Bretanha chegaram a seu nível mais baixo e que levará o assunto ao Conselho de Relações Exteriores da União Europeia.“Discutiremos esses eventos (a invasão da embaixada britânica) e novas ações necessárias diante da continuidade do Irã em perseguir um programa de armas nucleares”, declarou o chanceler.

O Irã já havia decidido expulsar o embaixador britânico de Teerã

A medida da Grã-Bretanha não é uma resposta só aos ataques de ontem.  Na verdade, os britânicos se anteciparam ao Irã no “cospe aqui quem for mais homem”. No último domingo, o parlamento iraniano aprovou uma lei que obriga o seu governo a limitar ainda mais as relações diplomáticas com a Grã Bretanha e a expulsar do país o embaixador britânico.

A sessão dominical que foi entoada por gritos de “Morte à Inglaterra” deixou alguns parlamentares excitados:

“Esse plano deveria ser mais firme e mais forte contra o Reino Unido”,

“O ramo legislativo observa o comportamento do governo britânico, e esse é apenas o início do caminho”
 ”O governo britânico deveria entender que, se insistir em sua postura maldosa, o povo iraniano o socará na boca, exatamente como aconteceu com o ninho de espiões da América, antes de ser aprovado pelas autoridades”

No domingo, o parlamento iraniano decide expulsar o embaixador britânico de Teerã. Na terça-feira, estimulados pela sessão parlamentar dominical, um grupo de iranianos ataca a embaixada da Grã Bretanha em Teerã. Na quarta-feira, a Grã Bretanha expulsa o embaixador iraniano de Londres.

 E amanahã tem mais. Líderes europeus se reunirão em Bruxelas para decidir sobre novas sanções contra o Irã.

Vamos ver até quando se estende esse piscar de olhos, essa língua molhando os lábios, esse cruzar de pernas…esse jogo de sedução entre Irã e o resto mundo. Tomara que demore bastante a irem para os “finalmentes”. O que é muito provável, já que a Rússia ainda não colocou o vestido nem a maquiagem; parece que ainda está na manicure.

29 de nov. de 2011

Iranianos atacam instalações diplomáticas britânicas em Teerã. Capítulo 38 do livro de Ezequiel, sempressa.

Manifestantes atacam representações britânicas no Irã

Reuters

Manifestantes iranianos atacaram na terça-feira duas instalações diplomáticas da Grã-Bretanha em Teerã, num protesto contra novas sanções impostas por Londres ao programa nuclear da República Islâmica.

Os manifestantes quebraram vidraças, atiraram bombas caseiras e queimaram a bandeira britânica durante o protesto, que parece ser parte de uma disputa política interna no regime iraniano – o Parlamento, dominado por conservadores, vem tentando obrigar o presidente Mahmoud Ahmadinejad a expulsar o embaixador britânico.

Na semana passada, vários governos ocidentais – inclusive a Grã-Bretanha – impuseram novas sanções ao Irã por causa de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) que corrobora as suspeitas dos EUA e de seus aliados de que Teerã estaria desenvolvendo secretamente uma arma nuclear.

O Irã nega, dizendo que suas atividades estão voltadas apenas para a geração de energia com fins civis.


Centenas de pessoas se reuniram diante da embaixada britânica, no centro de Teerã, para protestar contra as sanções. Algumas dezenas de manifestantes pularam a cerca, quebraram o cadeado e entraram no edifício.

Eles arrancaram a bandeira britânica e a queimaram, colocando a bandeira iraniana no lugar, conforme fotos e relatos na imprensa local. Dentro da embaixada, eles quebraram janelas da ala funcional e da ala residencial, e incendiaram um carro.

A TV estatal mostrou um manifestante arrancando um retrato emoldurado da rainha Elizabeth. Outros apareceram em fotos da agência Fars saindo pelo portão com adornos do brasão real.


“Responsabilizamos o governo iraniano por seu fracasso em tomar as medidas adequadas para proteger nossa embaixada, conforme se exige”, disse Hague em nota. “Claramente haverá outras sérias consequências.”

Os Estados Unidos condenaram “nos mais duros termos” a invasão da embaixada e aconselharam o Irã a processar os responsáveis. A União Europeia e vários dos seus países membros também condenaram o ataque.

Uma fonte oficial negou que o governo iraniano tenha organizado o incidente.

Intrigante como os fatos se sucedem como peças que  vão se encaixando num grande quebra-cabeça. O Irã está cada vez mais seguro do poderio bélico da Rússia e assim, cada vez menos discreto, vai cumprindo seu papel nessa brincadeira dos “anjos da guerra”.

A pergunta que ninguém responde é “quando?” e, provavelmente, vai demorar  mais do que muitos protagonistas desejam. Afinal, em 2018 teremos Copa do Mundo na Rússia. Mas o desenho está pronto e até nítido. Quem não entendeu, dê uma lida no capítulo 38 do livro de Ezequiel.

ONU inventa relatório sobre a Síria e "abre os olhos" do mundo.

Imagine você na sexta, sétima série do Ensino Fundamental…aprendendo sobre a ONU, essa coisa que os  encenadores da II Guerra Mundial criaram para resolver os problemas da humanidade. 

Com que senso de respeitabilidade você ouviria falar sobre um Relatório feito pela – olha como o nome é potente -  Organização das Nações Unidas! (Fala verdade, quando você ouviu esse nome pela primeira vez, você acreditou que o mundo dos grandes políticos, grandes estadistas, grandes diplomatas era coisa séria, não é?)

Então…ontem a ONU – essa coisa estranha – divulgou por aí um desses relatórios. Você já imaginou se a sua professora do Ensino Fundamental te desse um trabalho parecido com esse: fazer um relatório sobre…é…sobre quantas crianças, do seu bairro, entre 8 e 10 anos não têm bicicleta. Pronto! Com que responsabilidade você encararia essa tarefa? Lembre-se que um trabalho desse, se bem feito, pode lhe render um emprego na ONU futuramente; seu sonho. Você levaria o negócio a sério, tenho certeza.

Mas o pessoal da ONU, não. Faz um relatório sobre uma guerra  – civil na Síria – assim…de qualquer jeito; e anunciam a coisa como se um grupo de cientistas revelasse o resultado de um trabalho de décadas.

Não, nenhum dos relatores da Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU esteve na Síria nos últimos 10 meses mas o tal Relatório Independente está pronto e com números “precisos”. Diz, por exemplo, que desde o início do Relatório, em Março, até a conclusão, em 9 de Novembro, 256 crianças foram mortas por responsabilidade do governo de Bashar Assad, o ditador que parte da população quer ver seguindo o mesmo rumo de Ben Ali (Tunísia), Hosni Mubarak (Egito) ou pior, Muammar Kadafi (Líbia).

Todo o conteúdo do pomposo Relatório Independente teve como fonte entrevista com 223 pessoas. Que pessoas são essas? Paulo Sérgio Pinheiro disse que não pode revelar “por questão de segurança”, citou Skype, twitter e telefone como meios de obter informação e justificou bem: ” Não tivemos acesso à Síria; tivemos acesso à informação”. Bonito mas de paupérrimo para um Relatório de uma Comissão da Organizações das Nações Unidas, você não acha?

Mas Paulo César Pinheiro foi honesto, pelo menos, numa dessas muitas entrevistas que deu ontem à imprensa brasileira: “O objetivo do Relatório é dar visibilidade ao que está acontecendo na Síria”.

Ah, bom! Então, se é por uma causa nobre, vale a pena inventar um Relatório. Concordo. Só não sei porquê – mas desconfio muito – o mundo precisa de um Relatório da ONU pra dar mais atenção a um país onde as pessoas estão se matando.

Mas eu entendi. Agora, o mundo todo está sabendo que na Síria pratricam crimes contra a humanidade (só porque a ONU avisou) e agora aquela turma nobre que cuida dos Direituzumanus já pode fazer alguma coisa pelos  cadáveres sírios.

Ah, e aquela turma não menos nobre do Conselho de Segurança, também, já pode decidir: deixam os sírios se matando enquanto alguns se divertem e outros ignoram ou chegou a hora de apimentar ainda mais aquela apaixonante relação Estados Unidos x Rússia…?

Eu estou apostando. Um lado vai começar a dizer que é hora de uma intervenção na Síria. O outro vai fingir discordar e aí…quem viver verá.

Será que dessa vez, finalmente, vamos conseguir esclarer o capítulo 17 do livro de Isaías?

28 de nov. de 2011

Cruzeiro na segunda divisão? Quem é o roteirista?

Nem um vidente previu. Não apareceu em nem uma bola de cristal nem nos búzios nem no tarô.  Em 2011, o Cruzeiro surpreendeu até o destino.

Se quem tem contato e contrato com o além comeu mosca, imagine o distraído torcedor… Nem o cruzeirense mais pessimista nem o atleticano mais otimista apostariam um  centavo sequer que 04 de Dezembro de 2011 pode ficar marcado como…

Como o quê? Como a experiência mais intensa de suas vidas. Sem exageros, no próximo domingo, muita gente vai viver e vai morrer a maior emoção de suas vidas. E, por enquanto, não dá tempo nem de discutir se uma vida que vive no futebol sua maior e mais intensa emoção merece ser vivida.

Domingo, não é só mais um, é o  “O jogo mais importante” da história do Cruzeiro e  o “O jogo mais importante” da vida de todos os cruzeirenses. Um único jogo que poderá ferir 90 anos de orgulho.

Para o Atlético-MG, também, é “O jogo mais importante” de sua história, a chance de conquistar o maior título em seus 103 anos de existência: rebaixar o Cruzeiro. E  para os atleticanos é a grande chance de sarar os tantos anos de orgulho ferido.

Quem é o roteirista desse drama que de repente, sem que ninguém se desse conta, coloca a vida de milhões de cruzeirenses e atleticanos  e a história dos dois clubes em jogo num único jogo?

Eu tenho um palpite pra esse roteirista. O final dessa trama será muito mais emocionante, muito mais inteligente e fará muito mais sucesso se o Cruzeiro não cair para a Segunda Divisão.  Ainda mais depois que o Cruzeiro ficou sem Fábio e Montillo para esse último jogo. Quase ninguém acredita no Cruzeiro. Perfeito, para um final feliz!

21 de nov. de 2011

Cruzeiro 1 x 1 Atlético-PR. É melhor ser alegre que ser triste.

Foi mais uma atuação histórica nessa sequência histórica. Ah, se alguém tivesse filmado todos os, aproximadamente, 4500 jogos nesses 90 anos de história do Cruzeiro! Eu assistiria todos só para provar o que eu tenho certeza: o Cruzeiro nunca teve um time tão tosco, tão medíocre (na prática) como esse.


Hoje foi até menos constrangedor do que nos outros jogos. Até porque o adversário, também, é muito ruim e não conseguiu colocar o Cruzeiro “na roda” como fizeram os outros.

Mas como se não bastasse a mediocridade técnica, a desorientação tática e o capenga condicionamento físico das outras vezes, hoje ocorreram 3 lances gloriosos. Dois no lance que culminou com o gol do Atlético: mais uma cagada do Diego Renan e mais uma lerdada do Marquinhos Paraná que, simplesmente, ficou apreciando o atacante rubro-negro fazer o gol como quem observa uma folha soprada pelo vento. O mesmo Marquinhos Paraná que, no segundo tempo, sozinho, caiu sobre a bola como um sonâmbulo que acorda à noite para ir ao banheiro e cai com a bunda no pinico antes de arriar as calças.

Gente…na boa! É melhor rir pra não chorar ou como dizia Vinícius de Moraes, é melhor ser alegre que ser triste. Porque se o sujeito for levar isso “a sério”, ele morre ou de enfarto ou de desgosto ou de queda do 20° andar ou de corda no pescoço.

E eu já deixei bem claro para os cruzeirenses com os quais eu convivo: se alguém ameaçar morrer, caso o Cruzeiro consiga o que tem feito por merecer há muito tempo (ser rebaixado), eu dou o maior incentivo.
Mas deixemos esse meu tom exagerado (baseado numa “bobagem” que ouvi hoje de um conhecido). Quem quiser sofrer com dignidade, fica aqui a dica:

Hoje faz 20 anos da conquista da Supercopa dos Campeões da Libertadores de 1991. Quem quiser ver ou rever a final, taí. Eu revi ontem. Foi praticamente uma sessão de regressão. Senti a emoção, o cheiro, as cores… eu, meu irmão e meu pai ouvindo o jogo naquela noite histórica de 20 de Novembro de 1991. Eu tinha 9 anos. Minha mais pura e genuina emoçãocomo cruzeirense.

15 de nov. de 2011

O advogado do Zezé Perrella.

Ninguém espera que as acusações de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e evasão de divisas contra o Senador e, ainda, presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, sejam logo, devidamente, esclarecidas. Mesmo quem não faz a menor idéia dos trâmites do processo, sabe que casos como esse, envolvendo gente graúda como esse,  são arrastados preguiçosamente por anos e anos e anos.

Mas sejamos otimistas! Imaginemos que o STF autorize, logo, a abertura dos inquéritos contra o Senador. O que você espera – torce ou acredita – que vai ser apurado? Zezé Perrella é, mesmo, um ladrãozão ou só mais uma vítima no “país do denuncismo”? (Em Julho desse ano, Zezé disse à Folha: “Me sinto no país do denuncismo”).

Zezé vive dizendo que não teme nenhuma investigação, que ser investigado não é crime e que não teria nenhum problema em abrir mão do foro privilegiado a que tem direito como Senador.

Talvez, ele, durma, mesmo, com a consciência tranquila e não tenha cometido nenhum desse crimes.

Mas…vamos nos permitir exercitar a imaginação um pouquinho. Admitamos que Zezé Perrella é, mesmo, um ladrãozão e que possíveis investigações da PF e dos MPs o deixe em condição de réu perante a Justiça.
“Oh! E agora, quem poderá me defender?”. Essa pergunta Zezé já se fez há muito tempo e o Chapolin Colorado não caiu na frente dele.

Zezé está muito bem de advogado. Trata-se do mineiro, cruzeirense, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay,  retratado na última edição da Revista Piauí como O Protetor dos Poderosos que “faz o impossível para que Brasília funcione direito”.

Kakay é daqueles caras que podem ser chamados de “o cara”. Veja essa parte da matéria assinada por Daniela Pinheiro:

“Quem contrata Kakay – apelido que Almeida Castro cunhou para si mesmo, inventando até a grafia – compra um pacote raro no mercado jurídico. Ele faz a defesa técnica e atua também como assessor de imprensa, perito em imagem e especialista em regimento do Congresso, alem de ser frequentador de Comissões Parlamentares de Inquérito, íntimo de ministros e chefes de partido, interlocutor de jornalistas respeitados, amigo de empresários biliardários e expert nos códigos do poder brasiliense.
Em trinta anos de profissão, ele contou ter defendido dois presidentes (José Sarney e Itamar Franco), um vice (Marco Maciel), cinco presidentes de partido (simultaneamente), quarenta governadores (em períodos diversos), dezenas de parlamentares (atualmente são quinze senadores) e uma penca de ministros (no governo de Fernando Henrique Cardoso foram treze; no de Luiz Inácio Lula da Silva, três; no de Dila, dois). No mês passado, acrescentou à freguesia um ex-governador, um presidente de Assembléia Legislativa e um juiz de Tribunal de Contas estadual.

A capilaridade prossegue na iniciativa privada. De seu portfólio constam empreiteiras (Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS), bancos (Sofisa, BMG, Pine), banqueiros (Daniel Dantas, Salvatore Cacciola, Joseph Safra), empresário de renome internacional e milionários provincianos, todos num momento ou outro enrolados com a Justiça.”

Seu mais novo cliente é o ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva. Um caso que no final da matéria ele resumiu assim: “Politicamente, a permanência dele era insustentável mas, juridicamente, o caso é fácil. Na verdade, o processo agora toma um leito normal. Para dvogar é melhor, mas perde a adrenalina que eu gosto”.

Das 5 páginas preenchidas pela matéria, Zezé Perrela aparece numa ligação telefônica numa manhã em que a jornalista esteve no escritório do advogado:

“Eram onze da manhã e Kakay estava no escritório, decorado com inúmeras fotos (ele e Lula, ele e Sarney, ele e ACM, ele e Roberto Carlos) e uma gigantesca obra cilíndrica, de um artista plástico mineiro. Usava uma calça preta, sandália Crocs da mesma cor e uma camiseta amarelo-canário com o símbolo de seu time, o Cruzeiro.

O celular tocou, ele checou quem chamava e atendeu com a voz entusiasmada. “Meu governador preferido, tá bom”, disse. Dois minutos depois, outra chamada. Era o senador Zezé Perrella, cartola do Cruzeiro, acusado, entre outros crimes, de enriquecimento ilícito. Antes de desligar, o advogado brincou: “Se o Cruzeiro for rebaixado, eu perco seu prazo, hein Zezé?”

Confesso minha ignorância: não entendi esse “perco seu prazo”. Mas uma coisa ficou clara: Zezé Perrela tem motivos para “não temer nada”. Está muito bem de advogado.

Cruzeiro 1 x 1 Internacional. Foi a camisa branca?


Lá pelos anos 90, eu acreditava, muito, que a camisa branca dava sorte ao Cruzeiro. Uma supertiçãozinha que eu me permitia alimentar. Baseada em alguns resultados, como por exemplo:
  • Cruzeiro 8 x 0 Nacional (COL) pela Supercopa de 1992
  • Cruzeiro 2 x 1 Grêmio – final da Copa do Brasil de 1993
  • Boca Jrs. 1 x 2 Cruzeiro – Libertadores de 1994
  • Palmeiras 2 x 3 Cruzeiro – 3° jogo das 4as de final Brasileiro de 1998
  • Cruzeiro 3 x 1 Portuguesa – 1° jogo semi-final Camp.Brasileiro de 1998
  • Portuguesa 0 x 1 Cruzeiro – 3° jogo semi-final do Brasileiro de 1998
Entre vários outros. Com o tempo eu fui deixando isso de lado e sei que hoje é possível fazer uma grande lista com as derrotas do Cruzeiro jogando com a camisa branca. Nesse Campeonato, por exemplo, o Cruzeiro perdeu de 2 x 0 para o Grêmio em Porto Alegre.

Mas é aquela coisa, né? Em momentos de desespero, a gente acaba se apegando ao que tem. E ontem era um dia desses.

O Cruzeiro é o pior time do Campeonato há pelo menos 14 rodadas. Seja qual for o adversário, em qualquer estádio, o time não inspira nenhuma confiança, racional, em uma vitória.
Então, “vamos” de camisa branca, a pedido dos jogadores, pra mudar…sei lá…qualquer coisa. E lá foi o Cruzeiro…

Com menos de 1 minuto, o Internacional chegou com perigo. E continuou melhor, com mais qualidade técnica, melhor condicionamento físico e mais equilíbrio emocional durante o jogo inteiro.

O Cruzeiro, com uma disposição, uma entrega comovente. Nada que fizesse diferença, se o Inter não tivesse perdido tantos gols, muito, também, por conta de uma atuação perfeita do goleiro Fábio.

Ah, se o Inter tivesse empatado o jogo…Teria virado goleada, como contra o Flamengo?

Não interessa. O que interessa hoje é ter abrido 2 pontos do Ceará e ter tornado mais possível e mais provável evitar a queda para a segunda divisão com o pior time do clube nos últimos 24 anos.

10 de nov. de 2011

Neymar, a jóia do banco Brasil.

Para o país que sedia, Copa do Mundo é coisa muito séria. Seríssima. São muuuuitos interesses, muuuuuitos interessados envolvidos.

Não dá pra não ser sucesso. Tem que dar certo.

E o que fazer para evitar o fracasso?

Tudo que for possível. De acordo com as peculiaridades de cada país.

Mesmo que várias teorias, verdades, valores e mitos arquitetados na primeira década do século XX já tenham sido jogados na vala da História, alguns ainda zumbizeiam por aí.

Por exemplo? “O Brasil é o país do futebol”.

Quando éramos, ainda, um país sem  identidade, até que foi interessante. Eu diria, até, brilhante. Honras à memória dos socio-antropólogos que fizeram do Brasil o país do futebol e do samba. Mas voltemos a 2011…

O que há de Copa do Mundo no espírito, na alma e no coração do povo do país do futebol?

Não tenho certeza. Mas, sem generalizações, eu desconfio que, pelo menos da maioria, não é nada que contribua para o sucesso da importantíssima, coisa séria, Copa do Mundo.

OK! Eu até concordo que obras super faturadas, que estádios que não serão utilizados depois de 2014, que exigências “absurdas” da FIFA… tudo isso vai ser deixado de lado com a aproximação do evento.

Mas e até lá? O que vão fazer para garantir o sucesso da importantíssima, seríssima Copa do Mundo?

Uma Copa do Mundo não acontece só durante os 30 dias entre os jogos. Seu sucesso depende de diversos fatores desde o dia do anúncio da sede.

E o que existe hoje, no final de 2011, além das certezas de superfaturamento, de futuros “elefantes brancos”, de twitaços anti-Ricardo Teixeira, de gritinhos pela “soberania nacional contra as exigências da FIFA?

Fácil. Existe um “país do futebol” com um futebol pobre. Com uma Seleção digna de “país do UFC”. Pobre, fundamentalmente, de ícones, de garotos-propaganda, de ídolos.

E quem é o Messias?

Ora! Neymar, claro.

Não é só o Santos e os santistas que querem que o rapaz permaneça no clube. São, principalmente, todos os interesses no sucesso da importantíssima, seríssima Copa do Mundo.

Vale muito. Vale tudo. A permanência do Neymar até 2014 no Brasil é questão de Segurança Nacional e Interesse Internacional.

Luiz Álvaro e seus sócios podem ser competentíssimos. A crise econômica na Europa pode ter seu peso. Mas Neymar só vai ficar no Brasil até 2014 porque, hoje, ele é a única imagem capaz de abrir um clarão nessa sombra escura que cobre tudo que diz respeito à importantíssima, seríssima Copa do Mundo de 2014.
Ou eu escrevi muito e não expliquei nada?

7 de nov. de 2011

Cinegrafista da Band. Mais uma vítima da espetacularização da violência.

Os colegas de profissão dizem lamentar. Todas as Associações cumpriram o protocolo, divulgando notas lamentando a morte, se solidarizando com a família. A emissora, também, cumpriu o protocolo e se defendeu destacando que “o funcionário estava de colete à prova de balas – modelo permitido pelas Forças Armadas, sempre usados por profissionais da Band em situações como esta”.

Mas a morte foi ontem. Hoje, Gelson Domingos é só estatística.

Até porque nenhum “especialista”, nenhum colega de profissão, nenhuma Associação ousou questionar o tal “papel da imprensa” na guerra diária entre policiais e bandidos.

Afinal, estão todos convencidos, seguros, anestesiados de que um repórter no meio de um tiroteiro é uma atividade nobre, um serviço de utilidade pública: estão nos mantendo informados.

Uma ova!!!

Tudo não passa de uma estúpida guerra pela audiência, uma boçal espetacularização da violência.Tudo plenamente justificado pela…audiência… de estúpidos.

Mas, claro, é preciso considerar que um repórter que participa da guerra diária entre bandidos e policiais, não é vítima só do estúpido telespectador/ouvinte/leitor e do seu empregador.

Muitos são, além dos outros, vítimas de si mesmos. São “apaixonados” pelo que fazem e consideram a coisa mais importante do mundo o registro de uma imagem, de uma declaração, principalmente, em situações de risco.

Mas talvez o melhor seja, mesmo, ficar com a sensação de que foi apenas um caso isolado e que a morte de “só mais um” não justifique a reflexão.

6 de nov. de 2011

Flamengo 5 x 1 Cruzeiro. Muita calma nessa hora!

Eu não vou fazer nenhuma lista de “culpados”. Não vou participar de nenhum protesto em aeroporto, em frente à sede ou no portão do centro de treinamento. Nem de algum twitaço que inicie alguma “revolução”.

O máximo que eu me disponho a fazer, coletivamente, é participar de alguma votação para escolher o nome do Zezé Perrela, já que ele prometeu mudar de nome caso o Cruzeiro caia para a segunda divisão.

Mas quem disse que o Cruzeiro vai cair para a segunda divisão?

Eu, também. Tenho repetido isso entre amigos, inimigos e indiferentes desde a derrota para o Santos  ainda na 4° rodada do returno.

Baseado em quê? Intuição. Pressentimento.

Mas o Campeonato ainda não acabou.


Promessa? A única que faço é não ficar falando isso por aí, entre inimigos e indiferentes. Porque hoje eu quase apanhei de uma turma de…cruzeirenses que não aceitavam  assistir ao jogo de hoje com “pessimistas”, “mau agouros” entre eles.

Saí antes do jogo começar. Sem nenhuma mágoa. Pelo contrário. Até com um certo contentamento por constatar, mais uma vez, que a boçalidade, também, é imortal.

É impossível evitar um sorriso, quando se vê torcedores de futebol num eterno  processo de autoafirmação. Estão sempre tentando provar que são melhores que os outros; inclusive em relação a torcedores do mesmo clube.

Talvez, o time tenha tomado mais essa tamancada por falta de mais “energia positiva”, mais “otimismo”. Aff!!!
Talvez, a solução seja deixar só os “cruzeirenses de verdade”, os que “acreditam sempre”, os “iluminados”, de “energia positiva” assistirem aos próximos jogos.

Afinal, os clubes caem, ou não, sobem, ou não, de divisão. A boçalidade, não. Essa, também, recebe faixas e participa do desfile das campéãs todos os dias.

2 de nov. de 2011

A despedida de Rubem Alves da Folha.

Não sou assinante da Folha nem do UOL. Também, por isso, não li ontem a despedida do Rubem Alves. Como as versões digitais não deram destaque ao Acontecimento (na versão impressa da Folha, estava na 1° página) só fiquei sabendo no final da tarde quando não havia mais Folha nas bancas mais próximas (tão longe) de casa. Hoje, consegui a Folha de ontem numa dessas bancas.

Não vou nem justificar o porquê desse registro. Quem conhece Rubem Alves, compreenderá. Quem não conhece…antes tarde do que mais tarde.

Despedida

Rubem Alves – Folha de São Paulo 01/11/2011

Essa crônica é uma despedida. Resolvi, por decisão própria, parar de escrever em Cotidiano.

Devo ter perdido o juízo. Minha decisão contraria um dos dois maiores sonhos de cada escritor. Primeiro, o sonho de ser um best-seller. Encontrar algum livro seu nas prateleiras da livraria Laselva, nos aeroportos. Confesso: sou vítima dessa vaidade. Mas não aprendo a lição. Nos aeroportos, vou sempre visitar a Laselva na esperança de lá encontrar um dos meus livros. Saio sempre desapontado.

O outro sonho dos escritores é ter seus textos publicados num jornal importante: ser lido por milhares de leitores. O que significa reconhecimento duplo: do jornal que os publica e dos leitores. Isso faz muito bem para o ego. Todo escritor tem uma pitada de narcisismo.

Fernando Pessoa tem um poema que diz assim: “Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas…” E ele se pergunta se “não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas…” Respondo: Sim. Há um cansaço. A velhice é o tempo do cansaço de todas as coisas. Estou velho. Estou cansado. Já escrevi muito. Mas, agora, meus 78 anos estão pesando. E como acontece com as estrelas, há sempre a obrigação de brilhar.

A obrigação: é isso o que pesa. Quereria ser capaz de viver um poeminha do Fernando Pessoa: “Ah, a frescura na face de não cumprir um dever… Que refúgio o não se poder ter confiança em nós…” Perco o sono atormentado por deveres, pensando no que tenho de escrever. Sinto -pode ser que não seja assim, mas é assim que eu sinto-que já disse tudo. Não tenho novidades a escrever. Mas tenho a obrigação de escrever quando minha vontade é não escrever.

Não é qualquer coisa que se pode publicar num jornal. O próprio nome está dizendo: “jornal”, do latim “diurnalis”; de “dies”, dia, diurno; o que acontece no dia; diário.

O tempo dos jornais é o hoje, as presenças. Mas minha alma é movida pelas ausências: nos jornais, não há lugar para ressurreições.

Acho que aconteceu comigo coisa parecida com o que aconteceu com a Cecília Meireles. Escrevendo sobre ela, Drummond falou o seguinte: “Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me sempre a impressão de que ela não estava onde nós a víamos… Por onde erraria a verdadeira Cecília, que, respondendo à indagação de um curioso, admitiu ser seu principal defeito ‘uma certa ausência do mundo’”?

Deve ser alguma doença que ataca preferencialmente os velhos e os poetas. A Cecília descrevia o tempo da sua avó com “uma ausência que se demorava”. E Rilke se perguntava: “Quem assim nos fascinou para que tivéssemos um olhar de despedida em tudo o que fazemos?” O sintoma dessa doença é aquilo que a Cecília disse: uma certa ausência do mundo.

O místico Ângelus Silésius já havia notado que temos dois olhos, cada um deles vendo mundos diferentes: “Temos dois olhos. Com um, vemos as coisas do tempo, efêmeras, que desaparecem. Com o outro, vemos as coisas da alma, eternas, que permanecem”. Jornais são seres do tempo. Notícias: coisas do dia, que amanhã estarão mortas.

E é por isso vou parar de escrever: porque estou velho, porque estou cansado, porque minha alma anda pelos caminhos do Robert Frost, porque quero me livrar dos malditos deveres que me dão ordens desde que me conheço por gente…

1 de nov. de 2011

Lula politiza o câncer e se defende de seus defensores.

Não é preciso ser um expert em comportamento humano para prever a postura de alguns em determinadas circunstâncias.

Principalmente quando de trata da postura assumida de acordo com alguns papéis sociais.

Lula é casado com a Política e sabe que ela exige fidelidade na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. E Lula não cumpre esse dever com sacrifício. Cumpre com prazer. Se para o bem ou para o mau, não me interessa, pelo menos, por aqui.

Foi isso que eu quis dizer no post anterior, quando, pretensamente, o defendi de seus defensores contra a campanha “Lula, vai se tratar no SUS!”.

Uma campanha política, num momento delicado do ser humano Luiz Inácio Lula da Silva. Uma campanha tão infeliz ou feliz quanto qualquer discurso elogioso ao Sistema Único de Saúde feito pelo próprio Lula enquanto presidente da República.

Só os “espíritos evoluídos”, os falsos moralistas e os intelectualmente desonestos poderiam, mesmo, sair em defesa do ser humano Luiz Inácio contra o político Lula.

Está aí em baixo: “Lula não carece desses espíritos evoluídos que sairam correndo tentando agarrar a Ética pelo rabo pra que ela se pronunciasse contra a campanha Lula vai se tratar no SUS!”.

E hoje, Lula deu uma banana para esses “espíritos evoluídos”.  Politizou a doença que lhe acometeu para deixar uma mensagem política de otimismo ao “povo brasileiro”.

“Eu acho que a gente precisa continuar acreditando no Brasil, botando fé nesse país. Será inexorável o caminho do país pra se transformar numa grande economia.
[...]
Acreditar na presidenta, ajudá-la. Porque é assim que o Brasil vai pra frente. Não existe espaço pra pessimismo. Não existe espaço pra ficar lamentando que “ah, hoje o dia não foi bom!”.
Se o dia não foi bom, a gente faz ele ficar melhor amanhã.

Nós temos que lutar. Afinal de contas, foi pra isso que eu vim pra Terra; pra lutar, pra melhorar a vida de todo mundo”.

Eu fico constrangido pelos que com as melhores e as piores das intenções sairam dando liçao de moral nos outros, achando que era hora de separar o político do ser humano e que “Lula, vai se tratar no SUS” era uma provocação mesquinha e fora de hora.

Lula, claro, como ótimo político, não fez citações à provocação mas deixou bem claro que é que com muito prazer que ele se mantém fiel à Política na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.
Ou alguém ainda vai fingir que não entendeu o recado?